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A Via Appia Antiga

novembro 6, 2014 by Patricia Carmo Baltazar 1 comentário

Um museu a céu aberto. A famosa Via Appia Antiga já foi chamada assim, com esta expressão moderníssima em 1850, por Luigi Canina, responsável pelas “Antiguidades de Roma” do governo pontifício dessa época.

“Todos os caminhos levam a Roma”

Appia Antiga Guia de Roma portugues2 - A Via Appia Antiga
Adoro fazer picnics com as amigas e explorar a Via Appia Antiga!
A construção desta estrada foi iniciada no ano de 312 a.C, por ordem do censor Appio Claudio Ceco. No ano de 268 a.C., a sua extensão chegava a Benevento (277km de Roma) e em 191 a.C., a Brindisi (520 km de Roma), onde existia o porto através do qual se comerciava com a Grécia e com o oriente.

 

Via Appia antiga - A Via Appia Antiga
Basalto da Via Appia Antiga

O início desta estrada é uma viagem no tempo, pois nos leva ao período dos reis (753 a.C. – 509 a.C.): a tradição diz que aqui existia um bosque sagrado onde Numa Pompilio pedia conselhos à Ninfa Egéria a respeito das leis sagradas de Roma, e, mais para frente, durante o período republicano (509 a.C – 44 a.C.), os sacerdotes do culto da Magna Mater lavavam a estátua da deusa no antigo rio Almone, que passava por aqui.

Appia Antiga Guia de Roma portugues - A Via Appia Antiga
Para “viciados em Arte e História” a Via Appia Antiga é um paraíso terrestre!
Nós percorreremos a Via Appia Antiga a partir da Porta Sebastiana, onde tem o “Museu delle Mura”, em direção ao sul, às colinas albanesas (região dos lagos), para mencionar alguns dos monumentos que chegaram até nós através de mais de dois mil anos de história. Vamos lá!
passeio via appia guia portugues vista Aerea - A Via Appia Antiga
Não se espante com a quantidade de monumentos funerários que encontraremos no nosso caminho, pois uma das antigas leis romanas, as doze tábuas (ano 450 a.C.), proibía a construção de sepulturas no interior dos muros de proteção da cidade (que coincidia quase 100% com o limite sagrado da cidade, que se chama “pomério”). Appio Claudio foi o primeiro que desejou ter a sua sepultura na “sua” estrada, e com isso lançou uma moda entre as famílias abastadas. A coisa divertida é que os monumentos funerários eram de tamanha beleza, que muitos nobres daquele tempo sentiaram-se inspirados a construir grandes mansões perto deles.
monumentos appia antiga - A Via Appia Antiga
Monumentos sobre a Appia Antica, linda foto de Luana Bungaro
Tumba de Geta
No número 41 da Via Appia Antica (lado esquerdo com as costas para os muros aurelianos) existe o monumento funerário de Geta, filho do imperador Setímio Severo. A construção original era realizada em calcestruzzo (o cemento romano cuja “receita” ainda hoje não foi desvendada) e era composta por uma base quadrada sobre a qual se apoiavam diversos andares com superfícies que diminuiam a medida que se elevavam. Naturalmente esta estrutura era completamente revestida de travertino (o mármore branco aqui do Lácio).
A contrução que encontramos hoje aqui é muito curiosa, pois além de ter sido completamente desnudadado revestimento marmóreo, no topo desta espécie de estrutura piramidal encontra- se uma estrutura com caráter de habitação, construída nos primeiros anos do século XVI.
Infelizmente este monumento só pode ser observado do exterior, pois ele ainda é propriedade privada; este fato não constitui uma exceção que dificulta o trabalho do Ministério dos Bens Culturais de Roma.
Igreja “Domini, quo vadis?” (“Senhor, para onde vais?”) ou Santa Maria in Palmis

A bifurcação com a Via Ardeatina, é um lugar importante, pois diz a lenda que neste lugar Pedro encontrou Cristo quando estava indo embora de Roma para fugir às perseguições aos cristãos do período do Imperador Nero (~68 d.C.). Exatamente neste ponto, Pedro teria perguntado a Cristo: “Senhor, para onde vais?”; e Cristo respondeu “Vou à Roma, para ser crucificado pela segunda vez”. Quando Pedro ouviu esta resposta, envergonhou- se de estar fugindo da morte na cruz, retornou à Roma, e de fato, foi crucificado no Circo do Nero – e como bem sabemos, de cabeça para baixo!

Domini Quo Vadis guiaderoma - A Via Appia Antiga
A igreja de Domini Quo Vadis, na Via Appia Antiga

 

A denominação da igreja “in Palmis” ou “do Passo” se refere à uma tradição medieval de venerar uma pedra com duas impressões de pés que se encontra nesta igreja, que acredita-se serem dos pés de Cristo.

Domini Quo Vadis guiaderoma  - A Via Appia Antiga
As impressões dos pés de Cristo, dentro da igreja Quo Vadis
Seguindo pela Via della Caffarella, passa-se por longos muros para chegar à uma outra propriedade privada com uma casinha colonial e com o chamado

Templo do deus Redícolo , dedicado à divindade que fez com que Aníbal retrocedesse com seu exército (XXX ano). Na verdade trata-se do Monumento funerário de Annia Regilla, esposa de Heródes Ático (século II d.C.). Esta é uma construção de beleza singela, onde notamos duas tonalidades diferentes de tijolos que compõem a base retangular com tímpano.

Via Appia Annia Regilla - A Via Appia Antiga
Monumento funerário de Annia Regilla
Retornando à nossa Appia Antica, nos aproximamos das famosas Catacumbas de San Callisto (São Calixto).
circo maxencio guia portugues - A Via Appia Antiga
 Eu, no Circo de Maxêncio
circo maxencio guia brasileira - A Via Appia Antiga
 Circo de Maxêncio
Vale a pena relembrar a origem da palavra catacumba, que vem do grego “kata´”, “nas” e “kymbas”, “cavidade”.

 

passeios roma via appia catacumbas sao calixto - A Via Appia Antiga
Via Appia Antiga

 

Iniciadas no II séc. d.C., estas catacumbas foram construídas em terrenos doados por famílias abastadas que tinham se convertido ao cristianismo, de modo que os adeptos desta nova religião pudessem ser enterrados, pois o novo conceito de morte previa uma cela para o defunto, que não era mais cremado, como no culto pagão, pois a morte era vista como um sono onde a alma acordava sucessivamente para o Juízo Final, e em seguida, para a vida eterna.
Aqui foram enterrados 16 papas e mais de 50 mártires nas galerias subterrâneas, que chegam a ter uma extensão de quase 20km nos 15 hectares de terreno!

Santa Cecília também foi enterrada nestas catacumbas, mas as suas relíquias foram levadas para dentro dos muros aurelianos no ano de 821, pelo papa Pasqual I, e se encontram hoje na Basílica de Santa Cecília, em Trastevere. É interessante o afresco do IX século, com a santa que reza, um busto do Cristo e papa mártire São Urbano.

guia de roma catacumbas jonas portugues - A Via Appia Antiga

De maneira geral, os afrescos das catacumbas, apresentam-se como uma interessantíssima iconografia da passagem do culto pagão ao cristianismo; eu, particularmente, adoro todo o tipo de representação deste período: desde os afrescos, passando pelas diferentes inscrições sobre o defunto, os símbolos das corporações a qual ele pertencia, os desenhos de cestos de pães, até os “rabiscos” do bom pastor sobre mármore; a escrita “ICTUS”, que significa “peixe” em grego e cujas iniciais estão para: “Jesus Cristo, filho de Deus, salvador” – acho tudo isso emocionante demais! Aliás, é aqui mesmo que se acredita que foi pintado o afresco mais antigo com a representação do bom pastor e de figuras que rezam, os “oranti”, do final do século II, início do III século.

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O próximo monumento importante que encontramos é a Basílica de São Sebastião,para onde acredita-se que foram trazidos os restos mortais dos santos Pedro e Paulo durante as perseguições do ano de 258. Após o Edito de Constantino de 313, isto é, o documento através do qual os cristãos obtinham finalmente liberdade de culto, as relíquias dos dois santos votaram ao lugar onde eles tinham sido enterrados logo após o martírio, e nestes dois lugares foram contruídas as grandes basílicas de São Pedro e São Paulo Fora dos Muros.
A fachada desta basílica como a vemos hoje é o resultado da modernização feita pelo cardeal Scipione Borghese entre os anos de 1608 – 1613, iniciada pelo arquiteto Flamínio Ponzio e finalizada peor Giovanni Vasanzio.
Aqui mesmo, temos acesso à entrada das Catacumbas de São Sebastião,um dos poucos cemitérios cristãos que ficaram abertos desde o seu início ininterruptamente, o que infelizmente contribuiu para a sua deterioração.

Podemos ver alguns afrescos e as eventuais sepulturas temporâneas dos apóstolos Pedro e Paulo.

Villa Maxencio guiaderoma - A Via Appia Antiga
Villa de Massêncio – Via Appia Antiga, foto de Christina Heger
Continuamos o nosso caminho e, a mais ou menos 150m do lado esquerdo, mais precisamente no nº153, temos a Mansão (Villa) de Maxêncio, grande complexo arqueológico composto pelo Mausoléu de Rômulo, Circo de Maxêncio e o Palácio Imperial, cuja maior parte ainda deve ser escavado.
Quanto ao Circo, 513m x 90m, podemos dizer que é um dos exemplares deste tipo de construção que chegou até nós em “excelente” estado: da arquitetura podemos ver algumas torres e os “estábulos”, estrutura de onde partiam as carroças para a competição. A spina, estrutura que dividia o circo longitudinalmente, era decorada com esculturas, edículas e com o obelisco que hoje vemos na Praça Navona (transportado pelo grande Lorenzo Bernini para adornar a famosíssima Fonte dos Quatro Rios).

A capacidade deste circo era de 10.000 pessoas, e infelizmente da arquibancada não sobrou muita coisa.

passeios roma via appia mausoleu romolo - A Via Appia Antiga

Passamos por um quadripórtico, que serve de entrada ao Mausoléu de Rômulo, estrutura realizada para o filho de Maxêncio, morto prematuramente, e que depois serviu também para outros membros da família imperial. Esta curiosa estrutura de forma redonda tem 33m de diâmetro e originalmente possuia nichos ao longo do seu perímetro e era coberta por uma cúpula com olho central.

Saímos deste curioso e rico complexo arqueológico para encontrar a 200m, do mesmo lado, a famosíssima Tumba de Cecilia Metella, um verdadeiro emblema da Via Appia Antica! Este mausoléu realizado aproximadamente no ano de 50a.C. foi contruído sobre uma base quadrada e revestida de placas de mármores travertino, sobre a qual se eleva um corpo cilíndrico de 29,5m de diâmetro e 11m de altura.
Uma grande lápide de mármore no exterior da construção nos informa a quem foi dedicada esta construção: Cecilia, filha de Metello Crético (que conquistou a ilha de Creta) e esposa de Crasso, general de Júlio César na Gália.
Os “merlos” medievais foram inseridos pelos Caetani, família que ocupou o monumento durante o século XIV, transformando-o em forte e castelo. Muitos elementos marmóreos que foram encontrados durante as escavações da Via Appia foram recolhidos e se encontram no interior deste monumento, que é um curioso museu, pois é utilizado pelo Ministério dos Bens Culturais assim como chegou até nós: sem teto.
Interessante as janelas bíforas (veja exemplo abaixo) da única parede que ainda está de pé, da Alta Idade Média, a cela sepulcral no interior do cilindro, que é considerado uma das construções mais antigas com o uso de tijolos!
IMG 20141019 181650 - A Via Appia Antiga
Cecilia Metella, com os dois pares de janelas bíforas na Via Appia Antiga
Na frente da Tumba de Cecilia Metella, temos as paredes perimetrais da antiga igreja gótica de São Nicola em Capo di Bove, uma das raras testemunhas deste período em Roma.
passeios roma via appia igreja sao nicolau - A Via Appia Antiga
Igreja de São Nicolau, na frente de Cecilia Metella Via Appia Antiga
A 300m deste monumento à direita, tem uma lojinha onde fazem excelentes sanduíches, para matar a fome se a longa caminhada tiver aberto o seu apetite!
Depois do lanche, estamos prontos para entrar no chamado V milho*  e ver monumentos do final do período republicano misturados com outros do auge do império, todos de personagens desconhecidos (ou meno de pouca relevância histórica); alguns monumentos possuem retratos e inscrições sobre os defuntos.
À esquerda notaremos uma estrutura monumental em forma de pirâmide e à direita túmulos atribuídos aos Horácios e Curiácios, no trecho conhecido como Cluiliae,onde teria acontecido a luta mítica entre representantes das cidades rivais de Roma e Alba Longa, depois da qual Roma assumiu definitivamente a supremacia da Liga Latina.

Nós, pobres mortais, continuamos a caminhar sobre os milenares paralelepípedos de silício sem ter acesso a inúmeros outros monumentos que ainda se encontram em propriedades particulares, atrás de muros altos que impedem a contemplação do viajante.

circo maxencio guia brasileira - A Via Appia Antiga
Via Appia Antiga

Vamos finalizar daqui a 400m a nossa longa visita à rua mais antiga e linda do mundo ocidental tendo à esquerda a Villa deiQuintilli: a maior, mais rica e bonita mansão (villa) dos arredores de Roma, que pertenceu aos irmãos Quintilli e que desde o século XIV nos presenteia com inúmeras obras de arte durante as escavações. Os refinados irmãos tinham morado na Ásia Menor e, quando retornaram à Roma, trouxeram inúmeras obras de arte, com as quais adornavam a majestosa mansão. A inveja do imperador Cômodo fez com que ele os condenasse e confiscasse os seus bens, passando a ser o dono da esplêndida villa!
Durante a alta idade média a mansão foi englobada num ninfeo, que é o que vemos do lado da Appia Antica. Este sítio arqueológico pode ser explorado em um outro dia. Para mais informações leia o post: Villa dei Quintilli.

 

Este é um dos passeios mais especiais de Roma, pois uma das maiores expressões do gênio romano foram os aquedutos e as famosas estradas, as “vie consolari”, que permitiam com que os homens se deslocassem por longas distâncias via terra, o que até então acontecia somente por viagens de navios através de rios ou mares. A enorme rede de estradas romanas deu origem ao famoso ditado “todas os caminhos levam à Roma“.

 

P1010398light - A Via Appia Antiga
Por que os aperitivos nunca são suficientes!

* O “milho” é uma medida de distâncias antigas e que varia entre 1 e 2 metros, dependendo do período histórico. A palavra miglio vem da expressão latina  milia passuum, que era equivalente a mille passus, isto é, mil passos, que correspondia a 1,48m na antiguidade.

Para compreender Roma são necesessários anos de estudo de arte, arquitetura e arqueologia e outros tantos anos para aprofundar este conhecimento e escrever artigos como este. Escolha uma guia profissional pois ela fará uma grande diferença na sua estadia.

De brasileiros para brasileiros na Itália: reserve aqui a sua guia de turismo que fala português.

Villa di Massenzio
Via Appia Antica, 153, 00179 Roma
Horário de abertura:
Ter-Dom: 10.00-16.00h
24 e 31 Dezembro 10.00-14.00h.
A bilheteria fecha uma hora antes do fecho.
Dias de fecho:
Segundas-feiras, 25 Dezembro, 1° Janeiro, 1° Maio
 
Cecilia Metella
Horário de abertura:
Ter-Dom: 09.00-16.00h
24 e 31 Dezembro 10.00-14.00h.
A bilheteria fecha uma hora antes do fecho.
Dias de fecho:
Segundas-feiras, 25 Dezembro, 1° Janeiro, 1° Maio
 
– do último domingo de outubro a 15 de fevereiro: última entrada às 15.30h e fecho às 16.30h;
– de 16 de fevereiro ao dia 15 de março: última entrada às 16.00 e fecho às 17.00;
– de 16 de março ao último sabado de março: última entrada às 16.30 e fecho às 17.30;
– do último domingo de março ao 31 agosto: última entrada às 18.15 e fecho às 19.15;
– dal 1° settembre al 30 settembre: última entrada às 18.00 e fecho às 19.00;
– dal 1° outubro ao último sabado de outobre: última entrada às 17.30 e fecho às 18.30.
Tickets:  
Ticket combinado para três monumentos,  válido por 7 dias para 3 sítios arqueológicos: Termas de Caracalla, 
Villa dei Quintili, Mausoleo di Cecilia Metella.
Inteiro:€ 6,00 e Meio: € 3,00 para cidadãos da União Européia entre os 18 e os 25 anos e docentes 
da União Européia .  
Gratuito: visitantes menores de 18.
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O Mausoléu de Santa Constança

setembro 11, 2014 by Patricia Carmo Baltazar Nenhum comentário

Vamos ver se consigo escrever sobre uma coisa tão maravilhosa quanto o Mausoléu de Santa Constança sem usar a palavra “maravilhoso”.  Aliás, a última vez que passei lá estava tendo um casamento e ainda de quebra ouvi a Ave Maria, que é uma contribuição que sempre combina com os monumentos religiosos de Roma!

Relembro que a profissão de guia de turismo na Itália é regulamentada, portanto é necessário que o profissional escolhido seja um GUIA  – e não ACOMPANHANTE –  credenciado.

IMG 20140906 103923 - O Mausoléu de Santa Constança

Mausoléu de Santa Constança, passeios alternativos da Roma verdadeira

Entrada do Mausoléu de Santa Constança

Mausoléu de Santa Constança

Este Mausoléu foi construído entre 340 e 345 d.C.  e a sua função inicial era ser o monumento funerário da Santa Constança (ou Constantina), a filha do Imperador Constantino.

IMG 20140906 113557 - O Mausoléu de Santa Constança

Mosaicos originais do IV século no Mausoléu de Santa Constança – passeios alternativos da Roma verdadeira

O corredor e a decoração de mosaicos

Aonde e um pouco de história do Monumento de Santa Constança em Roma

O Mausoléu foi construído perto da catacumba onde tinha sido enterrada a Santa Inês, de quem Constantina era devota.
Por curiosidade o nome “Agnes” vem do grego Hagnos, e significa “pura”, “santa”, “consagrada”. Esta santa sofreu seu martírio em Roma no ano de 250, muito provavelmente no que é hoje a Piazza Navona.

Aqui existia uma enorme basílica que tinha sido construída muito provavelmente por ordem da própria Santa Constança, com uma capela originalmente reservada para conter os seus restos mortais, o que demonstra a devoção de Constança à santa.
Infelizmente, desta antiquíssima basílica vemos hoje somente restos de muros perimetrais.

IMG 20140906 114448 - O Mausoléu de Santa Constança

Interior do Mausoléu de Santa Constança, passeios alternativos da Roma verdadeira

Interior do Mausoléu de Santa Constança

Relembro que segundo as leis antigas era proibido enterrar os mortos dentro dos muros da cidade, por isso encontramos vários monumentos funerários nas grandes ruas de saída da cidade, como por exemplo a Nomentana a Salaria, Casilina; a mais famosa é a Via Appia!

Este monumento se encontra a aproximadamente 3km ao norte dos Muros Aurelianos.

No VI século, este mausoléu se transformou em um batistério e em 1254 foi consagrado como igreja pelo Papa Alexandre IV.

A curiosa construção redonda do mausoléu: arquitetura e materiais

O edifício redondo tem uma estrutura parecida com a igreja de Santo Estevão, com planta circular.
O ambiente é dividido em duas seções por colunas duplas de sustentação de granito verde e vermelho e é coroada por um grande tambor.
O material utilizado foram os tijolos, que tinham um acabamento com mármores coloridos, que infelizmente não chegou até nós.

O que podemos apreciar hoje, além da construção, são os mosaicos do IV século (ano 360) do teto abobadado, são os mosaicos monumentais mais antigos de Roma. O tema é típico do período em que foi realizado, com desenhos geométricos sobre fundo branco, cenas de vindima, pássaros e flores. Interessante notar a iconografia romana “de transição” do mundo pagão ao mundo cristão, mas ainda muito ligada ao primeiro.

Engraçado pensar que durante o Renascimento pensaram que este monumento tivesse sido um “Templo de Baco”, pelas tanas cenas de colheita de uva no teto!

IMG 20140906 113654 - O Mausoléu de Santa Constança

Close-up dos mosaicos do Mausoléu de Santa Constança, passeios alternativos da Roma verdadeira

Detalhe dos mosaicos do teto do corredor, com cenas geométricas,
colheita de uva e flores

 

IMG 20140906 113702 - O Mausoléu de Santa Constança

Mosaico do IV século com cena de vindimia. Passeios alternativos da Roma verdadeira

Detalhe do tema da colheita da uva

 

IMG 20140906 113732 - O Mausoléu de Santa Constança

Cristo, mausoléu de Santa Constança em mosaico: passeios alternativos da Roma verdadeira

Mosaico da “Entrega das Leis”

A parede interna têm recortes com nichos, onde podemos ver uma cópia do sarcófago de Santa Constança. O original se encontra hoje nos Museus Vaticanos.

IMG 20140906 113553 - O Mausoléu de Santa Constança

Corredor anular do Mausoléu de Santa Constança, passeios alternativos da Roma verdadeira

A cópia do sarcófago de Santa Constança – o gesso imita o pórfido vermelho,
a pedra dos imperadores, pois o original está nos Museus Vaticanos
 
IMG 20140906 102922 - O Mausoléu de Santa Constança

Placa da rua do Mausoléu de Santa Constança – passeios alternativos da Roma verdadeira

Esquina da Via Nomentana e Via di Santa Costanza

Confesso que foi muito difícil escrever sobre este monumento sem utilizar as palavras “maravilhoso” e etc., pois a beleza e os mistérios de Roma nunca deixam de me maravilhar!

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Endereço, horário de abertura e como chegar

-Via Nomentana, 349, Roma.

– Ônibus 90 (a partir de Termini) ou 36 
– Metrô B (linha azul) – estação: Annibaliano

Horário de abertura ao público:

9.00–12.00h e 16.00–18.00h

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As Catacumbas de Domitilla

março 16, 2014 by Patricia Carmo Baltazar Nenhum comentário

«Anima Dolcissima»
epitáfio em lastra funerária das Catacumbas de Domitilla

O caminho da arte para que se chegasse na qualidade de um trabalho artístico do nível da Capela Sistina foi parte de uma grande percurso ético e religioso que ocorreu no mundo romano, com a chegada do cristianismo.
As catacumbas não serviam como esconderijos; eram simplesmente lugares onde os primeiríssimos cristãos enterravam os mortos, na espera do juízo final, da ‘nova vida’ após a morte.
A palavra catacumba vem do grego, “kata” e “kumbe” e pode ser traduzida como “na cavidade”.
As catacumbas foram realizadas por motivos a) práticos; b) econômicos e c) higiênicos.
P1030988 - As Catacumbas de Domitilla
Giulia (e eu), companheira fiel de excursões pelos quatro cantos de Roma!

Neste contexto encontramos sinais das mais antigas simbologias utilizadas por estes primeiros cristãos, que, sim, eram perseguidos por uma série de razões que não cabe discutir aqui neste momento, e que para assegurar o “sono” dos seus caros em contraposição à incineração dos corpos.

Os defuntos eram enterrados tratados com bálsamos e envolvidos em tecido, para depois serem depositados nos loculi das catacumbas, que aos poucos se transformavam em imensas (mas quando digo “imensas”, falo de 17km de ruas subterrâneas) galerias cavadas nos hipogeus de terrenos que eram normalmente doados ou emprestados por famílias abastadas que tinham se convertido ao cristianismo e que dispunham de espaços para realizar estes “cemitérios primitivos”.

As catacumbas foram desde o início adornadas com alguns símbolos, que eram naturalmente ligados às religiões pagãs, e é isso que eu adoro ir apreciar nestes fantásticos lugares: a transformação do simbolismo pagão no simbolismo da nova religião!

P1040009light - As Catacumbas de Domitilla
O “bom pastor”
Durante os séculos VIII e IX, as catacumbas foram abandonadas e a memória da sua existência ficou perdida na noite dos tempos, até o século XVI, quando foram casualmente re-descobertas!

 

P1040012light - As Catacumbas de Domitilla
Basílica, Catacumbas de Domitilla
Em particular, as catacumbas de Domitilla, perteciam à Flavia Domitilla, que era parente do Imperador Domiziano (81-96), que por sua vez não era “nem um pouco cristão”, aliás ele foi responsável por cruéis perseguições aos cristãos durante o seu reinado, e Flávia foi exilada na Ilha de Ventotene!
Relembro aqui, que as piores perseguições aos cristãos ocorreram sob Nero, Décio, Valeriano e Diocleciano.

 

P1040015light - As Catacumbas de Domitilla
Basílica, Catacumbas de Domitilla
Papa Damásio (305 – 384) mandou construir uma basílica no ano de 366 nas Catacumbas de Domitilla, que é o que vemos hoje quando descemos ao primeiro andar da estrutura hipogea. Depois do abandono do IX século, ela foi descoberta somente em 1902-1903, pelo Monsenhor Wilpert.
Interessante observar as incisões nas colunas na frente do altar, que formavam um cibório que continha no seu interior os espólios dos santos mártires soldados Nereu e Aquileu.

 

P1040019light - As Catacumbas de Domitilla
Basílica, Catacumbas de Domitilla

A estrutura da basílica foi reconstruída após a sua descoberta no século XX, e possui pequenas janelas no alto; entretanto, os arqueólogos que estudam estas catacumbas afirmam que a estrutura original possuía grandes janelas que iluminavam o seu interior.

O Hipogeu dos Flávios foi construído entre os anos de 390 e 395, remodelando (para não dizer “destruindo”) antigas estruturas existentes no interior destas catacumbas.

P1040026light - As Catacumbas de Domitilla
Hipogeu dos Flávios, Catacumbas de Domitilla
O hipogeu dos Flávios possui uma planta retangular em um dos corredores, onde acredita-se que na parte interna às catacumbas foram depostos os corpos de seus escravos; os loculi maiores, deveriam conter os espólios dos integrantes da família.

 

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Hipogeu dos Flávios, Catacumbas de Domitilla

Um dos afrescos mais interessantes que encontramos aqui é o de “Amor e Psiquê“, que são um ótimo exemplo de ponte iconográfica entre o mundo pagão e a aurora do mundo cristão: a alma se salva depois de provas árduas superadas durante a vida.

P1040090light - As Catacumbas de Domitilla
Hipogeu dos Flávios, Catacumbas de Domitilla

A vasta simbologia que encontramos nos afrescos e a história que estas paredes nos contam se tornam legíveis quando uma guia nos acompanha durante o emocionante percurso; estas linhas não são nada além de uma pincelada que tenta incentivar a visita às catacumbas, como parte fundamental de uma visita à Roma.

P1040128light - As Catacumbas de Domitilla
Pomba, afresco

 

P1040129light - As Catacumbas de Domitilla
Pomba, afresco

 

P1040146light - As Catacumbas de Domitilla
Basílica, Catacumbas de Domitilla

 

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Basílica, Catacumbas de Domitilla

 

P1040155light - As Catacumbas de Domitilla
Detalhe de túmulo, Catacumbas de Domitilla

Para compreender Roma são necesessários anos de estudo de arte, arquitetura e arqueologia e outros tantos anos para aprofundar este conhecimento e escrever artigos como este. Escolha uma guia profissional pois ela fará uma grande diferença na sua estadia.

De brasileiros para brasileiros na Itália: reserve aqui a sua guia de turismo que fala português
 
Entrada: € 8,00 ou € 5,50 (crianças)
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Basílica de Santa Maria Maior

março 7, 2014 by Patricia Carmo Baltazar Nenhum comentário

No ano de 452 foi construída a maior basílica dedicada à Virgem: Santa Maria Maggiore ou Santa Maria Maior em português (Basílica de Nossa Senhora das Neves, ou Basílica Liberiana – Basílica de Santa Maria Maior) que é hoje uma das quatro Basílicas Patriarcais.

 Basílica de Santa Maria Maior: história e arquitetura

 
Santa Maria Maior City Tour portugues - Basílica de Santa Maria Maior

Em 432, logo após o Concílio de Êfeso (que reconheceu a divina natureza de Cristo), o Papa Sisto III, comportando-se como um monarca, mandou construir essa basílica, consagrada no ano de 440.

Diz a lenda que a própria Virgem apareceu num sonho ao Papa Libério (segundo a tradição, o primeiro fundador desta igreja) e a um patrício chamado João, mandando construir uma basílica dedicada à ela. Tal basílica deveria ser construída “no lugar onde amanhecesse uma colina com neve”. Ora, era dia 4 de Agosto, um calorão, seria impossível que caísse neve em Roma naquele período. No dia seguinte, foi vista a neve sobre a colina onde vimos hoje a maravilhosa e imponente basílica de Santa Maria Maggiore.

A planta é original do V século (com 80m de comprimento por 35m de largura), mas a fachada, a decoração interna e as capelas foram constantemente ampliadas e restruturadas nos anos.

Decoração interior

Dividida em 3 naves e com uma dupla série de colunas iônicas. Entre 1288 e 1292, Nicolau IV empurrou a abside de alguns metros para trás, para dar espaço ao coro. As naves laterais foram remodeladas durante o renascimento pelo arcebispo da basílica, Cardeal Guillaume d’Estouteville na metade do século XV.

P1000221light - Basílica de Santa Maria Maior
Interior da Basílica de Santa Maria Maggiore, decoração enriquecida ao longo dos anos
P1000222LIGHT - Basílica de Santa Maria Maior
Detalhe de nós do pavimento cosmatesco

Mosaicos do interior da basílica

Estes mosaicos são considerados o primeiro ciclo de representações narrativas realizado no interior de uma igreja romana: sombras, degradês e representação fiel dos espaços e volumes, além da clara diferença entre o trabalho de figura e fundo nos mostram como a antiga pintura romana influenciou este trabalho.

Mosaicos do arco do triunfo – V século

O mosaico do arco do triunfo é também original do V século, já com uma grande influência bizantina. Representam cenas da infância de Cristo Redentor.

P1000224light - Basílica de Santa Maria Maior
Arco do triunfo na Basílica de Santa Maria Maior, foto minha

 

Mosaicos da abside – Jacopo Torriti

No mosaico da abside podemos apreciar uma obra-prima do grande maestro. Em ocasião do deslocamento da abside, no século XIII, ordenado pelo Papa Nicolau IV.

Baldaquino

Imponente baldaquino com colunas de pórfido vermelho, decoradas por motivos floreais em bronze de Fernando Fuga. É tão grande que esconde uma parte do mosaico da abside!

P1000214light - Basílica de Santa Maria Maior
Baldaquino, visto da parte inferior do altar, Santa Maria Maggiore
deco anjo abside - Basílica de Santa Maria Maior
Anjo, decoração na frente do baldaquino, Santa Maria Maggiore
P1000213light - Basílica de Santa Maria Maior
Imagem em mármore de Pio IX, aos pés do baldaquino
PioIX - Basílica de Santa Maria Maior
 Pio IX em seu mantô ricamente decorado por rendas, em mármore. Aos pés do baldaquino.
Embaixo do baldaquino, podemos ver a relíquia da igreja: um pedaço do comedouro onde Jesus foi depositado quando nasceu. Está numa caixa de vidro, com a estrutura em prata:
P1000209light - Basílica de Santa Maria Maior
Relíquia da Basílica de Santa Maria Maggiore

 

Piso

O pavimento cosmatesco é o original do século XII, das mãos de Ferdinando Fuga. Foi restaurado no século XVIII.

pavimento maggiore - Basílica de Santa Maria Maior
Detalhe do pavimento cosmatesco

 

Capela de Sisto V Peretti (1585-1591) – também chamada de Capela Sistina

Capela leva o nome do Papa que realizou inúmeros trabalhos de restauro em Roma durante o seu breve pontificado, transformando Roma em um grande canteiro de obras.

Batistério

O batistério é majestoso, um trabalho de Flaminio Ponzio durante o período barroco.

teto fondo fontebattesimale - Basílica de Santa Maria Maior

Basílica de Santa Maria Maior

Nave esquerda

Na nave esquerda, são duas as capelas que merecem ser vistas atentamente:
– Capela Sforza, planta de Giacomo della Porta, talvez originalmente um desenho de Michelangelo

– Capela Paolina.

Relíquias

Nesta basílica encontramos importantes relíquias: os espólios de São Mateus e São Jerônimo.

Santa Maria Maggiore pianta PT - Basílica de Santa Maria Maior
Planta baixa aproximativa da Basílica de Santa Maria Maggiore

Para compreender Roma são necesessários anos de estudo de arte, arquitetura e arqueologia e outros tantos anos para aprofundar este conhecimento e escrever artigos como este. Escolha uma guia profissional pois ela fará uma grande diferença na sua estadia.
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Endereço Basílica de Santa Maria Maggiore: Piazza di S. Maria Maggiore, 42

Horário de abertura: 07h – 19h

Como chegar na Basílica: A basílica fica a poucos minutos da estação Termini (metrô A e B). Os ônibus 16, 70, 71, 360, 649 e 714 passam aqui perto.

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Basílica São Paulo Fora dos Muros

fevereiro 19, 2014 by Patricia Carmo Baltazar Nenhum comentário

A Basílica São Paulo Fora dos Muros (em italiano San Paolo fuori le Mura, em latim Sancti Pauli extra muros) deve seu nome ao fato de estar fora dos muros aurelianos (o muro que protegia a antiga cidade, construído em ~275 d.C.) e ao fato de conter o corpo do Apóstolo Paulo, que chegou em Roma no ano de 61 d.C., e sofreu seu martírio em 67 d.C., na “palude Salvia”, a menos de 2 quilômetros da basílica.

“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse Amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.”

Apóstolo Paulo, Capítolo XIII, Epístola aos Corintos
4 - Basílica São Paulo Fora dos Muros
A fachada, depois da reconstrução do incêndio de 1823, foto de Cristiano
P1000604 - Basílica São Paulo Fora dos Muros
São Paulo com a espada no pátio da frente de São Paulo Fora dos Muros

 

P1000602 - Basílica São Paulo Fora dos Muros
As janelas de alabastro filtram a luz, criando uma atmosfera mística, São Paulo Fora dos Muros


O lugar onde hoje vemos a basílica era uma antiga necrópole romana e ali foi depositado o seu corpo, o mesmo que aconteceu com o corpo do Apóstolo Pedro.

Dado que a partir da morte de Paulo a sua tumba tinha se transformado em um lugar de culto, o Imperador Constantino mandou aumentar a Basílica, de modo que pudesse receber dignamente os tantos peregrinos que aqui vinham em peregrinação.

É importante ver esta igreja, pois ela nos permite ter uma visão do que deve ter sido a antiga basílica de São Pedro (também chamada de Basílica Constantiniana), antes que seus alicerces cedessem e o Papa Júlio II iniciasse a construção da nova basílica, em 1506.

3 - Basílica São Paulo Fora dos Muros
A nave central, foto de Cristiano
A superfície da basílica de cinco naves conta com as dimensões de 131,66 m de comprimento, 65 m de largura e 30m de altura e perde somente para a Basílica de São Pedro! A sua estrutura é sustentada por uma verdadeira “floresta” de colunas de granito, 80 no total.
Do IVº ao VIIIº século
 
Durante os séculos, os Papas nunca pararam de decorá-la e embelezá-la. Leão, o Grande (440-661) mandou realizar mosaicos no Arco do Trinfo, restruturar o teto; foi ele que mandou iniciar a série de retratos dos papas, tradição mantida até hoje, outra razão pela qual esta igreja é famosa. São 265 os retratos dos Papas que adornam o alto das naves e dos transeptos.
No século VI, o Papa Simmaco mandou construir um habitáculo para receber os peregrinos mais pobres. Desde o Papa Gregório II (715-731) temos a presença fixa de monges beneditinos nesta basílica; Leão III (795-816) mandou consertar os danos causados após o terremoto de 801.
1 - Basílica São Paulo Fora dos Muros
São Paulo com sua espada, foto de Cristiano
 
Do IXº ao XIº século
O Papa João VII (872-882) mandou erguer a cinta murária para proteger a basílica e a sua abadia e Gregório VII (pontificado de 1073-1085), que tinha sido abate aqui antes de se tornar Papa, mandou elevar o piso do transepto e construir um campanário (destruído no século XIX), além da maravilhosa porta de entrada, composta por 54 painéis de prata.
5 - Basílica São Paulo Fora dos Muros
Altar, foto de Cristiano
 
No século XIII a basílica se enriqueceu muito de obras de arte. Papa Honório III (1216-1227) mandou reconstruir o mosaico da abside (de 12 metros de altura por 24 de largura) e em 1285 Arnolfo di Cambio construiu o maravilhoso cibório:
 
baldacchino doppio - Basílica São Paulo Fora dos Muros
Cibório de Arnolfo di Cambio, fotos minhas
 
O famoso pátio:
 
patio SPII - Basílica São Paulo Fora dos Muros
Pátio, Basílica São Paulo Fuori Le Mura, foto minha
patio SP - Basílica São Paulo Fora dos Muros
Pátio, Basílica São Paulo Fora dos Muros, foto minha
patio SP detalhe - Basílica São Paulo Fora dos Muros
Detalhe de coluna do Pátio da Basílica São Paulo Fora dos Muros (Fuori Le Mura), foto minha
Neste século também foi realizado o candelabro pascoal de 6m, em mármore, inspirado pelos  antigos sarcófagos romanos, com incisões de histórias do Novo Testamento.
 
2 - Basílica São Paulo Fora dos Muros
Papa Francesco, foto de Cristiano
 
A partir do século XIV, com a volta da comemoração dos jubileus, a sua fama aumentou e muitos peregrinos têm vindo visitar a igreja desde então.
Gregório XIII  mandou construir o balaústre ao redor da tumba do santo e em 1600, Clemente VIII mandou elevar o altar maior. Em 1625 Urbano VIII financiou com o grande arquiteto Carlo Maderno a restruturação da Capela de São Lourenço.
No ano santo de 1725, Bento XIII pediu ao arquiteto Antonio Canevari para construir um novo  pórtico; além disso ele construiu a Capela do Crucifixo para expor o crucifixo em madeira policromática do florentino Tino da Caimano, do século XIV. Ainda hoje podemos ver nesta capela um mosaico do século XIII, bem como uma estátua-relíquia de São Paulo em madeira policromática que “sobreviveram” o incêndio de 1823.
P1000598 - Basílica São Paulo Fora dos Muros
Pátio, Basílica São Paulo Fora dos Muros, foto minha
O incêndio de 1823
Na noite entre 15 e 16 de Julho de 1823 um incêndio devastou a basílica, deixando em pé apenas o cibório e alguns mosaicos; o transepto ficou em pé por milagre. O Papa Leão XII se encarregou do enorme trabalho de restauro, com grande ajuda internacional: o czar Nicolau I doou blocos de lápis lázuli e malaquita, que foram utilizadas para decorar o transepto e o rei Fouad I do Egito  doou colunas e alabastro, com o qual fizeram as janelas, que filtram a luz e doam à esta basílica uma incrível atmosfera mística.
Em 1854, o Papa Pio IX consagrou a “nova” basílica em presença de vários cardeais e bispos que tinham vindo à Roma para a proclamação do Dogma da Imaculada Conceição.

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Visite São Lourenço Fora dos Muros: https://www.romaemportugues.com.br/basilica-de-sao-lourenco-fora-dos-muros/
sao lourenco guia de roma1 - Basílica São Paulo Fora dos Muros
Basílica São Paulo Fora dos Muros
Horário de abertura da Basílica de São Paulo Fora dos Muros:

– Abertura todos os dias das 07:00h às 18.30h, ingresso grátis.
– O pátio interno abre todos os dias das 08.00h às 18:15h, e o ingresso é de € 4,00 (meia-entrada: € 2,00).

Como chegar na Basílica de São Paulo Fora dos Muros:

– De Termini: Parada San Paolo Fuori Le Mura, metrô B (linha azul);  do rio Tibre: ônibus nº23.

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Quem eram os Cosmatas?

fevereiro 7, 2011 by Patricia Carmo Baltazar 1 comentário

Os Cosmatas (em italiano, Cosmati) eram os integrantes de uma família romana que teve 7 escultores, especialistas marmoristas, que atuaram por 4 gerações e viveram entre os séculos XII e XIV.

Quem eram os Cosmatas?

“Um viajante sem poder de observação é como um pássaro sem asas”
Muṣliḥ Eddin Saadi, poeta persa (1184 – 1283/1291)

São conhecidos pelos trabalhos arquitetônicos, pelas esculturas e decorações, mas sobretudo pelos mosaicos pavimentais polícromos com temas abstratos no interior das igrejas.

cosmatas pisos roma guia brasileira - Quem eram os Cosmatas?Santa Maria in Cosmedin, interior, close-up do pavimento

 

A habilidade manual desta família de artistas foi tão especial e marcante no seu tempo, que hoje se fala em um estilo “cosmatesco“, para indicar o estilo e ténicas desenvolvidos por eles e imitados em seguida por tantos.

Camillo Boito (arquiteto e escritor, 1836 – 1914)  foi quem usou pela primeira vez, em 1860, o adjetivo ‘cosmatesco’.

P1000041 - Quem eram os Cosmatas?
Santa Maria in Cosmedin, interior

 

Os seus trabalhos podem ser vistos em decorações de claustros, pavimentos, altares e ambões (espécie de mesa de presbitérios), que eram constituídos por um trabalho de pequenos azulejos muito sutis (“tasselli”, em italiano) de mármore e outras pedras muito rígidas, pasta de vidro e ouro formando temas geométrico-abstratos.

close up cosmedin2 - Quem eram os Cosmatas?
Santa Maria in Cosmedin, interior, close-up do pavimento

 

Guglielmo Matthiae, em Componenti del gusto decorativo cosmatesco (1952), afirma que todos os elementos desenvolvidos pelos cosmatas já se encontravam na decoração marmórea da Roma Imperial, defendendo a sua tese da origem romana (e não bizantina) da arte cosmatesca, com vários exemplos presentes nas seguintes basílicas: Basílica Inferior de São Clemente e Capela de S. Zenone, na Basílica de Santa Prassede (Via di Santa Prassede, 9, 00184 Roma), onde esta segunda representa um claro exemplo de decoração pré-cosmatesca, com o amplo disco de pórfido circundado por triângulos e o motivo xadrez entre estes e as faixas brancas de mármore que decoram o perímetro da igreja.

int cosmedin - Quem eram os Cosmatas?
Santa Maria in Cosmedin, interior com vista do cibório

 

A tendência a diminuir o tamanho das peças com os anos pode ter sido o resultado da dificuldade em encontrar lastras grandes inteiras ou simplesmente a pura maestria dos artesãos.

 P1000042 - Quem eram os Cosmatas?
Santa Maria in Cosmedin, pavimento

 

Outro fator que se soma à tese do desenvolvimento puramente romano da decoração cosmatesca segundo Matthiae, são os afrescos da apside da basílica paleocristã de São Crisógono (século IV, Piazza Sidney Sonnino), que os indica como linhas diretrizes seguidas pelos artistas marmoristas.

sancrisogono afresco - Quem eram os Cosmatas?
Afresco da Basílica de São Crisógono (parte subterrânea da basílica)

 

Internacionalmente conhecidos já no seu tempo, estes artistas foram chamados ao exterior e obras deles se encontram hoje na Abadia de Westminster, na Inglaterra e na Igreja românica de Gurk, na Áustria (Kärnten).

P1000056 - Quem eram os Cosmatas?
Santa Maria in Cosmedin, close-up lastra de pórfido vermelho

 

Os nomes dos marmoreiros da família dos Cosmatas

Aqui os nomes e as datas do período em que viveram:
Paulo (primeiro artista do qual temos notícia. Trabalhos entre 1100-1118), plúteos da Catedral de Ferentino

Lorenzo di Tebaldo (trabalhos entre 1162-1190)
Jacopo di Lorenzo (trabalhos entre 1185 e 1210)
Cosma di Iacopo (1210-1231)
Luca di Cosma (1234-1255)
Jacopo alter o di Cosma (1231)

Da família de Cosma di Pietro Mellini, os filhos de Cosma:
Deodato di Cosma (1290-1332)
Giovanni di Cosma (1293 e 1299)

O estilo cosmatesco foi também realizado por outras famílias artesãs, como os Vassalletto, dei Mellini, di magister Paulus e os di Rainerius.

P1000045 - Quem eram os Cosmatas?
Santa Maria in Cosmedin, Candelabro

Para compreender Roma são necesessários anos de estudo de arte, arquitetura e arqueologia e outros tantos anos para aprofundar este conhecimento e escrever artigos como este. Escolha uma guia profissional pois ela fará uma grande diferença na sua estadia.

Onde ver os trabalhos dos Cosmatas em Roma

– Basílica de Santa Maria Maggiore
– Santa Maria in Cosmedin
– Basílica di San Clemente
– Igreja de San Benedetto em Piscinula
– Basilica di San Crisogono
– Basilica di Santa Croce in Gerusalemme
– Basilica dei Santi Quattro Coronati
– Basilica di Santa Maria in Aracoeli
– Basílica de São João em Latrão
– Basílica de São Paulo fora dos muros
– Capela Sistina

interno cosmedin3 - Quem eram os Cosmatas?
Santa Maria in Cosmedin, pavimento com lastra grande de pórfido vermelho
 
Em Tivoli:

– Santa Maria Maggiore
– San Pietro alla Carità.

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Sobre mim

Olá, eu sou a Patricia e me apaixonei por Roma em 1994, quando ainda era uma estudante de Artes Plásticas em Hamburgo. Desde então fiz várias viagens para estudar a Cidade Eterna e em 1998 me mudei para cá. No Turismo estou desde 2007, quando comecei a trabalhar com alemães. Sou guia credenciada em Florença e Roma e este blog é um elogio muito pessoal sobre a minha paixão pela cultura Clássica. Na minha equipe trabalham as melhores guias que falam português nas principais capitais italianas, escolhidas a dedo por mim ao longo dos anos.

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