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Orvieto – milagre eucarístico

outubro 14, 2015 by Patricia Carmo Baltazar Nenhum comentário

Orvieto em um bate-e-volta, para quem já fez as excursões básicas aos arredores de Roma, gostaria de contar um pouco sobre este brinco de cidade, que fica no alto de uma montanha a 325m do nível do mar, tanto que se pensa que num passado remoto esta colina tenha sido uma ilha.

Quem chegar aqui de noite, vai ter a sensação de ver uma cidade pendurada no nada!
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Duomo, foto de Claudio Caravano
Cidadezinha simpática, sempre foi uma das minhas paradas com os amigos quando retornávamos do fim de semana ao norte de Roma.
Interno duomo Orvieto - Orvieto - milagre eucarístico
“Interno duomo Orvieto”. Con licenza CC BY-SA 3.0 tramite Wikimedia Commons
Nesta cidade cheia de história e arte para ver, o monumento mais importante é, sem dúvida, o Duomo, com seu impressionante pé direito e colunas com faixas pretas e brancas.
A própria razão pela qual ele foi construído é muito importante: conter um milagre eucarístico que aconteceu no ano de 1290 na cidade de Bolsena (ali pertinho). E para quem, como eu, é fan de Arnolfo de Cambio, aqui vai poder ver boa parte da sua maestria na própria fachada, que levou 300 anos para ser construída – isso mesmo, 300 anos. A Itália é o berço da arte mesmo, só aqui artistas conseguem trabalhar por três séculos num mesmo edifício com tamanha habilidade! Observe a maravilhosa rosácea com os mosaicos que contam as histórias do antigo e do novo testamento (os mosaicos foram muito restaurandos ao longo dos anos, mas para nós está de bom tamanho!). Se você estiver chegando da Toscana, vai notar na hora que a fachada do Duomo parece um trítico de altar!
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Orvieto altstadt de Hans Peter Schaefer
O interior deste Duomo é um verdadeiro museu, com afrescos de Ugolino di Vieri (1338), Luca Signorelli (Capela Sistina), Beato Angelico, Lipo Memmi coro em madeira de Giovanni Ammannati (1331-40), e tantas outras obras importantes, que se preferir visitá-lo com uma guia que fale português, vai aproveitar bem mais.
Curioso o Poço de São Patrício, fantástica obra de engenharia genial do Juliano da Sangallo, da primeira metade do século XVI, mais precisamente do ano de 1527, ano que Roma foi vítima de uma grande invasão e depredação.
Para que a cidade tivesse sempre um fornecimento de água, o poço foi cavado na própria rocha vulcânica com uma dupla série de amplas escadas helicoidais: uma para descer e outra para subir.
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Orvieto centro-histórico, de Hans Peter Schaefer
O Museu Arqueológico Nacional contém preciosidades dos arredores da cidade, com peças que vêm de necrópoles etruscas e itálicas: kantaros, stamnoi e afrescos que foram removidos da necrópole por razões de conservação.
A igreja do santo umbro São Francisco, consagrata na segunda metade do XIII século, ainda tem os antigos muros perimetrais, a rosácea e o amplo portão originais.
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Orvieto, foto de Hans Peter Schaefer
Interessante a igreja de São Lourenço de’ Arari, edifício do século XII com afrescos dos dois séculos sucessivos. O altar é formado por uma antiga araetrusca e o cibório é do século XII.
A igreja de São Jovenal foi fundada no ano de 1004, com fachada românica e um campanário fortificado. O paliotto é da segunda metade do século XII. Aqui pertinho podemos caminhar sobre ruinhas medievais e ver a antiga igreja de Santo Agostinho, originalmente construída no século XIII e muito modificada nos séculos XVI e XVII.
Na Praça da República(Piazza della Repubblica), centro da vida social da cidade desde a Idade Média, temos o Palácio Comunal (Palazzo Comunale) di Ippolito Scalza, feito no século XVI. Curiosa a torre da igreja de Santo Andrea (século XII) com planta dodecagonal e bíforas, do século XII, e reformada durante os séculos XVI. Os afrescos são dos séculos XIV e XV.
Cidade esplêndida para visitar como excursão a partir de Roma ou simplesmente para na rota Toscana-Lácio. Se você está atrás de milagres eucarísticos prenda em consideração uma visita à essa cidade, muito mais accessível do que Lanciano, para não falar do patrimônio cultural!
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Igreja do Sagrado Coração em Sufrágio

setembro 11, 2015 by Patricia Carmo Baltazar Nenhum comentário

O estilo neogótico da Igreja do Sagrado Coração em Sufrágio na margem do rio Tibre é mais um exemplo da paixão por este estilo no século XIX e vale muito à pena visitá-la. Por causa da semelhança com o Duomo de Milão, ela foi apelidade de “Pequeno Duomo” (Piccolo Duomo).
Esta construção foi inaugurada no ano de 1917 e dedicada ao Sagrado Coração de Jesus em
Sufrágio das Almas.

Vale sempre à pena lembrar que Roma não tem igrejas góticas, pois a única fica na Via Appia e tem apenas quatro paredes, pois nem teto existe mais!

 

sagrado coracao sufragio guia brasileira roma 3 - Igreja do Sagrado Coração em Sufrágio
A linda rosácea

Logo vemos que esta “miniatura” de duomo tem uma maravilhosa rosácea, três naves e um campanário octagonal, número que é sempre um programa à parte!

A fachada foi inteiramente feita em cimento e apesar da pequena dimensão, não podemos não percebê-la no trânsito louco da marginal do rio, por seus pináculos e agulhas, tão pouco comuns em Roma.

 sagrado coracao sufragio guia brasileira roma - Igreja do Sagrado Coração em Sufrágio
O maravilhoso interior da igreja com as colunas em mármore rosso di Verona
 com faixas de mármore verde
Interessante o que aconteceu depois do incêndio de 1894, antes da inauguração da igreja: o padre Jouet encontrou na parede da capela da Virgem do Rosário uma mancha causada pelas chamas que parecia um rosto que expriimia sofrimento. O padre interpretou-a como um desejo das almas do purgatório em entrar em contato com os vivos para pedir rezas que facilitassem a passagem destas almas ao paraíso.

 

sagrado coracao sufragio guia brasileira roma 2 - Igreja do Sagrado Coração em Sufrágio
A fachada da Igreja do Sagrado Coração em Sufrágio

A partir daí, padre Jouet iniciou uma pesquisa em busca de testemunhas sobre tentativas de almas em entrar em contato com o mundo dos vivos e criou um museu com objetos e suas histórias  aqui dentro: trata-se de marcas de mãos sobre objetos, tecidos de pessoas que afirmam ter tido contato com pessoas no além. Comum à todas as histórias são as almas que pedem rezas para que possam continuar a sua viagem em paz, já que tiverem uma vida pouco pia e encontram dificuldades em prosseguir.

sagrado coracao sufragio guia brasileira roma 4 - Igreja do Sagrado Coração em Sufrágio
As colunas em mármore rosso di Verona
e os arcos em ogiva
 

Por incrível que pareça, este pequeno museu foi aprovado pelo Papa Pio X (1835-1914) com a intenção de divulgar a possibilidade do contato com as almas do além.

É entrar para uma reza e ajudar estas pobres almas e ver para crer!
Fantástica decoração das mãos do próprio arquiteto que desenhou a igreja.

O endereço é Lungotevere 18.

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Basílica de Santa Sabina

julho 4, 2015 by Patricia Carmo Baltazar Nenhum comentário

Ao lado do maravilhoso Jardim das Laranjeiras, onde ainda vemos parte do antigo forte da família Savelli durante o século XIII, temos a pérola da colina Aventino:  a basílica de Santa Sabina.

santa sabina abside fora - Basílica de Santa Sabina
Santa Sabina vista do lado do parque das laranjeiras, com laranjeira carregada!
santa sabina 2 - Basílica de Santa Sabina
Eu, sempre microscópica, admirando as janelas
santa sabina janela - Basílica de Santa Sabina
Janelas cheias de significados da Santa Sabina

Esta igreja do V século, definida por Argan como o melhor exemplo de construção paleocristã, nos dá uma ótima ideia do que foram as primeiras basílicas, onde o exagero das massas articuladas dá lugar às superfícies justapostas.

Se tiver interesse em fazer um tour personalizado com mais igrejas interessantes como, essa com guia em português, não hesite em me contactar! patcarmobaltazar arroba gmail.com

santa sabina fragmento - Basílica de Santa Sabina
Fragmento de pé e a minha mão!

Adoro o portal da entrada, em madeira de cipreste e com uma representação muito especial, uma das primeiras imagens que se tem notícia do Cristo crucificado, do V século.
Na parede antes do portal, vemos fragmentos encontrados no restauro dos anos ’30.

santa sabina portao cipreste - Basílica de Santa Sabina
O portão de cipreste da Basílica de Santa Sabina, do V século

A planta é dividida em três naves, uma ampla nave central; estreitas direita e esquerda, com afresco de Cristo, Santos e Apóstolos, de Taddeo Zuccari, do século XVI.

santa sabina 1 - Basílica de Santa Sabina
Santa Sabina: as generosas proporções da nave central

Para compreender Roma são necesessários anos de estudo de arte, arquitetura e arqueologia e outros tantos anos para aprofundar este conhecimento e escrever artigos como este. Escolha uma guia profissional pois ela fará uma grande diferença na sua estadia.

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A técnica dos mosaicos medievais

maio 20, 2015 by Patricia Carmo Baltazar 2 Comentários

Roma pode ser vista sob infinitos pontos de vista. Para quem ama a mosaicos medievais, é um prato cheio. Para quem não a conhece, será fácil se apaixonar.

post dedicado à Fátima e à Socorro

Uma das técnicas mais amadas e desenvolvidas pelos romanos foi o mosaico. Neste post vou falar um pouquinho desta técnica durante a Idade Média, pois temos uma série imperdível de obrasprimas aqui que seria um pecado não ver!

cavallini - A técnica dos mosaicos medievais
Mosaico de São Paulo Fora dos Muros,
realizado entre 1216 e 1227

Mosaicos Medievais em Roma

Interessante uma observação de Filarete (escultor e arquiteto que viveu na primeira metade do século XV) sobre a queda de pedidos de trabalhos em mosaicos, pois “o custo era muito alto, o tempo para aprender a técnica, longo, assim como o tempo para executá-la”. Filarete também nos informa que para cada cor eram necessárias cinco tonalidades diferentes de pastilhas – e conclui dizendo que “a qualidade das pastilhas de ouro já não era a mesma de antigamente!”

O lugar onde tradicionalmente se produziam as pastilhas era Veneza!

Arco triunfale Sta Maior - A técnica dos mosaicos medievais
Mosaicos Medievais – Arco triunfal e ábside de Santa Maria Maior

A grande vantagem desta técnica, é que dura muito mais do que o afresco, que já tem uma vida bem longa, se pensar que temos afrescos do século XI onde as figuras ainda podem ser reconhecidas!

Por exemplo, observe a fachada de Santa Maria in Trastevere: a parte superior em afresco e a faixa sobre as janelas arqueadas, em mosaico.

mosaico santa maria trastevere - A técnica dos mosaicos medievais
Mosaico, fachada da Santa Maria in Trastevere

O reboque necessário para receber as pastilhas é constituido por duas camadas, que medem ambas entre 2 e 7 cm. O material era composto por uma espécie de cimento impermeável, pedrinhas de origem vulcânica e cal virgem.  A camada inferior é mais lisinha; a camada superior, que entra em contato com as pastilhas, levemente mais áspera, para facilitar a aderências de pastilhas mais pesadas (de cerâmica, por exemplo) e para obter efeitos de reflexo de luz no caso de pastilhas de vidro.

mosaico trastevere - A técnica dos mosaicos medievais
Mosaico, Santa Cecilia

Uma das dificuldades na realização do mosaico é o tempo de secagem do reboque. Lógico, para que o artista possa inserir as pastilhas, a superfície que está sendo trabalhada não pode secar rápido demais, se não ele não consegue finalizar o preenchimento do desenho.

Em um décimo de metro quadrado da fachada de São Marco foram contadas 800 pastilhas! Haja rapidez e técnica para retardar a secagem do reboque!

mosaico roma guia turismo - A técnica dos mosaicos medievais
Pavão, San Clemente

Quanto às pastilhas, a maior parte era feita de pasta vítrea, mas também poderiam ser de mármore, cerâmica ou outras pedras duras. E você pode imaginar que os estudiosos de mosaico ainda estão debatendo vivamente sobre a quantidade de tonalidades de cada cor?! No caso de Santa Maria Maior, contam aproximadamente oito tons de azul, quatro de vermelho, sete de violeta, oito de verde e quatorze entre branco e cinza!

mosaico guia de roma latrao - A técnica dos mosaicos medievais
Mosaico absidal da Catedral de Roma

Em Roma encontramos uma gama ainda maior, o que nos faz pensar que a qualidade da mão de obra romana era realmente especial!

Basilica Santa Prassede Sao Zenao - A técnica dos mosaicos medievais
Basílica de Santa Prassede

Quando vier à Roma, não perca a oportunidade de aprofundir suas curiosidades sobre esta técnica maravilhosa com uma guia de turismo competente, que vai deixar você literalmente de boca aberta!

E ainda falta falar das pastilhas de metais preciosos e sobre a iconografia – isso é assunto pra muitas horas!

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Basílica de São Lourenço Fora dos Muros

abril 12, 2015 by Patricia Carmo Baltazar Nenhum comentário

A Basílica de São Lourenço Fora dos Muros é uma das cinco basílicas patriarcais de Roma e um verdadeiro tesouro de preciosidades artísticas, históricas e religiosas no bairro de São Lourenço. O túmulo de São Lourenço teve seu acesso facilitado pelo imperador Constantino. Somente quase 300 anos depois foi construída a primeira basílica, hoje chamada de “pelagiana”. O edifício que vemos hoje foi construída em dois tempos, e é por isso é difícil interpretar os seus planos e ambientes. No século XIX adicionaram a sepultura do Papa PIo IX, o que acrescenta mais um nível de dificuldade na interpretação da sua arquitetura.

sao lourenco guia de roma1 - Basílica de São Lourenço Fora dos Muros

Nave central da basílica de São Lourenço em Roma

Quem foi São Lourenço

São Lourenço morreu mártir durante o principado do Imperador Valeriano, no ano de 258. As fontes da sua hagiografia (descrição da vida dos santos) nos contam que ele teria sido grelhado vivo. Por esta razão ele é sempre representado segurando uma grelha, o objeto do seu martírio. No Juizo Final do Michelangelo , São Lourenço aparece logo abaixo do maravilhoso Cristo, levemente à esquerda:

sao lourenco juizo final michelangelo - Basílica de São Lourenço Fora dos Muros

 

São Lourenço foi martirizado por não querer entregar ao imperador tesouros da igreja que eram distrubuidos à viúvas, órfãos e pobres na sua diaconia. A igreja surge sobre a sepultura do santo no interior de catacumbas que não existem mais, comemorado dia 10 de Agosto, dia da sua morte.

Sao lourenco fora muros - Basílica de São Lourenço Fora dos Muros 
Fachada de São Lourenço Fora dos Muros hoje, foto de Georg Schelbert

 

Primeira fase de construção da Basílica de São Lourenço Fora dos Muros

A primeira construção também nos manda ao período do Imperador Constantino, o que faz desta basílica uma preciosidade paleocristã. A parte atrás e abaixo do altar (presbitério) é onde encontramos a antiga basílica do Papa Pelágio, do VI século, e a nave central foi construída por Onório III.

A fachada sóbria de tijolinhos com o pórtico provavelmente realizado pelos Vassalletto,   realizada em torno ao ano de 1220 e infelizmente destruída durante a II Guerra Mundial no triste bombardamento do bairro de São Lourenço.

sao lourenco antes bombardamentos - Basílica de São Lourenço Fora dos Muros
Foto histórica de Wikipedia do séc. XIX, onde podemos ver os mosaicos que enfeitavam a fachada

Alguns detalhes da decoração

No pórtico, vemos os excepcionais dois leões do antigo prótiro – comum na Idade Média mas poucos chegaram até nós! Além de significar força, na simbologia cristã o leão tinha a função simbólica de defender o espaço sagrado. Jesus foi descrito no livro do Apocalipse como “o Leão da Tribo de Judá” (Apocalipse 5,5) e na iconografia medieval é símbolo da justiça de Deus.

Assim que entramos na igreja vemos à esquerda a tumba do Cardeal Guglielmo Fieschi (1253), monumento com sarcófago do século III e baldaquino cosmatesco.

sao lourenco guia de roma portugues - Basílica de São Lourenço Fora dos Muros
Tumba do Cardeal Guglielmo Fieschi, São Lourenço Fora dos Muros

 

sao lourenco guia de roma ciborio2 - Basílica de São Lourenço Fora dos Muros

Cibório da Basílica de São Lourenço Fora dos Muros, Roma

sao lourenco guia de roma patricia - Basílica de São Lourenço Fora dos Muros
Eu, no meu habitat natural, fotografando SEM FLASH a torto e a direito (:
sao lourenco guia de roma ambao - Basílica de São Lourenço Fora dos Muros
Ambão e candelabro pasqual, também cosmatescos, realizado pelos Vassalletti

Incrível a plataforma que sustenta o altar maior, construída na segunda fase, por papa Onório III. Na parte superior, a cátedra episcopal e na parte inferior, a sepultura de São Lourenço.

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Cátedra episcopal, trabalho dos Vassalletti, em estilo cosmatesco

O maravilhoso mosaico que vemos no arco do triunfo de Cristo com santos é de mão-de-obra do VI século, da basílica bizantina

.

mosaic sao lourenco guia de roma - Basílica de São Lourenço Fora dos Muros
Mosaico do arco do triunfo, Basílica de São Lourenço Fora dos Muros, verdadeira preciosidade

A excursão poderia continuar pelo pátio, catacumba de Santa Ciriaca e explorando a parte inferior da chamada basílica pelagiana… mas a este ponto se quiserem uma visita completa, entre em contato com a gente!

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A Basílica de São Clemente

dezembro 31, 2014 by Patricia Carmo Baltazar 1 comentário

A Basílica de São Clemente

Perto do Coliseu, seguindo pela rua Labicana, encontramos um dois maiores tesouros que Roma possui: a Basílica de São Clemente.

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Nave central da Basílica de São Clemente

 

Dados da história e arquitetura de São Clemente

A igreja foi construída sobre uma domus (domus ecclesia, onde os cristãos se encontravam para orar até o ano de 313). Acredita-se que seja a própria casa do Papa São Clemente, o quarto papa da Igreja Católica, no período de 92 a 97, mártire durante o império de Domiciano.

A igreja esconde dois andares de subterrâneos fantásticos, o primeiro do IV século, a chamada Basílica Antiga ou Basílica Inferior e mais embaixo ainda, existe um Mitreu e parte dos armazéns do período de Nero.

Esta contrução é um dos melhores exemplos das diversas camadas sobre as quais a cidade de Roma foi construída e chegou até nós – em outras palavras, para entender o “tamanho da encrenca” que é Roma, a visita à essa basílica é fundamental.

A Basílica Superior é a que vemos hoje, quando entramos e foi construída no final do XI século, logo depois o incêndio de 1084 dos normanos. Atrás da “maquiagem” do final do barroco, ainda podemos ver a estrutura românica do século XII no pátio da entrada.

Interior e subterrâneos de Sâo Clemente

O seu interior possui 3 naves divididas por 16 colunas de antigos monumentos, alternadas entre lisas e com canaluras, ábside com mosaico. O pavimento é cosmatesco.

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Basílica de São Clemente, com suas colunas lisas e com caneluras

O maravilhoso mosaico  tem o tema do “Triunfo da Cruz“, e é considerado um dos mais refinados da escola romana da primeira metade do século XII.

À esquerda do crucifixo temos Maria, à direita, o apóstolo João.

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Mosaico da ábside de São Clemente

Neste mosaico vemos o crucifixo decorado com doze pombas brancas, que representam os apóstolos. O crucifixo está apoiado numa planta, um acanto, que irrigada pelo sange de Cristo faz com que cresçam ramos que se desenvolvem em espirais e abrangem cenas de vida quotidiana.

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Mosaico da ábside de São Clemente, detalhe vida quotidiana

Bem embaixo, à direita e à esquerda vemos duas figuras grande de dois cervos, que matam a sede no rio. Essa imagem pode ser uma representação do Salmo 42:1 “Assim como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus!”. Olhem como esses animais foram maravilhosamente representados na difícil técnica do mosaico, na sua tridimensionalidade e vivacidade:

sao clemente mosaico det2light - A Basílica de São Clemente
Mosaico da ábside de São Clemente, detalhe da representação do cervo.


Embaixo da complexa representação do crucifixo e do acanto, temos as doze ovelhas de Cristo, com no centro o Agnus Dei.
Abaixo do mosaico, temos um afresco do século XIV que representa a Virgem e os apóstolos.

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Ábside de São Clemente, detalhe do afresco embaixo do mosaico


Nave esquerda:

Uma outra maravilha desta basílica é a Capela de Santa Catarina, realizado em ~1428-1431 pelo grande Masolino da Panicale e com eventual ajuda do também grande Masaccio (que eu AMO!).

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Capela de Santa Catarina, Basílica de São Clemente

Nesta capela foi representado o ciclo da vida da Santa Catarina de Alexandria, um crucifixo, os apóstolos e na parede à direita eventos relativos à vida de Santo Ambrósio.

Na nave da direita:
Temos na Capela de São Domingos alguns afrescos de com cenas da vida do santo, atribuídos ao Sebastiano Conca (1680-1674).

Logo vemos uma pequena loja, onde pode-se comprar guias, cartões postais e outras coisas, além de ser o acesso aos andares inferiores.

A Basílica Inferior é acessível através de uma  escada que é acompanhada por diversos fragmentos na parede em mármore e cópias em gesso, peças que foram encontradas nas excavações da basílica e do mitreu.

Basilica inferiore Clemente - A Basílica de São Clemente
A impressionante entrada da basílica inferior de São Clemente

No nártex (parte anterior à entrada da basílica), temos um afresco doo IX° século com o “Cristo bendito e santos”, que está quase desaparecendo!

Neste “andar” , infelizmente somente alguns fragmentos de afrescos chegaram até nós. O mais importante deles, é o famoso ciclo de São Sisino.

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Vida de Santo Aleixo, Basílica Inferior de São Clemente, foto Wikipedia

A dificuldade em nos orientar aqui embaixo, é um resultado da construção da Basílica Superior, onde os espaços entre as colunas foram preenchidos com tijolos, de modo que pudesse sustentar o peso da nova basílica! Com um pouco de imaginação, conseguimos “intuir” o espaço amplo das três naves, da antiga ábside e do seu cibório, 29m de largura.

Confesso que fico orgulhosa da manutenção desta igreja /área arqueológica, pois é muito bem iluminado, o que faz com que a visita seja agradável, pois quem sofre de claustrofobia nunca pode se sentir bem em um espaço subterrâneo e sem janelas – isso é mais um incentivo para visitá-la!

Descemos no andar mais antigo, do tempo do Imperador Nero, onde vemos parte dos armazéns e do antigo Mitreu. Essa parte já é mais precária do ponto de vista da conservação, mas vale a pena visitá-la! Sugiro imaginar afrescos nas paredes e bancos esculpidos perfeitamente, pois durante o seu funcionamento, o Mitreu era seguramente um lugar de culto muito bem decorado!

Não podemos entrar no antigo Mitreu, mas vemos através da grade os bancos laterais, reservados ao banquete ritual da religião, e no centro um altar com a representação de Mitra.

Mitreu Sao Clemente light - A Basílica de São Clemente
O Mitreu de São Clemente, foto de Wikipedia

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Horário de abertura da Basílica de São Clemente
Dias úteis: 9.00-12.30 / 15.00-18.00  
Domingos e feriados das 12.00 às 18.00
Entrada: €10

Endereço: Via Labicana, 45
Site oficial da igreja: www.basilicasanclemente.com

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São João em Latrão

julho 2, 2014 by Patricia Carmo Baltazar Nenhum comentário

Construída pelo imperador Constantino sobre uma domus do III século em torno ao ano de 315, a catedral de São João em Latrão é dedicada aos Santos João Evangelista e João Batista.

Essa sim é a Catedral de Roma, a mãe de todas as igrejas!

cattedrale - São João em Latrão
A catedral de Roma: São João em Latrão

São João em Latrão

A imponente fachada de Galilei substituiu a simplicidade de uma estrutura de tijolos que tinha sido realizada por ordem do Papa Alexandre III, na segunda metade do século XII. O interior de cinco naves foi remodelado por Borromini, onde posteriormente Bernini colocou estátuas colossais dos apóstolos. Sobre cada nicho, temos à esquerda cenas do Antigo Testamento e à direita, cenas do Novo Testamento (desenhos de Alessandro Algardi).

P1000235 - São João em Latrão
Pavimento cosmatesco na nave central; nichos com os 12 apóstolos
e no chão o brasão da família Colonna

Já no início do V século a basílica foi depredada por visigodos e vândalos, dando início às grandes transformações que ela passaria.
A estrutura que vemos hoje foi continuamente restruturada e ampliada nos séculos por arquitetos como Domenico Fontana (transepto Nord e pórtico com loggia, Borromini (Inocêncio X), Galilei (Clemente XII, fachada) e Vespignani (ábside e coro, Leone XIII).

Nave lateral sao joao latrao catedral roma - São João em Latrão
Nave lateral

Com a queda do império romano, a basílica de São João em Latrão teve um destino parecido com o da cidade de Roma: caiu em ruínas e só pode ser recuperada no ano de 774, quando Carlos Magno veio ser batizado em Roma!

Depois do infeliz processo de Papa Formoso, em 896, a basílica sofreu graves danos com um terremoto, que destruiu boa parte do teto da nave central e da ábside.

P1000238 - São João em Latrão
São João em Latrão, mosaico da ábside, de Jacopo Torriti e Jacopo da Camerino

Uma nova inauguração foi realizada pelo papa Sergio III, no início do X século, que re-batizou basílica e a dedicou a São João Batista.

No século XII a basílica passou a ser dedicada a São João Evangelista por ordem de papa Lúcio II. É também desta época o monastério de monges beneditinos no palácio de Latrão.

Entre 1297 e 1300, Giotto realizou alguns afrescos, dos quais chegou até nós somente um pequeno fragmento que representa papa Bonifácio VIII, anunciando o primeiro ano jubilar.

P1000240 - São João em Latrão

O tabernáculo, que imita a arte de Arnolfo di Cambio, foi realizado em 1367 por ordem do Papa Urbano V é adornado com afrescos de Barna da Siena (1367-68) e contém relíquias de São Pedro e Paulo na sua parte superior, dentro de uma caixa de prata; a parte inferior contém o altar sobre o qual São Pedro celebrava as missas. A lápide sepulcral aos pés do altar é do papa Martinho V.

P1000236 - São João em Latrão
O órgão, sobre duas colunas de mármor giallo antico

A Catedral de Roma foi o centro do poder dos papas até o exílio de Avignon, em 1307. Foi a este edifício que São Francisco de Assis veio pedir a aprovação da sua Ordem ao Papa Honório III, que foi finalmente aprovada em 1216 – existe um monumento moderno em bronze que relembra a história do santo de Assis em um largo, na frente da catedral.

São João em Latrão passou a ter um lugar quase secundário na história a partir do retorno  dos papas de Avignon, na pessoa de Gregório IX, em consequência dos esforços de Santa Catarina.
As construções dos arredores de São Pedro vão adquirir a grande importância que têm hoje só a partir de 1377, graças à proteção militar que oferecia a proximidade ao Castel Sant’Angelo!

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Basílica de Santa Maria Maior

março 7, 2014 by Patricia Carmo Baltazar Nenhum comentário

No ano de 452 foi construída a maior basílica dedicada à Virgem: Santa Maria Maggiore ou Santa Maria Maior em português (Basílica de Nossa Senhora das Neves, ou Basílica Liberiana – Basílica de Santa Maria Maior) que é hoje uma das quatro Basílicas Patriarcais.

 Basílica de Santa Maria Maior: história e arquitetura

 
Santa Maria Maior City Tour portugues - Basílica de Santa Maria Maior

Em 432, logo após o Concílio de Êfeso (que reconheceu a divina natureza de Cristo), o Papa Sisto III, comportando-se como um monarca, mandou construir essa basílica, consagrada no ano de 440.

Diz a lenda que a própria Virgem apareceu num sonho ao Papa Libério (segundo a tradição, o primeiro fundador desta igreja) e a um patrício chamado João, mandando construir uma basílica dedicada à ela. Tal basílica deveria ser construída “no lugar onde amanhecesse uma colina com neve”. Ora, era dia 4 de Agosto, um calorão, seria impossível que caísse neve em Roma naquele período. No dia seguinte, foi vista a neve sobre a colina onde vimos hoje a maravilhosa e imponente basílica de Santa Maria Maggiore.

A planta é original do V século (com 80m de comprimento por 35m de largura), mas a fachada, a decoração interna e as capelas foram constantemente ampliadas e restruturadas nos anos.

Decoração interior

Dividida em 3 naves e com uma dupla série de colunas iônicas. Entre 1288 e 1292, Nicolau IV empurrou a abside de alguns metros para trás, para dar espaço ao coro. As naves laterais foram remodeladas durante o renascimento pelo arcebispo da basílica, Cardeal Guillaume d’Estouteville na metade do século XV.

P1000221light - Basílica de Santa Maria Maior
Interior da Basílica de Santa Maria Maggiore, decoração enriquecida ao longo dos anos
P1000222LIGHT - Basílica de Santa Maria Maior
Detalhe de nós do pavimento cosmatesco

Mosaicos do interior da basílica

Estes mosaicos são considerados o primeiro ciclo de representações narrativas realizado no interior de uma igreja romana: sombras, degradês e representação fiel dos espaços e volumes, além da clara diferença entre o trabalho de figura e fundo nos mostram como a antiga pintura romana influenciou este trabalho.

Mosaicos do arco do triunfo – V século

O mosaico do arco do triunfo é também original do V século, já com uma grande influência bizantina. Representam cenas da infância de Cristo Redentor.

P1000224light - Basílica de Santa Maria Maior
Arco do triunfo na Basílica de Santa Maria Maior, foto minha

 

Mosaicos da abside – Jacopo Torriti

No mosaico da abside podemos apreciar uma obra-prima do grande maestro. Em ocasião do deslocamento da abside, no século XIII, ordenado pelo Papa Nicolau IV.

Baldaquino

Imponente baldaquino com colunas de pórfido vermelho, decoradas por motivos floreais em bronze de Fernando Fuga. É tão grande que esconde uma parte do mosaico da abside!

P1000214light - Basílica de Santa Maria Maior
Baldaquino, visto da parte inferior do altar, Santa Maria Maggiore
deco anjo abside - Basílica de Santa Maria Maior
Anjo, decoração na frente do baldaquino, Santa Maria Maggiore
P1000213light - Basílica de Santa Maria Maior
Imagem em mármore de Pio IX, aos pés do baldaquino
PioIX - Basílica de Santa Maria Maior
 Pio IX em seu mantô ricamente decorado por rendas, em mármore. Aos pés do baldaquino.
Embaixo do baldaquino, podemos ver a relíquia da igreja: um pedaço do comedouro onde Jesus foi depositado quando nasceu. Está numa caixa de vidro, com a estrutura em prata:
P1000209light - Basílica de Santa Maria Maior
Relíquia da Basílica de Santa Maria Maggiore

 

Piso

O pavimento cosmatesco é o original do século XII, das mãos de Ferdinando Fuga. Foi restaurado no século XVIII.

pavimento maggiore - Basílica de Santa Maria Maior
Detalhe do pavimento cosmatesco

 

Capela de Sisto V Peretti (1585-1591) – também chamada de Capela Sistina

Capela leva o nome do Papa que realizou inúmeros trabalhos de restauro em Roma durante o seu breve pontificado, transformando Roma em um grande canteiro de obras.

Batistério

O batistério é majestoso, um trabalho de Flaminio Ponzio durante o período barroco.

teto fondo fontebattesimale - Basílica de Santa Maria Maior

Basílica de Santa Maria Maior

Nave esquerda

Na nave esquerda, são duas as capelas que merecem ser vistas atentamente:
– Capela Sforza, planta de Giacomo della Porta, talvez originalmente um desenho de Michelangelo

– Capela Paolina.

Relíquias

Nesta basílica encontramos importantes relíquias: os espólios de São Mateus e São Jerônimo.

Santa Maria Maggiore pianta PT - Basílica de Santa Maria Maior
Planta baixa aproximativa da Basílica de Santa Maria Maggiore

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Endereço Basílica de Santa Maria Maggiore: Piazza di S. Maria Maggiore, 42

Horário de abertura: 07h – 19h

Como chegar na Basílica: A basílica fica a poucos minutos da estação Termini (metrô A e B). Os ônibus 16, 70, 71, 360, 649 e 714 passam aqui perto.

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Basílica São Paulo Fora dos Muros

fevereiro 19, 2014 by Patricia Carmo Baltazar Nenhum comentário

A Basílica São Paulo Fora dos Muros (em italiano San Paolo fuori le Mura, em latim Sancti Pauli extra muros) deve seu nome ao fato de estar fora dos muros aurelianos (o muro que protegia a antiga cidade, construído em ~275 d.C.) e ao fato de conter o corpo do Apóstolo Paulo, que chegou em Roma no ano de 61 d.C., e sofreu seu martírio em 67 d.C., na “palude Salvia”, a menos de 2 quilômetros da basílica.

“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse Amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.”

Apóstolo Paulo, Capítolo XIII, Epístola aos Corintos
4 - Basílica São Paulo Fora dos Muros
A fachada, depois da reconstrução do incêndio de 1823, foto de Cristiano
P1000604 - Basílica São Paulo Fora dos Muros
São Paulo com a espada no pátio da frente de São Paulo Fora dos Muros

 

P1000602 - Basílica São Paulo Fora dos Muros
As janelas de alabastro filtram a luz, criando uma atmosfera mística, São Paulo Fora dos Muros


O lugar onde hoje vemos a basílica era uma antiga necrópole romana e ali foi depositado o seu corpo, o mesmo que aconteceu com o corpo do Apóstolo Pedro.

Dado que a partir da morte de Paulo a sua tumba tinha se transformado em um lugar de culto, o Imperador Constantino mandou aumentar a Basílica, de modo que pudesse receber dignamente os tantos peregrinos que aqui vinham em peregrinação.

É importante ver esta igreja, pois ela nos permite ter uma visão do que deve ter sido a antiga basílica de São Pedro (também chamada de Basílica Constantiniana), antes que seus alicerces cedessem e o Papa Júlio II iniciasse a construção da nova basílica, em 1506.

3 - Basílica São Paulo Fora dos Muros
A nave central, foto de Cristiano
A superfície da basílica de cinco naves conta com as dimensões de 131,66 m de comprimento, 65 m de largura e 30m de altura e perde somente para a Basílica de São Pedro! A sua estrutura é sustentada por uma verdadeira “floresta” de colunas de granito, 80 no total.
Do IVº ao VIIIº século
 
Durante os séculos, os Papas nunca pararam de decorá-la e embelezá-la. Leão, o Grande (440-661) mandou realizar mosaicos no Arco do Trinfo, restruturar o teto; foi ele que mandou iniciar a série de retratos dos papas, tradição mantida até hoje, outra razão pela qual esta igreja é famosa. São 265 os retratos dos Papas que adornam o alto das naves e dos transeptos.
No século VI, o Papa Simmaco mandou construir um habitáculo para receber os peregrinos mais pobres. Desde o Papa Gregório II (715-731) temos a presença fixa de monges beneditinos nesta basílica; Leão III (795-816) mandou consertar os danos causados após o terremoto de 801.
1 - Basílica São Paulo Fora dos Muros
São Paulo com sua espada, foto de Cristiano
 
Do IXº ao XIº século
O Papa João VII (872-882) mandou erguer a cinta murária para proteger a basílica e a sua abadia e Gregório VII (pontificado de 1073-1085), que tinha sido abate aqui antes de se tornar Papa, mandou elevar o piso do transepto e construir um campanário (destruído no século XIX), além da maravilhosa porta de entrada, composta por 54 painéis de prata.
5 - Basílica São Paulo Fora dos Muros
Altar, foto de Cristiano
 
No século XIII a basílica se enriqueceu muito de obras de arte. Papa Honório III (1216-1227) mandou reconstruir o mosaico da abside (de 12 metros de altura por 24 de largura) e em 1285 Arnolfo di Cambio construiu o maravilhoso cibório:
 
baldacchino doppio - Basílica São Paulo Fora dos Muros
Cibório de Arnolfo di Cambio, fotos minhas
 
O famoso pátio:
 
patio SPII - Basílica São Paulo Fora dos Muros
Pátio, Basílica São Paulo Fuori Le Mura, foto minha
patio SP - Basílica São Paulo Fora dos Muros
Pátio, Basílica São Paulo Fora dos Muros, foto minha
patio SP detalhe - Basílica São Paulo Fora dos Muros
Detalhe de coluna do Pátio da Basílica São Paulo Fora dos Muros (Fuori Le Mura), foto minha
Neste século também foi realizado o candelabro pascoal de 6m, em mármore, inspirado pelos  antigos sarcófagos romanos, com incisões de histórias do Novo Testamento.
 
2 - Basílica São Paulo Fora dos Muros
Papa Francesco, foto de Cristiano
 
A partir do século XIV, com a volta da comemoração dos jubileus, a sua fama aumentou e muitos peregrinos têm vindo visitar a igreja desde então.
Gregório XIII  mandou construir o balaústre ao redor da tumba do santo e em 1600, Clemente VIII mandou elevar o altar maior. Em 1625 Urbano VIII financiou com o grande arquiteto Carlo Maderno a restruturação da Capela de São Lourenço.
No ano santo de 1725, Bento XIII pediu ao arquiteto Antonio Canevari para construir um novo  pórtico; além disso ele construiu a Capela do Crucifixo para expor o crucifixo em madeira policromática do florentino Tino da Caimano, do século XIV. Ainda hoje podemos ver nesta capela um mosaico do século XIII, bem como uma estátua-relíquia de São Paulo em madeira policromática que “sobreviveram” o incêndio de 1823.
P1000598 - Basílica São Paulo Fora dos Muros
Pátio, Basílica São Paulo Fora dos Muros, foto minha
O incêndio de 1823
Na noite entre 15 e 16 de Julho de 1823 um incêndio devastou a basílica, deixando em pé apenas o cibório e alguns mosaicos; o transepto ficou em pé por milagre. O Papa Leão XII se encarregou do enorme trabalho de restauro, com grande ajuda internacional: o czar Nicolau I doou blocos de lápis lázuli e malaquita, que foram utilizadas para decorar o transepto e o rei Fouad I do Egito  doou colunas e alabastro, com o qual fizeram as janelas, que filtram a luz e doam à esta basílica uma incrível atmosfera mística.
Em 1854, o Papa Pio IX consagrou a “nova” basílica em presença de vários cardeais e bispos que tinham vindo à Roma para a proclamação do Dogma da Imaculada Conceição.

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Visite São Lourenço Fora dos Muros: https://www.romaemportugues.com.br/basilica-de-sao-lourenco-fora-dos-muros/
sao lourenco guia de roma1 - Basílica São Paulo Fora dos Muros
Basílica São Paulo Fora dos Muros
Horário de abertura da Basílica de São Paulo Fora dos Muros:

– Abertura todos os dias das 07:00h às 18.30h, ingresso grátis.
– O pátio interno abre todos os dias das 08.00h às 18:15h, e o ingresso é de € 4,00 (meia-entrada: € 2,00).

Como chegar na Basílica de São Paulo Fora dos Muros:

– De Termini: Parada San Paolo Fuori Le Mura, metrô B (linha azul);  do rio Tibre: ônibus nº23.

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Basílica de Santa Maria Sopra Minerva

fevereiro 12, 2014 by Patricia Carmo Baltazar 2 Comentários

Das mais de 400 igrejas de Roma, somente uma foi realizada em estilo gótico: a Basílica de Santa Maria Sopra Minerva.

«Como é possível que o universo seja finito?»

Giordano Bruno, De l’infinito, universo e mondi (1584) 

Post dedicado à gentil companhia de Carlos e Andrea Ilha
P1000125 - Basílica de Santa Maria Sopra Minerva
Basílica de Santa Maria Sopra Minerva, fachada
sopraminerva6 - Basílica de Santa Maria Sopra Minerva
O elefantinho de Bernini/ Ercole Ferrata

Esta maravilhosa igreja com origem no VIII século tem o títolo e honra de uma basilica minor, isto é, reconhecimento por atividades na comunidade, beleza artística da arquitetura, história e trabalho pastoral diferenciado.
No mundo inteiro existem 1.600 com este títolo, 540  estão na Itália.

Em 1576 Giordano Bruno chegava de Nola para se hospedar neste monastério dominicano.
Esta igreja foi o palco de eventos importantes durante a Contrarreforma: dia 09 de Fevereiro de 1600, o Tribunal da Santa Sé condenava aqui Giordano Bruno à fogueira.

sopraminerva - Basílica de Santa Maria Sopra Minerva
Altar da Basílica de Santa Maria Sopra Minerva

No ano 2000, comemoração dos 400 anos do assassínio de Giordano Bruno pela condenação da Inquisição, Papa João Paulo II fez o mea culpa em nome da Igreja, classificando a “morte atroz” de GB  como  “Um triste episódio da história cristã que causa profunda decepção” (arquivo histórico do Jornal CS).

A basílica foi construída em cima de um antigo oratório do século VIII dedicado à Virgem, que o Papa Zacarias tinha concedido à freiras basilianas que tinham fugido do Oriente no ano de 750.

No final do século adicionou-se o ‘Minervum’, já que embaixo da igreja existia um templo dedicado à Minerva, aliás, eram três templos que se encontravam nos subterrâneos da igreja.

sopraminerva navecentral - Basílica de Santa Maria Sopra Minerva
Nave central

Em 1280, sob o pontificado de Nicolau III, o oratório foi completamente reconstruído e iniciou-se a contrução da grande igreja em estilo gótico com três naves. Supõe-se que Fra Sisto Fiorentino e Fra Ristoro tenham realizado o projeto, com apoio do Papa Bonifácio VIII e dos próprios fiéis.

Stuart Richmond*, da Simon Frase University no Canadá, nos convida a fazer uma experiência sensorial no interior deste tipo de arquitetura, com um olhar que passe atravesso a “ressonância” de Wittgenstein e que permita de nos abandonarmos aos altos arcos agudos e blocos de pedras dos quais somos circundados para viver uma plena compreensão estética e sensorial do espaço arquitetônico, captando as razões que levaram o espírito dos arquitetos daquele tempo a realizar tais construções.

sopraminerva colonna - Basílica de Santa Maria Sopra Minerva
Capela Colonna
Mesmo com o transferimento do Papa à Avignon (1309-1377), os trabalhos de construção da igreja continuaram e na metade do século XIV. Logo após a realização da abside, do cruzeiro e das naves laterais ela foi reaberta aos fiéis para o culto.

Em 1453 o conde Francesco Orsini mandou finalizar a fachada e a nave da direita. No século XVI Giuliano da Sangallo reformou o coro e no século XVII, Maderno aumentou a ábside, modificou o arco triunfal, revestiu o interior com decorações barrocas e também mudou a fachada.

cristo santa maria minerva - Basílica de Santa Maria Sopra Minerva
Entre as tantas preciosidades desta igreja
tem um Cristo atribuido ao grande Michelangelo à esquerda do altar.

Depois de alguns trabalhos de reconstrução no seu interior em 1600, a igreja ganhou uma aparência barroca. No século XVIII a decoração da fachada, que tinha ficado de tijolinhos, foi revestida pelos arquitetos Raguzzini e Marchionni, que acentuaram o caráter barroco da construção.

Apesar história da construção desta igreja trazer muitas cicatrizes, a basílica é um dos inúmeros tesouros de Roma que devem ser visitados.

A Praça de Santa Maria Sopra Minerva 
Em 1667 o Papa Alexandre VII Chigi decide colocar um obelisco achado dois anos antes na praça para embelezá-la. O obelisco, original egípcio, dedicado ao Faraó Ofra no século VI a.C., é desenhado por Bernini e realizado por Ercole Ferrata.
A fachada 
A fachada foi construída em 1400 e ficou simplesmente em tijolos até 1725, até que o Papa Bento XIII decidiu fazer o acabamento. Entre os tantos projetos da licitação, ele escolheu o mais simples, um revestimento com pintura.

* “Resonance and the Photographing of Medieval Architecture”, Revista Paideusis, 2007. O artigo pode ser lido em inglês aqui: http://journals.sfu.ca/paideusis/index.php/paideusis/article/view/135/87.

Segue uma sugestão percurso breve no interior da igreja:

planta baixa santa maria minerva - Basílica de Santa Maria Sopra Minerva
Basílica de Santa Maria Sopra Minerva

1) Monumento funerário de Diotisalvi Neroni, da escola de Andrea Bregno.
2) Capela Caffarelli, São Domingos, do Cavalier D’Arpino; teto: Cenas da vida de São Domingos, de Gaspare Celio.
3) Teto e sub-arco com afrescos de Girolamo Muziano (o mesmo que supervisionou os maravilhosos afrescos do teto da galeria dos mapas, nos Museus Vaticanos).
Para compreender Roma são necesessários anos de estudo de arte, arquitetura e arqueologia e outros tantos anos para aprofundar este conhecimento e escrever artigos como este. Escolha uma guia profissional pois ela fará uma grande diferença na sua estadia.
4) “Anunciação” de Antoniazzo Romano, 1485. Teto de Cesare Nebbia, que também trabalhou com Girolamo Muziano nos Museus Vaticanos.
5) Capela Penafort. (à direita) Sepultura de Giovanni de Coca, de Andrea Bregno. Afresco de Cristo entre dois anjos, atribuído da Melozzo da Forlì e Antoniazzo Romano.

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Olá, eu sou a Patricia e me apaixonei por Roma em 1994, quando ainda era uma estudante de Artes Plásticas em Hamburgo. Desde então fiz várias viagens para estudar a Cidade Eterna e em 1998 me mudei para cá. No Turismo estou desde 2007, quando comecei a trabalhar com alemães. Sou guia credenciada em Florença e Roma e este blog é um elogio muito pessoal sobre a minha paixão pela cultura Clássica. Na minha equipe trabalham as melhores guias que falam português nas principais capitais italianas, escolhidas a dedo por mim ao longo dos anos.

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