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Vidrados no cavalinho – Enzo Ferrari, uma paixão toda italiana.

fevereiro 9, 2014 by Patricia Carmo Baltazar Nenhum comentário

« Queria ter sido um grande piloto e não fui. »
Enzo Ferrari, entrevistado por Enzo Biagi

post dedicado à caríssima família fiorentino-senese de Nicola e Maria Vittoria Vincenti, habituados a vencer e repartir
TARIFAS DOS MUSEUS REVISADAS EM 24.08.2017
janex cavalino - Vidrados no cavalinho - Enzo Ferrari, uma paixão toda italiana.
O cavalinho empinado de Enzo Ferrari, Museu Ferrari, foto de Janex&Alba
Atendendo a pedidos… um post sobre a mítica Ferrari!
 
Um pouco de biografia de Enzo Ferrari
Enzo Ferrari, apelidado carinhosamente como o “Drake” (o “Monstro”, em sentido positivo, obviamente) foi um personagem incrível do século XX italiano, conhecido por ser corajoso e audaz, mas sobretudo infinitamente inteligente: ele foi o fundador do mito de Maranello e enfrentou muitas dificuldades durante a sua vida, sem nunca titubear em encontrar a melhor solução para um problema.
F2007 museu - Vidrados no cavalinho - Enzo Ferrari, uma paixão toda italiana.
F 2007, Museu Ferrari, foto de Janex&Alba
A sua longa vida será descrita por ele mesmo como sendo cheia de “alegrias terríveis”. Vamos olhar de perto essa saga e aprender muitas coisas sobre a potência do ser humano: Ferrari nasceu em Modena, dia 18 de Fevereiro de 1898 e morreu dia 14 de Agosto de 1988, com noventa anos. Em 1923 ele se casou com Laura Garello, casamento infelizmente difícil, piorado com o nascimento do filho Dino, em 1932.
Dino sofria de uma doença genética que se chama distrofia muscular e esta dor marcou profundamente a vida pessoal e profissional de Enzo Ferrari: “Eu me iludi que a nossa medicina poderia curar meu filho – por que um pai se ilude sempre. Estava convencido que ele fosse como um dos meus carros, um dos motores. Tinha feito uma tabela de todos os alimentos que Dino tinha que comer e que não teriam agredido os seus rins, mantinha com precisão um diagrama das albuminas, do peso específico da urina, da taxa azotêmica do seu sangue, da sua diurese, etc, para controlar a doença.
A realidade era muito triste e dura: meu filho se enfraquecia constantemente em consequência da distrofia muscular progressiva, se apagava aos poucos por causa desta terrível doença cuja cura ninguém conhece. Até que um dia, na agenda onde controlava os valores da sua saúde, escrevi: perdi o jogo.”
janex museu - Vidrados no cavalinho - Enzo Ferrari, uma paixão toda italiana.
Museu Ferrari, foto de Janex&Alba
Este longo e lento percurso que levou seu filho à morte foi duríssimo, pois até então, seu filho tinha uma vida quase normal, aliás, era um verdadeiro prodígio, digno do seu pai genial. Foi Dino quem convenceu Enzo Ferrari a investir nos pequenos motores de 6 cilindros em “V”. Este tipo de motor desenvolvido pelo filho de Enzo se demonstrou imbatível e determinou o futuro dos motores nas pistas do mundo inteiro.
A Federação Internacional de Automobilismo determinou que a partir de 1967 a cilindrada dos motores para a F2 teria que ser de somente 1500cc, 6 cilindros, derivado de um carro GT. Neste momento a Ferrari decidiu lançar um protótipo para competição para a realização de um carro de série com motor F2. E assim nasceu a estraordinária Dino 166S, o primeiro carro a adornar o esta marca, que até então tinha desenvolvido apenas motores.
 John+Nuttall - Vidrados no cavalinho - Enzo Ferrari, uma paixão toda italiana.
A Ferrari Dino 246, foto de John Nuttall
A 166 voa e Lodovico Scarfiotti ganha o Campeonato Europeu de Montanha. Para conseguir a produção de 500 unidades e obter a homologação na categoria GT, a Ferrari consegue um contrato com a FIAT:  a Ferrari forneceria o projeto do motor e o colosso de Turim construiria o quanto antes os 500 exemplares necessários. A Dino foi lançada como marca autônoma da galáxia Ferrari no Salão do Automóvel de Turim de 1966  com o lançamento da hoje famosíssima 206 GT.
Dino representava já muito jovem a Ferrari do futuro, intuição genial e ideias fresquíssimas que seu pai tinha dificuldade em acreditar virem de um garoto tão jovem. O orgulho de um pai não poderia sonhar mais do que isso! Perder este filho tão precioso foi um fato devastador na vida de Enzo Ferrari.
janex F50 - Vidrados no cavalinho - Enzo Ferrari, uma paixão toda italiana.
F 50, Museu Ferrari, foto de Janex&Alba
Mais história do Motor – Time – Casa Automobilística Ferrari
A marca com o cavalinho foi um resultado da amizade de Enzo com o conde Enrico Baracca, pai do herói da aviação da Iª Guerra Mundial Francesco Baracca, que abateu 34 aviões inimigos. A condessa Barraca, mãe de Francesco disse: “Ferrari, coloque o cavalinho empinado do meu filho nos teus carros. Vai te trazer sorte.” A sugestão foi imediatamente aceitada por Enzo, que transformou o cavalinho em um símbolo da astúcia italiana, mundialmente conhecido, primeiro, como símbolo do time de carros de corrida e posteriormente como brasão da nova fábrica automobilística Ferrari.
Ferrari250+GT JANEX - Vidrados no cavalinho - Enzo Ferrari, uma paixão toda italiana.
Ferrari 250 GT, Museu Ferrari, foto de Janex&Alba
A sua primeira competição como construtor e piloto foi em 1919 em Parma Bercetto, onde se classificou em 4º lugar na categoria 3000 e 11º no total. Enzo venceu 9 competições em 39 disputas, um resultado muito bom, sobretudo o fato de tê-las sobrevivido em uma época como aquela. Enzo abandonou a atividade de piloto quando nasceu seu primeiro filho, Dino.
A trajetória de Enzo piloto, Enzo Team Manager ao Enzo construtor foi muito rápida. Em 16 de Novembro de 1929, Enzo funda em Modena a sociedade desportiva “Scuderia Ferrari”, que tinha como objetivo levar às corridas os próprios sócios, que corriam com carros Alfa Romeo. Naquele tempo o dinheiro não era o único requisito para partecipar das corridas: a organização era complicadíssima, pois era difícil ter e encher os melhores pneus, encontrar o melhor carburante, e todos os outros detalhes que envolvem os carros de corrida. Assim sendo, fazer parte do “time Ferrari” significava ter à disposição um time super-organizado e eficiente, que dava ao piloto grandes possibilidades de vencer.
Lancia janex - Vidrados no cavalinho - Enzo Ferrari, uma paixão toda italiana.
Lancia Ferrari, Museu Ferrari, foto de Janex&Alba
Em 1938 Enzo se desentendeu com a direção Alfa Romeo, que queria entrar nas competições com seu próprio nome, e não ser mais representada pelo time “Ferrari”. Enzo foi despedido em ’39 e segundo os termos do contrato assinado, ele ficava proibido de participar do mundo automobilístico por quatro anos. Sendo assim, Enzo arregaçou as mangas e fundou a Auto Avio Costruzioni e as suas primeiras comissões foram para realizar componentes para aviões. Somente em 1947 os automóveis voltariam a ser a sua atividade principal.
O primeiro carro construído foi o a 815 (oito cilindros, 1,5l de deslocamento), projetado por Alberto Massimino. O segundo foi a Ferrari 125 S e de cada modelo tinha somente dois exemplares. Franco Cortese foi o primeiro piloto de teste e de competição da Ferrari.
Em 1957 a Auto Avio Costruzioni mudou o nome para Auto Costruzioni Ferrari para virar em 1960 a empresa SEFAC (por extenso, Società Esercizio Fabbriche Automobile e Corse S.p.A.) e Ferrari S.p.A., em 1965.
Em 1969 a Ferrari S.p.A. virou parte do grupo FIAT. Com a morte de Enzo Ferrari em 1988, a FIAT ficou com 90% das ações e Piero Lardi Ferrari, seu segundo filho, com 10%, além de obter a presidência da empresa.
Em 2006, 5% das ações foram compradas por uma empresa financeira dos Emirados Árabes, que construiu o Ferrari World em Abu Dhabi. Em 2010 a Ferrari recuperou estes 5%.
Em 2012 o cavalinho empinado inaugurou seu primeiro museu fora das fronteiras italianas, em Shangai.
janex - Vidrados no cavalinho - Enzo Ferrari, uma paixão toda italiana.
F 2007, Museu Ferrari, foto de Janex&Alba
A Ferrari é hoje o único time no mundo que partecipou a todas as edições do Campeonato de F1 e sobretudo é o time com o maior número de sucessos: 15 títulos de Campeão do mundo de pilotos (em 1952, 1953, 1956, 1958, 1961, 1964, 1975, 1977, 1979, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, e em 2007), o récorde de 16 títolos na categoria de Construtores (1961, 1964, 1975, 1976, 1977, 1979, 1982, 1983, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2007, e em 2008), e o récorde de 221 vitórias em um Grande Prêmio (até Junho de 2013).
janex museu2 - Vidrados no cavalinho - Enzo Ferrari, uma paixão toda italiana.
F 2007, Museu Ferrari, foto de Janex&Alba
– Ferrrari Store Roma

Via Tomacelli, 147

Horário: de segunda à sábado, das 10h às 20h.
Reconhecimentos obtidos por Enzo Ferrari ao longo da sua carreira e póstumos:
1924: título de Cavaleiro
1927: titulo di Comendador
1960: Laurea honoris causa em Engenharia Mecânica (Universidade de Bolonha)
1962: Prêmio Hammarskjöld (prêmio concedido pela ONU nas Ciências Sociais)
1965: Prêmio Columbus (Instituto Internacional das Comunicações)
1987: Prêmio Alcide De Gasperi
1988: Laurea honoris causa in Física (Universidade de Modena e Reggio Emilia)
1994: International Motorsports Hall of Fame
2000: Automotive Hall of Fame
Museu Ferrari di Maranello, site oficial: http://museo.ferrari.com/
Horários do Museu Ferrari e tickets:
A partir de 11 de Março o museu estará aberto todos os dias, com exceção de Natal e Reveillón, nos seguintes horários:
– de 1º de Outubro a 30 de Abril: das 9.30 às 18.00
– de 1º de Maio a 30 de Setembro: das 9.30 às 19.00
Tickets 2012:
INTEIRO € 16,00
MEIO A) € 14,00 (estudantes e e maiores de 65 anos)
MEIO B) € 5,00 (6 – 19 anos acompanhadospor familiares)
GRATUITO pessoas com necessidades especiais; crianças até 5 anos
TICKET ÚNICO PARA MUSEU MARANELLO E CASA ENZO DE MODENA:
INTEIRO € 26,00
MEIO A) € 22,00 (menores de 26 e maiores de 65 anos; instituições com convenções)
MEIO B) € 10,00 (crianças 6 – 10 anos; acompanhantes de pessoas com necessidades especiais; militares; tickets família)
GRATUITO pessoas com necessidades especiais; crianças até 5 anos
É possível fazer um test-driver Ferrari? Com um brasileiro super-simpático, o Kleber!

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Para reservar, escreva um email para scuderiamoromilano@live.com. Com o voucher para descontos de leitores do blog, com certeza vai ter um atendimento ainda mais especial pela super-escuderia ítalo-brasileira!

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Burgo Medieval e Castelo de Sermoneta

fevereiro 4, 2014 by Patricia Carmo Baltazar Nenhum comentário

Construído no início dos anos 1200 pela família Annibaldi, o Castelo de Sermoneta tinha a função de forte e residência, na posição estratégica entre Nápoli e Roma.

“Se ainda sonho em transformar o mundo em um lindo jardim, agora sei que não é por amor aos Homens e sim por amor aos jardins.”
Romain Gary, A promessa da aurora, 1960
Erik+il+Rosso - Burgo Medieval e Castelo de Sermoneta
Vista do Castelo de Sermoneta, foto de Emanuele
O Castelo Caetani ergue-se majestosamente sobre a vila de Sermoneta dominando toda a planície da região pontina, que fica ao sul de Roma.
Paolo+Macorig - Burgo Medieval e Castelo de Sermoneta
Torre do Castelo de Sermoneta, foto de Paolo Macorig

 

Flavio+Spugna - Burgo Medieval e Castelo de Sermoneta
Burgo medieval de Sermoneta, foto de Flavio Spugna

 

Erik+il+Rosso3 - Burgo Medieval e Castelo de Sermoneta
Pelas vielas medievais de Sermoneta, foto de Emanuele

O castelo foi enriquecido no tempo com obras de engenharia defensivas que tentavam torná-lo invencível: a estrutura murária feita por cinco anéis, tinha um espessor de 30m e era encaixada nas próprias rochas. De questa estrutura resta hoje a torre mais alta da muralha e uma “contra-torre”. Além disso, o forte possuía um sistema de pontes levadiças, que o isolavam completamente em caso de ataque.

iconauta2 - Burgo Medieval e Castelo de Sermoneta
Vista do alto do Burgo de Sermoneta, 257 metros sobre a superfície do mar –  foto de iconauta
Davide+Schiano - Burgo Medieval e Castelo de Sermoneta
Janela medieval do Castelo de Sermoneta, foto de Davide Schiano

Em 1297 a família Annibaldi cedeu os territórios de Sermoneta, Bassiano e San Donato (localizados em um raio de 42km) ao sobrinho do Papa Bonifácio VIII, Pietro Caetani, por 140 mil florins de ouro (essa moeda de Firenze representava o poder  fiorentino e era a referência monetária européia entre os séculos XIII – XIV. Cada moeda pesava 3,5g de ouro “puro”, 24 quilates).

burgo medieval sermoneta guia roma portugues - Burgo Medieval e Castelo de Sermoneta
Almoço depois no passeio aos jardins e ao burgo!

O ápice do explendor desta região foi atingido sob Honório Caetani (1336 – 1400), na metade do sécuo XIV.

Erik+il+Rosso2 - Burgo Medieval e Castelo de Sermoneta
Lance de escadas medievais, foto de Emanuele

Em 1599, quando o temido Papa Alessandro VI (Borgia) foi eleito, ele excomungou os Caetani e em 1500 ele confiscou todos os bens da família, doando-os aos filhos César e Lucrécia Borgia. Alessandro VI encarregou o importante arquiteto Antonio da Sangallo para completar algumas obras de defesa do burgo, que incluía a realização da chamada “Casa do Cardeal”.

Frederico II foi hóspede do burgo, Carlos V, Lucrécia Borgia (que passou muito tempo logo após a expulsão dos Caetani), Papa Gregório XIII e o famoso Papa Sisto V (famoso em Roma pelas obras urbanísticas realizadas pelo seu arquiteto Domenico Fontana, Via Merulana, além de ordenar a colocação de São Pedro e Paulo em cima das Colunas de Traiano e Marco Aurélio).

Jeff SHaumeyer - Burgo Medieval e Castelo de Sermoneta
Burgo de Sermoneta, foto de Jeff Schaumeyer

O forte foi atacados muitas vezes ao longo dos séculos e em 1798 soldados de Napoleão roubaram 36 canhões e o transformaram em prisão.

Finalmente no final do século XIX, o castelo retornou às mãos dos Caetani, que realizaram importantes intervenções de restauro na antiga “casa” de família.
Durante a II Guerra Mundial, Roffredo e Marguerite Caetani habitavam no castelo, junto com empregados que tinham fugido da então perigosa planície.

Em 1977 faleceu Lelia Caetani (Paz à sua nobre alma) última representante do clã dos Caetani depois de 700 anos de posse intermitente, sem herdeiros, instituiu a Fundação Roffredo Caetani para cuidar do Jardim de Ninfa e do Castelo de Sermoneta.

Horário de Abertura do Castelo Caetani de Sermoneta:

– De Outubro a Março: sábados, domingos e feriados – 10:00-11:00 – 12:00;  de tarde: 14:00 – 15:00-16:00 ( meio da semana somente reservando no telefone 0773 / 30008 )

– De Abril à Setembro, todos os dias exceto quintas-feiras : 10:00 – 11:00-12:00;  de tarde: 15:00-16:00 – 17:00-18:00
Para informações e reservas (obrigatórias para grupos) ligar para o 077 / 330 008.

Custo do bilhete: € 7,00 ; grátis para crianças menores de 11 anos, que devem ser acompanhadas por um adulto.

Onde comer em Sermoneta:
Esteja preparado para gastar entre €25 e € 35 pelo almoço.

– “Il Giardino del Simposio”, Via della Conduttura 2, reservas no tel. 339 2846905 (come-se ao ar livre!) – em terra mediterrânea, a variedade de limão é equivalente à de banana nos trópicos: experimente a pasta com molho de limão típico da região, o “trombolotto” e “bottarga”, uma espécie de caviar de atum (forte aroma de peixe).

– “Bonifacio VIII”, Corso Garibaldi, 39, tel. 3384399968 – ambiente com decoração típica, acolhente – aqui experiemente a grande oferta de entradas e o prato da casa “Super Bonifacio”, pasta com molho de tomate, amêndoas e linguiça da região.

Para os vegetarianos como eu, a oferta é menor… ficamos com a verduras grelhadas e com a tradicional “Caprese” (se você come queijo).

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O Jardim de Ninfa

fevereiro 1, 2014 by Patricia Carmo Baltazar 1 comentário

O Monumento Natural da República Italiana ” Jardim de Ninfa ” é um jardim em estilo inglês em um burgo que não sobreviveu ao tempo e cujas ruínas são visitáveis.

“Nós somos feitos da mesma matéria com a qual são feitos os sonhos; e no espaço e tempo de um sonho é contida a nossa breve vida. “
William Shakespeare, A Tempestade, 1611

 
Post dedicado à Christina Heger, maestra marceneira do polegar verde

 

Signo C - O Jardim de Ninfa
Jardim de Ninfa, foto de SignorC
 
Jardim Ninfa Pat4 - O Jardim de Ninfa
Eu, esparando fotos a 360°
 

Roma é cheia de mistérios, com uma personalidade forte e nós, que moramos aqui, a tratamos como se fosse uma entidade que nos causa alegria e tristeza, que é expressão de beleza e potência e parece não tomar conhecimento do destino de pobres mortais que reverenciam todos os dias do ano há milhares de anos a sua beleza eterna. 

Naturalmente, os arredores de uma tão sublime criatura nos mostram ser tão intrigantes e charmosos, tanto quanto a grande capital fundada há 2800 anos atrás.

AMarutti1 - O Jardim de Ninfa
Vista de ruínas de Ninfa sobre o lago, foto de Andrea Marutti
Jardim Ninfa Pat2 - O Jardim de Ninfa
Eu, tirando mil fotos, enlouquecida com a beleza!
giu tina - O Jardim de Ninfa
Mas minhas fiéis companheiras de excursão também adoraram!

A 85km de Roma, existe um jardim maravilhoso com um burgo medieval fundado no século VIII que nos transporta à uma outra dimensão espaço-tempo e que poderia assemelhar à visão do paraíso.

Jardim Ninfa Pat3 - O Jardim de Ninfa
Torre de Ninfa e eu escrevendo e desenhando


A sua história começa com a donação do burgo pelo Imperador Constantino V Copronimo (reinado entre 741 e 775) ao Papa Zacarias em reconhecimento à sua ajuda em defender a cidade de Norma contras o ataque dos Longobardos. 

Jardim Ninfa Cisne - O Jardim de Ninfa
Tão difícil fotografas os cisne no Jardim de Ninfa!


Nós nos lembramos que o Império Romano tinha caído no ano de 476 d.C., e entre as principais consequências deste fato histórico, a população não tinha mais a segurança do exército e as estradas não eram mais cuidadas como antes. 

A Via Appia foi coberta por pântanos e  uma estrada que passava perto de Ninfa (aos pés da antiga cidade de Norbia) adquiriu grande importância para o tráfico comercial. Logo foi instituído um pedágio para quem quisesse ir à Roma através desta estrada aos pés da colina de Norma. O burgo sofreu uma rápida transformação em um centro urbano, com várias casas e igrejas.

Jardim Ninfa Pat5 - O Jardim de Ninfa
A paredona de um edifício que não existe mais:
maravilhosa arquitetura medieval misturada a um jardim de sonho!

 

Jardim Ninfa Pat6 - O Jardim de Ninfa
Ruínas e riozinho – irresistível do começo ao fim!

Quando o Papa Bonifácio VIII foi eleito, a família Colonna foi excomungada e todos os seus bens foram confiscados. Entre os séculos X e XIII, Ninfa passou às mãos dos Condes de Túscolo, à potente família Frangipane, aos próprios cidadãos e finalmente passou à Família Colonna.

Em 1297 o feudo passa aos Caetani, período marcado pelo fim das lutas políticas e início de um segundo período próspero: os muros foram reforçados, o castelo, ampliado; foi erigida uma torre, construídos dois hospitais (São Mateus e Le Mancinule) e moinhos. Existiam várias igrejas (dentro e fora dos muros), oficinas de artesãos e sedes fixas comerciais. O ápice de Ninfa contava com 150 casas.

Mentnafunangann - O Jardim de Ninfa
Ruína com afrescos da  igreja de Santa Maria Maggiore, foto de Mentnafunangann

Quando morreu Papa Bonifácio VIII, os inimigos dos Caetani reinvindicaram a posse de Ninfa, mas o território foi atribuído ao conde palatino Bento III e ao seu sobrinho; esta família, por sua vez, tinha grandes problemas econômicos e foi obrigada a vender o burgo.

Em 1369 Ninfa foi comprada pelos Caetani di Fondi, fato que desencadeou a ira do Papa Urbano e o assédio e destruição de Ninfa em 1381. Poucos camponeses sobreviveram cultivando suas terras nos arredores do burgo; a região pantanosa favorecia a malaria,  que ajudou a expulsar os últimos moradores da zona.

Jardim Ninfa Roma - O Jardim de Ninfa
Caminhos pelo Jardim de Ninfa – profusão de cores da primavera mediterrânea


Na segunda metade do século XV, Ninfa foi utilizada como prisão.

No século XVI, o cardeal Caetani III mandou construir um jardim na zona de Ninfa, formado simplesmente por duas ruas dispostas em ângulo reto e dois lagos para a criação de trutas. O jardim pereceu com a morte do cardeal, em 1585.

Somente em 1921, Gelasio Caetani, mandou sanear a zona pantanosa e iniciou alguns restauros de ruínas em Ninfa para transformá-la em uma residência de verão. Neste momento, com o estímulo da mãe, Ada Wilbraham (que já tinha realizado um jardim botânico em uma outra propriedade da rica família), Gelasio iniciou a plantar diferentes espécies de plantas que trazia de suas viagens ao exterior, e que aqui cresciam em modo luxuriante.

Signo C 3 - O Jardim de Ninfa
Caminhos por Ninfa, foto de SignorC


Lelia Caetani, última representante do clã dos Caetani depois de 700 anos de posse, sem herdeiros, instituiu uma fundação para cuidar do onírico jardim.
Um grande VIVA à Lelia Caetani!!!

Lelia+Caetani%252C+1935+Balthus - O Jardim de Ninfa
Lelia Caetani, por Balthus (1935)

Em 1976, uma área de 1.800 hectares nos arredores do Jardim de Ninfa foi declarada como zona protegida pelo WWF; esta zona tem como objetivo proteger o Jardim de Ninfa, que se encontra na trajetória de aves migratórias, que vêm da África à Europa. Depois da criação da área protegida WWF, o número de espécies nesta zona aumentou e se diferenciou.

Para fazer um tour na Itália com guia de turismo em português não hesite em escrever para Guia Brasileira em Roma para pedir seu orçamento.

Jardim Ninfa Pat7 - O Jardim de Ninfa
As fotos deste post do Jardim de ninfa foram feitas no início da primavera de 2014
e não foram retocadas!

 

Ninfa sopra - O Jardim de Ninfa
Ninfa vista de cima, foto minha em Setembro de 2011


Endereço Jardim de Ninfa: Via della Fortezza, Sermoneta

O que ver no Jardim de Ninfa:

– Oito héctares de jardim (80 000 m2) de jardim em estilo inglês, com mais de mil plantas, atravessado por um pequeno córrego e vários pequenos afluentes do Rio Ninfa.

– Ruinas da Igreja de Santa Maria Maggiore, contrução do século X; ampliação no século XII e restauro no século XV. Afrescos que representam São Pedro, do ano de 1160 – 1170.

– o Rio Ninfa

– Ruínas da Igreja de São João são visitáveis no Castelo de Sermoneta, na cidadezinha medieval da cidade homônima, do lado de Ninfa.

Para compreender Roma são necesessários anos de estudo de arte, arquitetura e arqueologia e outros tantos anos para aprofundar este conhecimento e escrever artigos como este. Escolha uma guia profissional pois ela fará uma grande diferença na sua estadia.

Abertura em 2017: 
Abril: 1, 2, 9, 16, 17, 23, 25 e 30
Maio: 1, 6, 7, 14, 21, 28
Junho: 2, 3, 4, 18
Julho: 1e 2
Agosto: 5, 6 e 15.
Setembro: 2 e 3
Outubro: 7 e 8
Novembre: 5

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O bairro de Testaccio em Roma

janeiro 25, 2014 by Patricia Carmo Baltazar Nenhum comentário

Depois de desvendarmos Trastevere, não podemos deixar o bairro Testaccio de lado, também de alma romana. Aqui, a vida noturna é bem movimentada e come-se muito bem. É uma opção para quem já conhece Roma, já viu o centro e começa a conhecer outras zonas da cidade.

Este post é dedicado ao Marcelo e à sua esposa, Rosana.


P1040961 - O bairro de Testaccio em Roma
Bares e clubs: esquina de Via Galvani com Via Nicola Zabaglia


O valor de Testaccio, como não poderia deixar de ser, é histórico, enogastronômico e cultural: temos uma sede do MACRO, o Museu de Arte Contemporanea de Roma (a outra fica na Rua Reggio Emilia, para os lados da Nomentana). Estamos no bairro da Porta San Paolo dos Muros Aurelianos, ao lado da Pirâmide Cestia e do Cemitério Protestante (ou Acattolico, como também é conhecido aqui), das boates, dos barzinhos e tratorias frequentadas por romanos, e não exclusivamente por turistas, como acontece muitas vezes no centro.

MonteTestacciolight - O bairro de Testaccio em Roma
Os restos das ânforas de cerâmica empilhadas,Via Galvani
P1040965 - O bairro de Testaccio em Roma
Via Galvani


Testaccio foi um porto importante durante o período da Roma Antiga. A palavra “Testum” vem da palavra latina “testa”, que quer dizer pedaço de cerâmica.

Aqui se encontram restos dos vasos utilizados para o transporte de mármore (como nos conta o nome da rua que o delimita na sua parte Norte, a Via Marmorata), grão e vinho, que eram cuidadosamente colocados sempre no mesmo lugar, e que deram origem ao “Monte dei Cocci“: uma verdadeira colina com 700m de perímetro, 400m de altura, com uma superfície de aproximadamente 22.000m2, somando um total de 25 milhões de ânforas de cerâmica.

Graças às marcas carimbadas nas ânforas, podemos delimitar o tempo e a origem destas ânforas: entre a primeira metade do século II d.C e o III d.C.. A maior parte delas vinha da província romana de Betica, que ficava na Andalusia e continha azeite. A menor parte vinha de províncias africanas.

P1060676 - O bairro de Testaccio em Roma
Muro que divide o Cemtério Protestante e o bairro de Testaccio

Para o romano, são as famosas festas de Carnaval que aconteciam aqui, documentadas pela primeira vez no ano de 1256 e que aconteceram até aproximadamente 1470, que o ligam à esta zona.
No início do século XVI abriram os primeiros depósitos de vinho, que deveriam servir às hosterias (originalmente pousadas) que aumentavam nesta região. 

Daí à transformação a um bairro boêmio não foi difícil!

P1060681 - O bairro de Testaccio em Roma
Aos pés do Monte Testaccio!


A feira de Testaccio foi o coração do bairro por vários anos. 
Qual é o charme das feiras de Roma? Além de serem mercadorias fresquíssimas e deliciosas (o cheiro do tomate, você sente no ar!), os feirantes vendem apaixonadamente seus produtos, dando receitas de como prepará-los “Senhora, a puntarella é facílissima de preparar, faça assim (…)”. Não importa se verdura, peixe ou carne, vale sempre a pena anotar e experimentar as suas dicas! 

Desde 2012 a feira foi transferida para a Via Galvani, em 6.000 m2 de área coberta. A maioria dos feirantes permaneceu a mesma, com algumas excessões que, pela idade, resolveram aproveitar para se aposentar, como aconteceu com o vendedor de tomates, que tinha tomates das mais variadas espécies, de toda a Itália. Quem gosta de ver os verdadeiros produtos típicos, como a pasta fresca ou produtos biológicos e comer bem, vai adorar a feira no seu novo endereço!

Testaccio é o bairro do time de futebol “Roma”.

Monumentos de Testaccio:
– Fontana de Lungotevere Testaccio, feita em 1869 pelo Papa Mastai. Esquina de Via Marmorata com Lungotevere Testaccio.
– Monte dei Cocci
– Porticus Aemilia, na esquina de Via Rubatina com Lungotevere. Ruínas de um antigo armazém com estrutura em pedra de tufo. O edifício tinha dimensões de 490m X 55m, com uma superfície de 25.000 m2. A estrutura era dividida em 295 colunas, com navadas de grandeza de 8m cada uma.
– Igreja Santa Maria Liberatriz – feita na virada do século XX por um arquiteto de Turim, foi realizada em estilo românico, com fachada em tijolos e mármore travertino. O mosaico central representa o Cristo crucificado, com Maria Madalena e o Apóstolo João, que o observam.
O interior é dividido em três naves. O pavimento central tem tema geométrico em branco e preto e símbolos do zodíaco.
O afresco da ábside (fecho da abóbada) representa a Santíssima Trindade e o Milage da Encarnação, que Luciano Bartoli realizou entre 1956 e 1964.

Garanta a sua viagem na Itália com guia em português particular da mais alta qualidade; não hesite em escrever para Guia Brasileira em Roma para pedir seu orçamento.

– MACRO Testaccio
Piazza Orazio Giustiniani, 4, 00153 Roma, Itália

+39 06 6710 70400
Abertura: de terça à domingo, das 16 às 22h.
Fechado: segundas-feiras; 24, 25 e 31 Dezembro; 1º Janeiro; 1º Maio
Entradas:
Inteira: 6 €
Meia: 4 €
Entradas combinadas: MACRO Via Nizza + MACRO Testaccio
Inteira: turistas: € 14,50
Meia: turistas € 12,50

Como chegar em Testaccio:
– com um táxi, do centro, dependendo do trânsito, entre 15 e 20 minutos
–  De Trastevere: Tram (bonde) número 3 ou ônibus n. 75. Do lado Lungotevere: ônibus 23 ou 280.
–  Da Estação Termini: Metrô B, parada Piramide.

Onde comer em Testaccio:
– várias pizzarias e sorveterias por quilo espalhadas pelo bairro;

– Pizzeria da Remo – ambiente ultra-descontraído e preços baixíssimos, autêntica confusão romana deliciosa. Não reservam, sempre cheio, chegue cedo para pegar seu lugar!

Piazza Santa Maria Liberatrice, 44

– Retaurante de carne: 
Angelina a Testaccio 
– jantar, após às 20h. 
Aconselha-se reservar mesa. Atmosfera rústica de sabor refinado.
Via Galvani, 24A 
06 5728 3840
Aperitivo no terraço a partir das 18h.

Fechado aos Domingos.
 
Onde tomar um aperitivo em Testaccio:

 

Enoteca Palombi

 

piazza Testaccio, 38/41

 

 
Onde dançar em Testaccio:

Radiolondra – disco bar
Via di Monte Testaccio 67 – Testaccio (fechada 2ªas e 3ºas – controlar dias de abertura!)

Akab-Cave (bar/disco)
Via Monte Testaccio, 69 (Zona Pirâmide) – Testaccio – 06 57 82 390
 
Mais Roma Noturna aqui: http://guiaderoma.blogspot.de/2010/02/night-life-em-roma.html

Recebi um pedido muito especial sobre loja de acessórios para motos do Arthur. Aqui em Testaccio tem uma loja para apaixonados pelas duas rodas!

Loja de acessórios para motos em Roma Testaccio:
Marmorata Freedom Machine
Via Marmorata, 151 – 155
00153 Roma
Testaccio, Ostiense
Telefone: 06 5746443
Horário da loja: 09:00h – 19:30h – atenção que acho que fecham para a siesta! 
Fecho: Domingos
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Seis cursos de cerâmica para principiantes na Toscana

janeiro 22, 2014 by Patricia Carmo Baltazar Nenhum comentário


Há dois anos promovo os cursos da melhor escola de cerâmica na Toscana.

As técnicas nos cursos oferecidos são avançadas e até valem créditos em algumas universidades americanas, como no estado de Virginia.

Recebi um email com pedidos para cursos para principiantes, então aí vão seis sugestões de cursos de cerâmica para quem deseja aprender em uma imersão total na Toscana

1) “O diário”, com Maria Geszler- Garzuly 
Workshop onde será criado um diário em argila, que servirá de suporte para serigrafias que serão aplicadas em suas páginas.

Maria Geszler  Garzuly - Seis cursos de cerâmica para principiantes na Toscana


2) Criação de jóias, com Martha Pachón Rodríguez
Desenhar, cortar e dobrar a porcelana. Compreensão de antigos métodos asiáticos em porcelana e técnica para realizar formas negativas com as quais realizar a reprodução de jóias. 
Este curso é para principiantes mas requer habilidade manual!

Martha Pach - Seis cursos de cerâmica para principiantes na Toscana


3) Escultura com papel machê, com Rebecca Hutchinson 
Adaptar o papel machê para a realização de esculturas é o objetivo deste curso. Vamos trabalhar a ausência de peso e a qualidade translúcida do material.

Rebecca - Seis cursos de cerâmica para principiantes na Toscana


4) Escultura em forno a lenha, com  Donna Polseno
Neste workshop a figura humana será utilizada como referência para o desenvolvimento de esculturas. As formas do corpo humano serão utilizadas como pontos de partida para a exploração de formas tridimensionais, dando ênfase à essência da forma e não o tradicional “retrato”.

Donna - Seis cursos de cerâmica para principiantes na Toscana


5) As maravilhas da técnica Ágata, com Susan Nemeth
Neste curso a técnica do Neriage para obter cores e formas, utilizando várias técnicas de engobe em camadas e porcelanas coloridas. 

nemeth - Seis cursos de cerâmica para principiantes na Toscana


6) Criatividade livre, com Sandy Brown
Palavra de ordem: liberdade para experimentar! A instrutora Sandy é famosa por criar uma atmosfera onde os alunos se sentem livres para se lançarem em mundos novo e descobrirem formas inusitadas sobre as quais desenvolver o próprio lado criativo.

Sandy - Seis cursos de cerâmica para principiantes na Toscana
E se você já tiver conhecimentos suficientemente avançados na técnica em cerâmica, veja a oferta dos outros cursos aqui: Cursos de cerâmica na Toscana 2014 
  https://www.romaemportugues.com.br/cursos-de-ceramica-na-toscana-2014/
Para fazer um tour na Itália com guia de turismo em português não hesite em escrever para Guia Brasileira em Roma para pedir seu orçamento.
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Bate-e-volta à Palestrina

janeiro 19, 2014 by Patricia Carmo Baltazar Nenhum comentário
Vale a pena fazer um bate-e-volta de Roma à Palestrina?
vista palestrina - Bate-e-volta à Palestrina
Vista da montanha Ginestro, com a cidade de Palestrina
Museu palestrina light - Bate-e-volta à Palestrina
Nós, felizes da vida, antes de entrar no museu!

Palestrina fica a 43 km de Roma, a 450 metros sobre o nível do mar.

A ocupação mais antiga deste território é do século VIII a.C., de acordo com sepulturas encontradas. Destas ruínas, inferimos que a sua população mantinha contato com os Etruscos e com o mundo grego do mar Egeu.

Os historiadores Tito Lívio (59 a.C. – 17 d.C.) e Dionísio de Halicarnasso (~ 60 a.C.– 7 a.C.) discutem sobre a sua relação com Roma, sobretudo sobre a data de quando foi  definitivamente submetida à ela. A cidade seguramente adquiriu importância depois da IIª Guerra Púnica (218 a.C. – 202 a.C) e foi neste período que a urbanística de Praeneste foi o palco de grandes transformações que nós podemos observar ainda hoje!

Com a queda do Império e as declarações de Teodósio (ano de ~390 ) contra os cultos pagãos, o grande monumento foi ocupado e utilizado como moradia, o que da um lado o danificava, mas do outro mantinha a sua majestosa estrutura. Seguiram invasões de bárbaros e a ocupação dos Longobardos de Ataulfo no ano de 752.

O primeiro documento que menciona o nome moderno “Palestrina” é do ano de 873.
Em 1043, o feudo passou através de mecanismos hereditários à família romana Colonna e foi o seu refúgio durante os ataques de Cola de Rienzo (um político e tribuno dos plebeus que lutava contra os privilégios da nobreza). Essa família conseguiu manter o feudo até o século XVII, sofrendo muitas invasões (dos Borgia, em 1503, e do Duque de Alba, 1553).

Foi aqui que nasceu Pierluigi da Palestrina (1525 – 1594), pai da música polifônica. Ouça “O Magnum Mysterium” de Palestrina:

Em 1630 o feudo foi definitivamente vendido por Francesco Colonna a Carlo Barberini, irmão do Papa Urbano VIII, por 775.000 escudos (que em uma cotação fictícia de hoje seria equivalente a
€ 29.062.500).

No século XVIII o território teve um grande desenvolvimento agrícola e inúmeras tropas estrangeiras passaram por aqui: alemãs (1701; 1711), espanholas (1734; 1736), napolitanas (1799) e francesas (1802).

IMG 20141114 132518 - Bate-e-volta à Palestrina
Entrada da Cattedrale di Sant’Agapito martire

Palestrina hospitou o quartel general de Giuseppe Garibaldi, em 1849 durante a segunda República Romana.

Entre  1895 e 1897, Heinrich e Thomas Mann também passaram muito tempo nesta cidade!

O Museo Archeologico Nazionale di Palestrina

Museus palestrina entrada - Bate-e-volta à Palestrina
Entrada do museu

 

vista palestrina - Bate-e-volta à Palestrina
Vista de tirar o fôlego da frente do Museu de Palestrina

O museu foi montado em 1956 dentro do Palazzo Colonna Barberini, construído em cima do santuário antigo do período helenístico da “Fortuna Primigênia”, do séc. II a.C.. O acervo é constituído por inúmeros achados: colunas com símbolos funerários (cippi), bustos, bases funerárias, estátuas e objetos de uso quotidiano, provenientes da necrópole “Colombella” e da “Selciata” (arredores de Praeneste, hoje Palestrina).

santuario fortuna palestrina - Bate-e-volta à Palestrina
Caprichando na pernada para descer e subir na área arqueológica na frente do museu

A nossa subida para o museu foi muito especial, pois tinham fechado uma rua, por isso passamos dentro de uma parte de um prédio da prefeitura (parte do antigo Foro de Praeneste), que tinha mosaicos que não ficam abertos ao público – o Antro delle Sorti. Como estávamos festejando os nossos aniversários, recebemos um presente muito especial: a senhora que estava cuidando daquela área naquele dia nos disse de esperar, atravessou o gramado e voltou com um balde de água.

Olhem o que ela fez:

mosaico desligado palestrina - Bate-e-volta à Palestrina
O mosaico “desligado”

 

acendendo mosaico palestrina - Bate-e-volta à Palestrina
“Ligando” os mosaicos com água!
acendendo mosaico palestrina3 - Bate-e-volta à Palestrina
Olhem o efeito maravilhoso do pó indo embora e o mosaico “acendendo”
acendend mosaico palestrina2 - Bate-e-volta à Palestrina
Mosaicos com temas marinhos, Palestrina
acendend mosaico palestrina3 - Bate-e-volta à Palestrina
Mosaicos com temas marinhos, Palestrina
mosaico peixes palestrina - Bate-e-volta à Palestrina
Mosaicos com temas marinhos, Palestrina

Na entrada do museu, temos a “Tríade Capitolina de Guidonia”, do final do II século a.C., que representa Júpiter, Juno e Minerva no trono.

O complexo do santuário da “Fortuna Primigênia” foi um lugar de culto ativo durante o II séc a.C. e representa um grande exemplo de arquitetura cenográfica antiga: a área da cidade corresponde à da cidade que vemos hoje, existiam seis terraços artificiais interligados por escadas e rampas decoradas em estilo pompeiano, com preciosas incisões votivas e exedras (“construção descoberta de planta semicircular, com assentos fixos na parte interior da curva.”, definição do site engenhariacivil.com) assimétricas. No centro tinha uma arquibancada semicircular, que foi englobada na construção do Palácio Barberini, construído no século XV pela potente família Colonna.

IMG 20141114 161859 - Bate-e-volta à Palestrina
Sala do primeiro andar do museu: beleza com sabor de antigo e manieirista

Dentro do Palácio existem afrescos dos famosos irmãos Zuccari.

museu palestrina - Bate-e-volta à Palestrina
Sala do térreo do museu

 

Sergio+D'Afflitto testa femminile - Bate-e-volta à Palestrina
Busto de mulher, foto Sergio D’Afflitto

Uma das salas mais interessantes é  dedicada aos cultos antigos realizados em Praeneste. Outra sala imperdível é a sala com os  grandes mosaicos helenísticos (ano ~ 80 a.C., de dimensões: 5,85 x 4,31 m) com o “Mosaico do Nilo”, que veio do Foro de Praeneste e que representa cenas do Egito Antigo como a cheia do Rio, e a Alessandria, com (muito provavelmente) o palácio dos Ptolomeus. A simples visão deste grande e exímio mosaico é já razão para vir à Palestrina!

mosaico nilo palestrina - Bate-e-volta à Palestrina
“Mosaico do Nilo”, nós três, abobalhadas da beleza deste mosaico

Temos ainda mil coisas pra ver: esculturas e objetos relativos ao culto da Deusa Fortuna, além de outras esculturas do período helenístico e cópias de obras-primas gregas. A maior parte destes trabalhos foi realizado entre os séculos II a.C. III d.C. e são testemunhas do culto à deusa da fertilidade na antiga Praeneste.   Outros achados nos contam como no final do II a. C ocorreu um precoce sincretismo entre a Deusa Fortuna Primigênia e a divinidade oriental Ísis (em mármore Bigio, isto é, de cor cinza).

SANTUArio preneste maquete - Bate-e-volta à Palestrina
A maquete no último andar do antigo Santuário da Deusa Fortuna Primigênia

Aproveite também para ver um dos famosos rilievi Grimani, aqui temos a javali fêmea com filhote, falei destes relevos no post sobre a Exposição “Augusto”.

javali museu palestrina - Bate-e-volta à Palestrina
Fêmea de javali

Outras maravilhas de Palestrina contam com o Museu Diocesano de Arte Sacra, Museu della Resistenza e dos Onze Mártires; a Porta do Sol (o antigo portão de entrada da Palestrina de 1642, também realizado pela família Barberini), e se for Primavera ou verão, podemos passear no Parque Natural da Valle della Cannucceta!

Para fazer um tour na Itália com guia de turismo em português não hesite em escrever para Guia Brasileira em Roma para pedir seu orçamento.

Museo Archeologico Nazionale di Palestrina
Endereço: Palazzo Barberini, Piazza della Cortina
Tel. 06/9538100 Fax 06/9538100
Horário de abertura: 9.00-20.00 (até o pôr-do-sol) 
Entradas:
Inteira € 5,00; 
Meia € 2,50 (18-24 anos)
Grátis para menoresde 18 anos e maiores de 65 com passaporte europeu

Museu Diocesano de Arte Sacra
Palazzo Vescovile, Via Roma 23 – Palestrina
Tel. 069534428 – Fax. 069538116
Horário de abertura:
– Quintas e Domingos: das 15:30 às 18:30
– Sextas e Sábados: 9:30 – 12:30 e 15:30 – 18:30
– Durante Julho e Agosto as aberturas de tarde são: 16:00 – 19:00

Entradas:

Inteira € 4,00
Meia: € 3,00
Museu della Resitenza e degli Undici Martiri
Via Pedemontana – 00036 Palestrina (RM)
tel: 06 9573176
Visitas sob reserva: +39 06/95302272-271
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Visitar Veneza com guia em português

janeiro 16, 2014 by admin 8 Comentários

Vale a pena fazer um bate e volta de Roma Veneza?


DSC08615 - Visitar Veneza com guia em português
Rodnei e Marcia

Só um viajante pode responder à esta pergunta que muita gente me faz e que eu acho muito difícil responder. Por isso nós temos aqui a experiência de Rodnei, que veio com a esposa e mais um casal de amigos, todos muito animados e apaixonados pela Itália.

DSC08651 - Visitar Veneza com guia em português
Rodnei e Marcia, apaixonados e apaixonados em Veneza!
“Bem sobre Veneza, SIM, vale muito a pena fazer um bate e volta de trem.
Eu já fiz Veneza em outra oportunidade com ônibus de turismo e nada, mas nada substitui o passeio de Trem.
Muito mais confortável, pontual e claro muito mais rápido.
 
Minha dica: não compre o bilhete no Brasil via sites ou agência, é bem mais caro!!!
Fiz a experiencia de comprar os bilhetes direto na Estação central de Roma!!!
Tinha a certeza que não conseguiria comprar os bilhetes pois deixei para última hora.
Nós, brasileiros, temos o péssimo hábito de achar que nada irá funcionar e realmente as passagens de trens na ITALIA funcionam, e funcionam muito bem.
Fiz a compra dos bilhetes no dia anterior a viagem sem nenhum problema, simples, rápido e barato.
 
Bem, a viagem durou 2,5 horas e chegamos em Veneza as 10:00 hs da manhã, o bilhete de volta a Roma estava marcado para as 19:30h.
Assim que chegamos na estação de Veneza já pudemos observar os pontos de vendas de passagem para os ônibus de Veneza ( Barcos fechado  para 20 ou 30 pessoas ).
 

 

 IMG 0759 - Visitar Veneza com guia em português

Bate e volta de Roma Veneza


Compramos as passagens e em questão de 30 a  40 minutos se não me engano já estávamos na Praça de São Marcos.

Passeamos por todas as belezas de Veneza…

 

DSC08560 - Visitar Veneza com guia em português

 Bate e volta de Roma Veneza

… e no horário pre-determinado pegamos novamente o ônibus e voltamos a estação central de Veneza para regresso em Roma.

 

 

 

A Volta é demais, pois como estavámos cansados acordamos já em Roma… fantástico para quem sofre um pouco de insônia como eu, rssss.

 

 

 

Com certeza repetiremos novamente em uma próxima visita a Roma.

 

 

 

Abraços

 

 

 

Rodnei e Marcia” 

 

Rodnei partiu com o trem FRECCIARGENTO 9402 de Roma Termini às 06:50h, com chegada às 10:35h em Veneza Santa Lucia.

O retorno foi com o FRECCIARGENTO 9455 de Veneza Santa Lucia das 19:25h, com chegada às 23:10 em Roma Termini.

Em todo o caso, o ideal é fazer tudo isso com calma, pois os arredores de Veneza também prometem – como não poderia ser diferente nesta Itália:

Paseios Veneza Ilhas Veneza - Visitar Veneza com guia em português
Paseios Veneza Verona LagoDIGarda - Visitar Veneza com guia em português
Paseios Veneza Cortina Lago Misurina - Visitar Veneza com guia em português

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Bate e Volta de Roma: Florença

janeiro 14, 2014 by Patricia Carmo Baltazar Nenhum comentário

Vale a pena fazer um bate-e-volta de Roma à Florença?

Justus+Hayes++ Shoes+on+Wires - Bate e Volta de Roma: Florença
Panorama de Firenze, foto de Justus Hayes


Este post partirá desta pergunta que me fazem muito para esclarecer como fazer excursões a partir de Roma e hoje começamos com Florença!

Depois vou ver se o Rodnei tem vontade de contar do bate e volta que ele fez à Veneza (êita gente animada!) pra vocês lerem.

Firenze é uma cidade que merece pelo menos três dias, para ser curtida. Ideal seriam 5 dias, pois se você for ver realmente os museus, já dá para passar um dia inteiro nos Uffizi, Galleria Palatina, Palazzo Pitti ou a Casa de Michelangelo, para citar alguns exemplos! Isso sem contar os arredores, as colinas seneses com suas vinícolas e seus vinhos maravilhosos.

seidsvag - Bate e Volta de Roma: Florença
Ponte Vecchio, foto de Simen Idsøe Eidsvåg


Se tiver o pique, e não tiver jeito de passar mais dias em Florença, vá!
Você pode sair de Roma com o trem 9566 FRECCIAROSSA direto das 07:05, com chegada às 08:36 em Firenze. A estação “central” se chama Santa Maria Novella. Naturalmente eu aconselharia de pegar uma guia para… por várias razões e aqui citarei duas:

1) economizar tempo, indo diretamente aos monumentos mais importantes;
2) ter todas as explicações necessárias para poder ir embora da cidade com uma boa ideia da história da cidade, sua arquitetura e sua arte.

Fundamental ver a Piazza della Signoria com seus monumentos: Palazzo Vecchio, Loggia dei Lanzi, Uffizi, Ponte Vecchio, Mercato Nuovo, Piazza della Repubblica e Piazza del Duomo.

Studio+Grafico+EPICS - Bate e Volta de Roma: Florença
Perseu com cabeça de Medusa, Foto de Studio Grafico Epics


Algumas (como escolher?!) igrejas são verdadeiros museus, e são também um must! O explêndido Duomo, documento vivo do Renascimento fiorentino, Santa Maria Novella, Santa Maria del Carmine com maravilhosos afrescos de Masaccio, a românica San Miniato, e as esculturas de Michelangelo na Capela Medici dão uma ideia da riqueza desta mágica cidade.

Florença é tão especial, que parece um cenário… com certeza você vai se pegar falando “Noooossa, como é que projetaram esta cidade tão linda?” É neste momento, que quando uma pessoa que nasceu e mora naquele lugar, pode te contar ao vivo e a cores na tua língua sobre as coisas que você está vendo, é que você entende que guias são uma delícia de ter ao seu lado numa cidade tão maravilhosa que se apresenta como um mistério num primeiro momento. É assim que você vai realmente curtir o passeio. Palavra de quem sofreu muito antes de entender isso!

Em linhas gerais, a Piazza della Signoria é o coração de Firenze, um lugar que “desde sempre” foi habitado pelo ser humano. O que a gente vê hoje ali começou a tomar forma na segunda metade do séc XIII, quando começou a virar o centro da vida politica dos moradores, em contraposição ao centro da vida religiosa, que era a Piazza del Duomo.

O “Palazzo Vecchio”, na Piazza della Signoria, é a prefeitura da cidade. É um ótimo exemplo de arquitetura do séc XVI italiana.

Para organizar e estruturar sua visita, reserve uma guia em português credenciada:  escreva um email para Roma em Português

Voltamos à Roma com o trem 9549 FRECCIAROSSA, que sai de Firenze (Santa Maria Novella SMN) às 19:04h e chega à Roma às 20:35 à Roma Termini; se decidirmos jantar antes de voltar, podemos pegar o trem número 9559 FRECCIAROSSA, que sai de Firenze (Santa Maria Novella SMN) às 22:04h e chega à Roma às 23:35h em Roma Termini.

Toni Rodrigo - Bate e Volta de Roma: Florença
Maravilhosa foto panorâmica no cair da tarde de Toni Rodrigo


Então, valeu o bate e volta?

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Igreja Santa Maria della Vittoria

outubro 20, 2013 by admin Nenhum comentário

A igreja Santa Maria della Vittoria é o mais claro exemplo do período Barroco em Roma.

Igreja Santa Maria della Vittoria

Foi construída entre 1608 e 1622, pelos carmelitanos descalços e originalmente dedicada a São Pedro. O Papa Inocêncio X (1644-1655) dedicou a igreja à Virgem Rainha da Vitória.

 

city tour roma portugues santa maria vitoria afresco - Igreja Santa Maria della Vittoria

Igreja Santa Maria della Vittoria

 “(…) Um dia me apareceu em sonho um anjo maravilhoso. Vi na sua mão uma lança longa e na ponta parecia ter uma bola de fogo. A lança entrou várias vezes no meu coração, entrou dentro de mim. A dor era tão real, que gemi em voz alta, mas ao mesmo tempo era tão doce que não desejava ser libertada. Nenhuma alegria terrena poderia dar-me tanto prazer. Quando o anjo tirou a lança, ficou em mim uma forte impressão do amor de Deus(…).”
Santa Teresa d’Avila, Autobiografia, XXIX, 13 (1565)
city tour roma portugues santa maria vitoria nave central - Igreja Santa Maria della Vittoria

A arquitetura da igreja é de Carlo Maderno; a fachada é de Giovanni Battista Soria, sobre duas ordens e com tímpano  triangular sobre o portão de entrada. O interior tem uma navada e quatro capela de cada lado. O teto tem afrescos de Cerrini, “Triunfo da Virgem sobre as heresias” e a “Caída dos anjos rebeldes” (Giuseppe e Andrea Orazzi, séc. XVIII), que é uma metáfora da batalha entre catolicismo e protestantismo, com a vitória dos católicos.
Para quem gosta de Domenichino(1630), têm três telas de sua autoria nas capelas, além de um Guercino e um Guido Reni (sobre o qual ainda restam dúvidas sobre a autoria).

city tour roma portugues santa maria vitoria - Igreja Santa Maria della Vittoria
 Não é maravilhosa essa escultura?

A atração principal da igreja é o “Êxtase de Santa Teresa“, trabalho de um Bernini maduro (1647-1652) e que segue a trend do momento, representando o êxtase da santa, como descrito na sua autobiografia, um best-seller do período (citação acima), e olhem o resultado:

city tour roma portugues santa maria vitoria domenico guidi - Igreja Santa Maria della Vittoria
Além da figura da santa com o anjo, o grande Bernini representou personagens da família Cornaro (que comissionou o trabalho) assistindo a cena de dois camarotes.
santa maria vitoria contra fachada - Igreja Santa Maria della Vittoria
Repare no manto da santa, que pela primeira vez foi esculpido todo desaprumado: era a primeira vez em que se via este tipo de representação e foi repetidamente copiado por artistas posteriores ao Bernini. Poder-se-ia interpretar o manto agitado como representação do período em que navegava o cristianismo. Observe a luz que ilumina a cena, filtrada pelo vitrô e o exagero dos raios de sol em bronze dourado.
Não perca também:
sta ma vittoria+copy - Igreja Santa Maria della Vittoria
Planta baixa da igreja Santa Maria della Vittoria
Altar Santa Maria della Vittoria: “Ingresso da imagem milagrosa de Praga” – imagem de Maria trazida pelo príncipe Maximiliano da Baviera, sacerdote e general do exército.
Igeja Vittoria guia brasileira - Igreja Santa Maria della Vittoria
Capelas (notem o altar de cada capela, especialmente trabalhados com pedras que formam motivos floreais!):
1a direita: Dedicada à Santa Teresa  Martan, doutora da Igreja, beatificada em 1926 (era antes dedicada à Maria Madalena).
2a direita: Dedicada aSão Francisco de Assis: S. Francisco em êxtase, pintado por Domenico Zampiero (Domenichino), séc XVII.
3a direita: Dedicada à Madona do Carmine. Grupo marmóreo do séc. XIX – XX, de Balzico (1825-1901)
4a direita: Dedicada a San Giuseppe, representado no altar “O sonho de São Giuseppe”., de Domenico Guidi (1623-1701)
Altar:
Reconstruído em 1880 depois de um incêndio por ordem de Alessandro Torlonia (rico banqueiro e mecenas das artes). O desenho é de Carnevali. No centro, a imagem da “Santa Maria della Vittoria” é uma copia da verdadeira trazida de Praga, conservada pelo Vaticano.
Tabernáculo em mármore e pedras preciosas. O tabernáculo é um pequeno armário situado sobre o altar no qual se conservam as óstias consagradas.
Capelas do lado esquerdo:
4a: Capela Cornaro, ou da “Transverberação de Santa Teresa” de Bernini.
O diretor dos Museus Vaticanos, Francesco Paolucci, afirma que “o êxtase é a maior obra-prima do período barroco (…)” e que “(…) a religiosidade barroca é misticismo e sensualidade, prazer dos sentidos e transfiguração da alma (…).”
3a: Capela da Santíssima Trindade: pintura sobre o altar de Giovanni Francesco Barnieri (Guercino). Nesta capela se concentram a maior diversidade de pedras preciosas na decoração. Na parede em alto à direita, uma cena do “Nascimento de Jesus”, supostamente de Guido Reni.
2a: Capela de São João da Cruz (1542-1591), sacerdote e poeta espanhol, fundador da ordem dos carmelitanos descalços. Sobre o altar (esquerda): “Jesus aparece ao Santo”, de Nicolas Lorrain; direita: Virgem o salva do poço onde tinha caído. Atenção às duas colunas de diaspro da Sicília (o diaspro é uma pedra semi-preciosa, composta por quartzo (SiO2)).
1a: Capela de Santo Andrea (apóstolo) – sobre o altar, de autor anônimo, “Santo Andrea”. À direita e esquerda, retratos da família Maraldi, por Giuseppe Cesare (1568-1640).
Esta igreja ficou mundialmente conhecida através do filme “Anjos e Demônios“, do romance de Dan Brown (2000).
Para compreender Roma são necesessários anos de estudo de arte, arquitetura e arqueologia e outros tantos anos para aprofundar este conhecimento e escrever artigos como este. Escolha uma guia profissional pois ela fará uma grande diferença na sua estadia.
De brasileiros para brasileiros na Itália: reserve aqui a sua guia de turismo que fala português.
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Os Etruscos

fevereiro 4, 2010 by admin Nenhum comentário

Os etruscos foram um povo da Itália antiga que viveu na Itália a partir do século X a.C. e que viveu numa área chamada Etrúria, que hoje corresponde à Toscana, Umbria ao norte do rio Tibre no Lácio, com ramificações na região da Campânia e no Vale do Pó na Emilia-Romagna e Lombardia.

Aqui vai um resuminho sobre Quem Foram Os Etruscos! 

2014 04 26+11.52.12 - Os Etruscos

Urnas funerárias ~séc. X a.C.

 
P1010897 - Os Etruscos
Tampa de sarcófago típico, com “esposos” representados, Museu Etrusco de Cerveteri

 

Onde viveram os Etruscos

 

 etr3 - Os Etruscos
Etruria, em laranja escuro


Sobre a origem e procedência do povo Etrusco nasceu uma considerável literatura de significado histórico e arqueológico. Até a década de 1970 acreditava-se, como mencionado no parágrafo 94 do livro de Heródoto, que os etruscos viessem da Ásia Menor, chegando à costa italiana após um período de carência de alimentos no território onde viviam.

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Estatuetas em bronze que representam “Marte guerreiro”, de 500- 380 a.C.

Hoje acredita-se que os Etruscos são autóctones da Itália, que foram os vilanovianos que dominaram o uso do ferro, depois de entrar em contato com os gregos da Magna Grécia e das colônias gregas do sul da Itália.


A civilização etrusca floresceu a partir do século X a.C., atingindo o ápice do seu desenvolvilmento econômico e cultural no século VI a.C. e acabou por ser incluída na civilização romana no final do século I a.C., no final de um longo processo de conquista e assimilação cultural que começou com a tradicional data da conquista da capital etrusca de “Vejo” pelos romanos em 396 a.C. (seguem alguns exemplos de esculturas monumentais que podem ser vistas no Museo Etrusco di Villa Giulia).

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O famoso Apolo de Veio, escultura monumental em cerâmica
 do ciclo decorativo do Templo de Apolo, séc VI a.C.
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Hércules, escultura monumental do ciclo decorativo do Templo de Apolo, séc VI a.C.
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Latona (detalhe),  do ciclo decorativo do Templo de Apolo, séc VI a.C.

Tarquinia, Arezzo, Perugia e Vejo eram cidades muito mais modernas do que as aldeias do baixo Lácio dos Sabinos e Latinos: todas tinham bastiões de defesa, ruas, mas sobretudo um sistema de esgoto! As cidades eram construídas a partir de um verdadeiro plano urbanístico realizado por engenheiros muito capazes, onde cada detalhe era minuciosamente ponderado e nenhum pormenor da planificação da cidade era deixado ao acaso. Os etruscos não trabalhavam somente o ferro, mas o cobre, o ouro (maestros inigualáveis da filigrana), o estanho e o âmbar.


Seguem algumas fotos de reconstrução de tumbas da zona de Tarquinia, do Museo Etrusco di Villa Giulia:

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O trabalho era bem organizado para o bem da coletividade: através da capacidade etrusca de construir canais e transformar zonas pantanosas infestados pela malária em superfícies úteis à sociedade: eles dominavam a técnica de drenar o pântano! Acima de tudo, temos diante de nós um povo de formidáveis comerciantes que fazia de tudo para multiplicar a sua fortuna.

 

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Vasos em cerâmia e bucchero (escuros, abaxo à esquerda)
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Tampa do sarcófago “degli Sposi”, obra-prima etrusca dos anos 530-520 a.C., encontrada na Necrópole della Banditaccia, em 1881

Enquanto os romanos não sabiam o que tinha a 60 km ao Norte de onde viviam, os Etruscos já tinham chegado no Piemonte, Lombardia, Veneto e, subindo o rio Reno, comerciavam com franceses, suíços e alemães (que naquele tempo eram populaçoes que não se chamavam assim, obviamente!).

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Vasos em cerâmica do período arcaico (VII – IV a.C.)

 

Roma teve 7 reis, três dos quais eram Etruscos (Tarquinio Prisco, Servio Tullio e Tarquinio o Soberbo) e trouxeram aos romanos, simples pastores, todos os segredos da construção de templos, estradas, pontes e aquedutos (que em parte funcionam até hoje!)! 

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Cerâmica do Museo Etrusco di Villa Giulia


Recapitulando, entre as cidades etruscas mais importantes, temos:

– Veio, perto da atual Ilha Farnese, a mais ou menos 20 km de Roma na Via Cassia;


– Ceres (perto da atual Cerveteri) a 45 quilômetros de Roma sobre a Via Aurelia – onde foram feitas as fotos deste post;


– Tarquinia a 90 km de Roma sobre a Via Aurélia.
Outras cidades na margem direita do Tibre:
– Falerii Vetus (Civita Castellana), perto da Via Flaminia, a 55 km de Roma.
– Capena, perto da aldeia Civitucola, não muito longe de hoje Capena, a 40 km de Roma sobre a Via Tiberina. 
Feronia era um grande santuário onde se realizava uma feira de vasos de “bucchero” – o bucchero é uma cerâmica que apresenta uma composição uniforme de cor preta e uma superfície muito lúcida, obtido através de uma queima com pouco oxigênio. Uma descriç
ão técnica para dizer que os etruscos tinham desenvolvido um tipo de cerâmica que imitava o ferro, mas com um custo muito menor|

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Maestria etrusca: Vaso de Bucchero – a cerâmica que imita o ferro


É muito difícil não se apaixonar pelos etruscos: amavam comer e organizavam enormes banquetes, amavam a música, a dança e os jogos.
Em Roma  implantaram em 509a.C. a cloaca massima, isto é, a primeira rede de esgotos de Roma que funciona parcialmente até hoje.

 

Características do povo Etrusco

 

Eles utilizavam cores brilhantes para suas roupas, suas casas e templos, até mesmo os túmulos e sarcófagos eram coloridos; eram refinados, cercados por objetos que vinham dos quatro cantos do mundo então conhecido; realizavam jóias em ouro com uma técnica especial que se chama “granulazione”, que apesar dos esforço nos dias de hoje para compreender esta técnica, ainda não foi completamente desvendada! 

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Reconstrução de parte do santuário de Pyrgi (antiga Cere, a 50km ao norte de Roma), ~460 a.C.
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“Marte di Todi“, escultura do séc  V a.C., 141cm, onde o deus é representado realizando rituais antes de uma batalha – Museus Vaticanos (descoberta em 1835, nos arredores de Todi)

Existem poucos exemplares deste trabalho porque os ladrões de tombas nos deixaram bem poucas coisas para admirar, mas o que chegou até nós são peças de incomparável maestria.

Na sociedade etrusca a mulher etrusca recebia uma educaç
ão!

A independência administrativa das cidades etruscas terminou com a “Lex Julia”, de 89 a.C..


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Onde ver objetos que testemunham a presença dos etruscos em Roma?


Museu Etrusco de Villa Giulia

Piazzale di Villa Giulia, 9
00196 Roma, Italia
tel. (+39) 06 3226571 e fax (+39) 06 3202010
E-mail: sba-em@beniculturali.it

Preço do ingresso: intero € 8,00, reduzido € 4,00


Horário de abertura:

de terças aos domingos, das 8:30 às 19:30; a bilheteria fecha às 18:30; o museu fechas às segundas-feiras, 1° Janeiro, 1°de Março e 25 de Dezembro. Se, uma segunda-feira (no dia que o museu esta’ fechado), for um feriado, o museu abrirá.

Museu Etrusco de Cerveteri
Piazza Santa Maria 00053 Cerveteri
Como chegar de Roma : Autostrada A 12, uscita Cerveteri.
Via Aurelia SS 1, al Km 41,4, bifurcação para Cerveteri: seguir indicações

Horário de abertura: terça – domingo 8,30-19,30;
bilheteria fecha às  18,30.
Fechado: segundas-feiras, 1º de Janeiro e 25 de Dezembro

Preço do ingresso:
Ingresso: inteiro € 6,00 –  meio € 3,00;
Combi:  intero (necrópole + museu) € 8,00, Combi meio (necropoli + museo) € 4,00

Necrópole de Cerveteri: Necropoli della Banditaccia di Cerveteri
Piazzale Mario Moretti (già della Necropoli)
Horário de abertura: terça – domingo 8,30-19,30;
bilheteria fecha às  18,30.
Fechado: segundas-feiras, 1º de Janeiro e 25 de Dezembro

Preço do ingresso:
Ingresso: inteiro € 6,00 –  meio € 3,00;
Combi:  intero (necrópole + museu) € 8,00, Combi meio (necropoli + museo) € 4,00

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Sobre mim

Olá, eu sou a Patricia e me apaixonei por Roma em 1994, quando ainda era uma estudante de Artes Plásticas em Hamburgo. Desde então fiz várias viagens para estudar a Cidade Eterna e em 1998 me mudei para cá. No Turismo estou desde 2007, quando comecei a trabalhar com alemães. Sou guia credenciada em Florença e Roma e este blog é um elogio muito pessoal sobre a minha paixão pela cultura Clássica. Na minha equipe trabalham as melhores guias que falam português nas principais capitais italianas, escolhidas a dedo por mim ao longo dos anos.

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