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bate e volta, guia de turismo na Italia

Pompei e Ercolano para quem está em Nápoles

março 4, 2012 by admin 3 Comentários

POMPEI E ERCOLANO (escursão de 7 horas, incluídos almoço e ônibus para locomoção)

Escreva para reservas de grupo e maiores informações para patcarmobaltazar@gmail.com. Visitas guiadas também no centro de Nápoli e no Museu Arqueológico Nacional.

pompei afresco - Pompei e Ercolano para quem está em Nápoles
Afresco em Pompei

Quando você estiver comodamente hospedado em Nápoles, aí vai uma sugestão de excursão que dura 7 horas para fazer à Pompei e Ercolano, com guia que fala português.

Pompei é, como já mencionei em outros posts, sem dúvida, a cidade romana mais famosa no mundo. Enterrada nas cinzas da explosão do Vesúvio de 2000 anos atrás, foi trazida à luz no século XVIII depois de uma longa e paciente operação de escavos.
O material lávico que a cobriu, a protegeu da degradação, conservando-a praticamente intacta. Assim, Pompei sobreviveu às mudanças dos tempos, representando um importante marco na história da arqueologia, pois pela primeira vez foi possível realizar estudos e reconstruir em maneira absurdamente precisa a estrutura urbana e a vida social da Roma Antiga.

Saiba mais sobre a história de Pompei no post: Pompei

pompei - Pompei e Ercolano para quem está em Nápoles

Pompei e Ercolano

Ainda hoje Pompei oferece um espetáculo único e inesquecível ao visitante. Dada a extensão da cidade antiga, é possível oferecer diferentes percursos, de acordo com a curiosidade de cada um.

Os meus colegas de Nápoli, com um alto nível de formação e uma boa dose necessária de paixão pelo que fazem, acompanham viajantes de língua portuguesa há anos. O percurso clássico segue pelo Teatro Grande, Teatro Piccolo, pelas Botteghe (oficinas), casas privadas, com seus afrescos e mosaicos em excelente estado de conservação, as ruas principais, as Lupanare (bordéis), as Termas, o Foro, os Templos, os moldes em gesso, a Basílica, até a Porta Marina.

Este percurso dura cerca de 2 horas.

No final da visita, você tem tempo livre para comprar souvenires, caso queira, e logo depois segue-se para um delicioso almoço em restaurante com comidas típicas locais.

pompei afresco 2 - Pompei e Ercolano para quem está em Nápoles

Depois vamos de ônibus à Ercolano, onde iniciaremos o segundo percurso guiado do dia, que também dura 2 horas.
Ercolano é uma outra cidade de época romana do litoral. Menorzinha de Pompei, foi enterrada embaixo de um verdadeiro mar de lama durante a erupção do Vesúvio… mas foi este mar de lama que, ao solidificar-se, surpreendentemente a conservou! As casas privadas de Ercolano tem uma melhor qualidade de conservação pelo fato do “estrago original” ter sido muito maior: afrescos e decoraçoes em madeira de dois mil anos atrás encontram-se hoje para o visitante, praticamente intactos!

Ercolano era um lugar onde as famílias abastadas tinham as suas casas de veraneio, por isto não veremos lá edifícios públicos, como em Pompei.

Com a orientação do meu amigo e guia de Pompei, o teu olhar vai ser direcionado e educado para perceber as coisas mais curiosas deste singular sítio arqueológico. Da ponte de entrada, você vai entender a estrutura da cidade, as várias fases da destruição da lava e a tardia descoberta da antiga cidade. Vão visitar as termas, o Collegio dos Augustais e as mais belas casas nobres , com mosaicos em mármore e pasta vítrea, afrescos soberbos e o porto da cidade antiga, além do túnel cavado no interior da lava que cobriu a cidade.

pompei rua - Pompei e Ercolano para quem está em Nápoles
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Castel Gandolfo, guia de turismo na Italia

Os arredores de Roma – Região dos lagos

fevereiro 16, 2012 by admin 1 comentário

Quem vem pela primeira, segunda ou terceira vez pode deixar de lado excursões nos arredores de Roma e aproveitar de lugares pitorescos que sao muito fáceis de chegar, onde você encontra ótimas tratorias (“fraschette”), e naturalmente bebe um ótimo vinho!

P1070677 - Os arredores de Roma - Região dos lagos
Lago de Albano nos arredores de Roma

Minhas amigas fotografadas por mim com o Lago de Albano no fundo – não é lindo?

A região dos lagos se localiza a sudoeste de Roma e seu solo é de origem vulcânica. Esta zona já era amada pelos antigos romanos durante o verão, já que dada à altitude, o ar é mais fresco do que na planície, e por isto muitas mansões de nobres em fuga do calor tórrido romano foram construidas por aqui naquele período.

O Imperador Caligula organizava batalhas navais no Lago de Nemi (que em latim quer dizer “bosque”), e que é hoje conhecido pelos “funghi”, morangos silvestres e pelo Museu com as naves do imperador, encontradas em torno à Primeira Guerra Mundial (Museo delle navi romane di Nemi). É uma delícia sentar nas mesinhas de um café e admirar esta paisagem maravilhosa do lago e do mar Tirreno ao longe.

mesinhas - Os arredores de Roma - Região dos lagos
Lago de Nemi, nos arredores de Roma

Mesinhas na frente do lago de Nemi – olhem que linda a luz do por-do-sol!!!

Site oficial do Museu: http://www.comunedinemi.it/jvframe_turismo.html?museo.html
Abertura: todos os dias 9.00-19.30; domingos: 9.00-13.00
Endereço: Via del Tempio di Diana, 13
00040 Nemi
tel. 06 939 8040 – 06. 9419665

Nesta zona, também podemos nos deliciar com uma visita a Castel Gandolfo, onde o Papa tem a sua residência de verão – como eu disse, vale a pena sair de Roma para as colinas pegar um pouco de ar fresco!
Nao é permitida a entrada de carros, então o deixamos no estacionamento, caminhamos em direção à entrada da cidade e subimos uma ladeirona íngrime para chegar na praça central, onde damos de cara com a entrada do pálacio papal. À direita temos a Igreja de Sao Tomas de Vilanova do Bernini. Antes da igrejinha, podemos virar na ruazinha em descida, também à direita, para ter uma visão fantástica do lago de Albano lá embaixo. O lago hospedou as competições de caiaque nas Olimpíadas de Roma de 1960! Em 396 a.C., os antigos romanos tinham construido o “emissario” do lago, um canal que desviava a água do lago para a moagem de milho, e até para alguns banheiros públicos da regiao! O palácio do Papa foi construído perto de restos da mansão do Imperado Domiciano ( 24 Outubro 51 – Roma, 18 Setembro 96).

“Estrela da zona” é a “Porchetta di Ariccia”, um porco feito no espeto com ervas aromáticas: simples e saboroso, genuinamente italiano!

NEMI4 - Os arredores de Roma - Região dos lagos

Olhem a Christina no fundo saboreando o seu sanduíche! Ah! voce pode comer em restaurantes, no prato, ou um simples “panino” (sanduiche), como um lanche.

Uma sugestão para este dia é almoçar em Frascati. Existem inúmeras opções com preços muito bons e comida típica e genuina da região! Quando chegar lá, vai notar uma enorme construção que virou um Museu: trata-se da Villa Aldobrandini… isto é, dos estábulos da mansão desta família, o que nos faz pensar que se os cavalos viviam assim, imaginem a família de sangue azul!

Depois do almoço, subimos no carro e vamos visitar a Abadia de Grottaferrata (Crypta Ferrata em latim), fundada por Nilo da Rossano no ano de 1004. Sabe que é a última que sobreviveu os tempos com rituais bizantinos na península italiana?

Se visitar a zona no período do mes de Junho, ainda temos a chance de dar uma olhada na infiorata de Genzano, manifestação cultural importante onde “maestros floreiros” desenham quadros famosos com flores na rua principal da cidade. É imperdível! Podemos ter uma idéia do que estou dizendo olhando as fotos deste peculiar evento no site oficial da cidade: www.infiorata.it

Que delícia de passeio! Reserve este dia conosco!

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guia de turismo na Italia, viagem na italia

A cidade eterna: Roma

janeiro 11, 2012 by admin 2 Comentários

Por que ir à Roma, a Cidade Eterna?!

“Só em Roma é possível compreender Roma. ”

Johann Wolfgang von Goethe – Viagens à Italia (1816)
 
natale by mea - A cidade eterna: Roma

Piazza Veneza, por Carlo Mea (instrutor de Yoga Método De Rose em Roma)

Por que Europa? Europa geografia, Vaticano, exército romano, todos conheçemos um lado, um pouco, Europa berço da civilização, berço do cristianismo

Por que visitar a Itália?

Todos nos sabemos um pouquinho sobre a ela: é de lá que vem a nossa cultura, foi lá que nasceu o Cristianismo, Roma foi a capital de um dos maiores impérios que o nosso planeta ja viu, o latim e o grego são a origem da nossa língua!

MACARRAO - A cidade eterna: Roma
Pasta con porcini: hmmmmm!

Quando era uma jovem estudante de Artes Plásticas na Alemanha, todos os professores amavam a Itália e nos incentivavam a ir explorá-la.

Foi numas férias de verão que fui parar na Suíça, na casa de uma artista brasileira que mora la, e por acaso conheci uma pessoa que estava indo comprar materiais para fazer chapéus na costa do Adriático. Ela me ofereceu “uma carona” para atravessar os Alpes e achei que tinha chegado o grande momento. O percurso dela seria sair de Genebra, ir a Milão, Firenze, e lá nos nos despediríamos e ela iria em direção ao Adriático e eu tomaria um trem para Roma.

No carro, a amiga, que era brasileira de origem italiana, ia me dando aulas de italiano e contando o que eu tinha que visitar na próxima parada. Em Milão ficamos uns 2 dias. Como todos os jovens estudantes, me hospedei num albergo da juventude, o mais barato que se pode encontrar, e de dia fui ver o Duomo. Naquele período tinha um discman, isto é, ainda não existiam os ipods e eu ouvia música de cds, e estava com uma fixação pela “Stabat Mater” de Pergolesi. Colocava aquilo nos ouvidos de manhã, apertava “repeat”, e ia assim o dia inteiro, com pequenas pausas para comprar os tickets para os ônibus, o sanduíche (panino em italiano) e a água para o almoço. Coisa de gente doida, né?! Mas eu não fazia mal a ninguém, estava de férias e tinha que solidificar os meus conhecimentos sobre o berço da Arte – sim, por que toda a base da Arte dos nossos dias é intimamente ligada à arte cristã. Eu estava para mergulhar num mundo que nem imaginava que poderia me interessar um dia!

ss frecoes - A cidade eterna: Roma
Afrescos em Santo Estevão Rotondo na Cidade Eterna

Depois de um mês, ja estava craque: crucifixao ao contrário: S. Pedro; santo com flechas no corpo, S. Sebastião; já tinha até elegido a minha cena preferida da Bíblia, que era a Anunciação! Adorava o anjinho que vem à Maria com uma flor de lírio nas mãos, símbolo de fé e esperança, para dizer que ela vai ter um filho de Deus. E aí entao estava bem encaminhada para entender toda a simbologia do cristianismo do Renascimento que ia ver em Roma – a Cidade Eterna!
Palazzo Sforzesco (pietà Rondanini), a última ceia de Leonardo (que precisa rservar com antecedência!), La Pinacoteca di Brera, os Navigli.

Em Milão foi bem rápida a parada, pois a amiga ia ficar só dois dias; nos demos um lugar marcado para a partida e la nos fomos para Firenze. Esta viagem foi bem divertida. Ela conhecia bem mesmo Firenze e estava preocupadissima comigo, para que eu aproveitasse o máximo! Quanto às igrejas, disse para visitar, além do Duomo , “Santa Croce” e “Santa Maria Novella”. Giardini di Boboli e sorvete no Ponte Vecchio. Os Ufizzi, o Davi e os escravos de Michelangelo, Palazzo Pitti e Piazza della Signoria. “Ah, e quando os italianos te encherem o saco na rua, responda ‘Lascia perdere!’, assim te deixam em paz e vêem que vocè nao é boba e fala a língua deles”. Achei ótimo isso, pois estava na Alemanha ja faziam dois anos e tinha me esquecido como se comportavam os latinos na rua.

Ainda nao entendia por que ela se preocupava tanto que eu comprasse o meu sanduíche no lugar que ela tinha indicado com tanta precisão…pois é, só depois de um pouco de tempo na Itália é que voce “afina o paladar” e começa a entender o valor dessas coisas. E isso veio bem depois e com o tempo: quando tive a sorte de morar com um casal de amigos mais velhos, Maria Vittoria e Nicola, toscanos e de ótimo gosto! Mas mesmo assim, durante a viagem, tentava seguir as indicações da amiga!

Chegando em Firenze, “vi o que tiha que ver”, nos despedimos e depois de 3 dias bem aproveitados, segui de trem para Roma… Roma…, a Cidade Eterna,  aquela cidade que tinham me contado tantas histórias… aquela cidade que é tão grande que é a nossa própria história!

Cheguei dia 1° de Julho – ninguém merece chegar em Roma naquela data pelo tanto de calor que faz – utilizei a mesma estratégia estudantesca que tinha utilizado até então: procurei o albergue da juventude e fui deixar as minhas coisas para explorar a cidade. Girando, girando, fui parar no correio, para comprar um cartão telefônico e estava procurando um quartinho para alugar, pois tinha a sensação que ia ficar até o final das férias. Enquanto tentava decifrar o jornal “Porta Portese” em italiano e chegava à óbvia conclusao que a língua é muito parecida, mas é muito diferente da nossa, conheci por acaso na fila um professor de italiano chamado Roberto Tartaglione, que disse que sabia de uma senhora que alugava quartos, pois ele recebia muitos estudantes gregos e tinha que saber aonde acomodá-los. Assim, saí do correio com a promessa de um quarto e de aprender italiano na escola dele, que eu recomendo: Scudit, Scuola d’Italiano Roma, site www.scudit.net.

Quando fui ver o quarto, o professor me deu uma carona de moto e descemos a Via Nazionale, passando pela Piazza Venezia, para entrar na Via del Corso e chegar na Via della Croce. Bom, neste percurso de 15 minutos, até o ser humano menos interessado por Roma, a Cidade Eterna, pela história da humanidade, ficava chocado com a beleza e o charme da cidade! O quarto era ca-rís-si-mo, mas como eu ia ficar um mês lá, valia a pena e paguei 700.000 liras em 1997!

Estava então acomodada bem perto da Piazza di Spagna, num predinho velho, caindo aos pedaços e o apartamentinho nao fugia à regra, e caía aos pedaços também. Lá moravam 4 garotas islandesas bem mais jovens do que eu, que era ainda muito jovem naquele período! – as futuras colegas de república, que matavam aula de italiano sempre (eu não!), ficaram logo minhas amigas e me levaram logo para ver o Pantheon na primeira noite; aliás, elas estavam me levando num barzinho que se chamava Jonathan’s Heart, atrás da Piazza Navona, perto da Piazza del Fico, mas passamos na frente do Pantheon, t-o-d-o iluminado – que encanto de cidade, eu pensava!

Todo mundo na escola de italiano me perguntava se eu ja’ tinha visto a Fontana de Trevi, mas eu não sabia onde estava e fazia questão de caminhar sem mapa: outra coisa de gente doida; sabia que era no caminho de casa para a escola. Como o calor naquele período do ano é infernal – mas gente, infernal significa não poder sair de casa das 11 às 5 da tarde – eu saia bem cedinho para subir a Via Nazionale e, com intenção de me perder, um belo dia dou de cara de surpresa com a Fontana de Trevi. Eram 6 da manhã, tinha somente uns quatro policiais na rua, todas as lojas fechadas….que experiência! Realmente é o horario perfeito para passear por Roma! Quanto riram de mim depois, quando contei que tinha ido para lá naquele horário…

Fui ver uma grande retrospectiva de Caravaggio no Museu da Piazza Venezia e quanto aquela pintura me impressionou! Mais do que os Boticelli, os Michelangelo e outras maravilhas que tinha visto… foi o início de uma grande paixão! A mostra era bem completa e começava com a pintura da “La Buona Ventura”, passando pelo “Baco doente”, até a incrível composição da “Deposição do Cristo sobre a Cruz”. Que sorte aquela expo bem naquele momento!

As aulas iam, e eu me enrolei muito com a gramática no começo – como sempre! Fazia confusão com o resquício de espanhol que nunca tinha formalmente aprendido, mas ia passando os exames e fazendo amizade com os professores.

Uma coisa que aprendi bem cedo sobre a vida romana dos dias de hoje é o amor pelas manifestações políticas. A primeira que Lucia e Roberto me convidaram para ir, era contra as experimentações nucleares do então presidente francês Chirac. E em grande estilo o povo italiano encheu a Piazza Farnese (do lado de Campo de Fiori) onde tem a Embaixada Francesa e dançou, tomou vinho e protestou! Foi uma verdadeira festa!

demo - A cidade eterna: Roma
Uma manifestação no verão passado, na Piazza Navona – Roma, a Cidade Eterna

 

agua - A cidade eterna: Roma
Beba sim das fontes de Roma, a Cidade Eterna!

Fiquei muito amiga de Lucia, que até depois de muitos anos casou com um cara de Hamburgo, onde eu estudava, e adotou dois filhos. Infelizmente ela morreu de câncer nao muito tempo depois… era uma pessoa fantástica!

Daquele periodo selvagem, eu me lembro de estar sentada no meu quarto estudando italiano, saindo pra bater perna no final da tarde, comendo bolachas com mel, passeando pelo estranho bairro Copede, pelo Forum, São Pedro e sentindo falta da Arte contemporânea e da eficiencia alemã.

Até que o mês acabou, eu fiquei em Roma, mas tive que mudar de quarto, por que aquele era muito caro! E fui parar na Via Chiana, perto da Villa Ada. Mas isso é um outro post!

E você, por que quer visitar Roma – a belíssima Cidade Eterna?

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A alma de Trastevere

janeiro 2, 2012 by admin 3 Comentários

Visitar Trastevere  é muito mais do que “o bairro boêmio de Roma”. Trastevere entrou a fazer parte da cidade como a 14° região durante o principado de Augusto, há dois mil anos atrás; é o bairro dos estrangeiros por excelência e tinha uma grande comunidade de cristãos na aurora do Cristianismo.

IMG 1046 - A alma de Trastevere
 A turma da Arlene e da Carla no Gianicolo com a nossa grande guia Michela! 

Eu moro em Trastevere desde 2002 e tentei resumir aqui os pontos principais.

Trastevere, fatos históricos importantes

nite life oscar marin - A alma de Trastevere
Foto de Oscar Marin


Originalmente, no VIII séc. a.C., Trastevere (além do rio Tevere) não pertencia à  Roma, pois Roma não existina ainda e quem morava aqui eram os Etruscos. O Imperador “Augusto” ( 27a.C.-69d.C.) foi quem anexou Trastevere à  cidade de Roma como o 14° bairro da cidade, depois de séculos. 

Perto da Praça San Cosimato, (ótima Pizza em lugar tipo “boteco” no “Obitorio”, Viale Trastevere n° 53) ele mandou construir uma espécie de poço onde organizava batalhas navais (como a Piazza Navona, por exemplo). Durante o período imperial este bairro era habitado por judeus e sírios. Já que esta zona ficava no caminho do porto de Ostia, e também abrigava o famoso porto de Ripa Grande (perto de Porta Portese).  Trastevere foi se enchendo de artesãos e comerciantes, especialmente de comidas (vinhos e azeites, veja a fontana dedicada a estes comerciantes na Ponte Marmorata).

interior jimforest - A alma de Trastevere
Foto de Jim Forest


Quando o Imperador Aureliano construiu os muros que possuem o seu nome e englobaram o centro da cidade no III século, Trastevere foi incluida e ganhou três portas: a Porta Settimiana (onde voce toma o ótimo cappuccino de Alessandro no Bar Settimiano) como entrada ao Norte; a porta Aurelia a  Oeste; e a Porta Portuense (hoje San Pancrazio) ao Sul.

1 - A alma de Trastevere
Uma imagem da Porta Settimiana de noite

 

Santa Maria em Trastevere foi a primeira igreja de Roma dedicada à  mãe de Jesus e foi construida no séc III. O aspecto que vemos hoje em dia foi dado por Inocêncio II, no séc XII. No seu interior existe uma imagem da Virgem que provavelmente “nao foi pintada por mãos humanas” (Imago Sanctae Mariae quae per se facta est) no século V-VI, e que muito provavelmente tem uma origem hebraica. Diz a lenda que no dia do nascimento de Jesus uma fonte de óleo (Fons Olei, símbolo da luz) jorrou improvisamente naquele lugar. O evento foi interpretado como a “Graça de Cristo que chega ao Mundo”.

Trastevere Medieval


Não perca o maravilhoso mosaico do altar, feito por Pietro Cavallini em 1291, que conta a vida de Maria em seis imagens.

Seguem representações de Maria con S. Pietro, S. Paulo e o cardeal Bertoldo Stefaneschi, ajoelhado na frente de Maria. O cardeal ordenou o mosaico ao artista e muito provavelmente mandou restaurar o mosaico da façada. Curiosidade Romana: as quarenta e oito colunas desta igreja vem das termas de Caracalla.

mosaico afresco santa trastevere - A alma de Trastevere
Ábside de Santa Maria em Trastevere


Os habitantes de Trastevere são um povo à parte dentro da cidade de Roma: tem um humor rápido e sarcástico, com a piada sempre pronta na ponta da língua, são humanos e solidários; viver aqui é como viver numa cidade do interior dentro de uma cidade grande!


As poesias em dialeto romano nasceram aqui da boca de Sallustri, que deu o nome em forma de anagrama à  Piazza Trilussa..


6 - A alma de Trastevere
Entrada do Jardim Botânico, no Largo Cristina di Svezia


Aos domingos, não perca a oportunidade de ir ao mercado de Porta Portese e fazer compras. Para quem gosta de brechós, é uma excelente oportunidade para comprar roupas usadas em bom estado por preços que começam em € 2! Eu normalmente entro pelo lado de Porta Portese lá pelas 9 e já comprei calça de linho por € 5!

 

O que ver em Trastevere:


– Villa Farnesina – Endereço: Via della Lungara, 230 – leia o post sobre os afrescos da vila aqui: https://www.romaemportugues.com.br/villa-farnesina-afrescos/


guia roma portugues trastevere - A alma de Trastevere

A maravilhosa Villa Farnesina


E’ uma construção do início do séc. XVI, de Baldassare Peruzzi, realizada para o banqueiro senese (de Siena) Agostino Chigi. Vale a pena ver os afrescos do ciclo da História de Cupido e Psiquê”, realizado por Apuleio, Rafael Sanzio e seus alunos (Raffaellino del Colle, Giovanni Francesco Penni, Giulio Romano e Giovanni da Udine); o “Trionfo di Galatea”; a “Sala das perspectivas”.


Amor psique Villa Farn - A alma de Trastevere
Sala com os afrescos de “Vulcão” da Villa Farnesina, foto de Silke Baron


Logo no final da Via della Lungara, depois do Arco di Settimiano à esquerda, na Via di Santa Dorotea n. 20, vemos a janela decorada com tijolinhos.

Horário de abertura: Todos os dias das 9 às 13, menos Domingos e feriados (último ingresso às 12:40).
Preço ingresso: € 5,00

Para fazer um passeio com uma guia em português que te mostre todos os cantos e segredos de Trastevere, entre em contato através deste formulário para receber o quanto antes um itinerário e orçamento de passeio com guia particular.

– Galleria Nazionale d’Arte Antica in Palazzo Corsini – Endereço: Via della Lungara, 10
Foi a “choupana” de Christina da Suécia em Roma, que se converteu do luteranismo ao cristianismo, em 1659, renunciando à coroa para evitar de se casar com um cara que ela não tinha gostado de jeito nenhum, mas que a família dela queria tanto…

Em 1883 o prédio com as obras de arte do seu interior foram vendidos ao Reino da Itália, formando a primeira Galeria de Arte Nacional Italiana. Vale a pena ver: o Trítico do Giudizio, de Beato Angelico, Madonna col Bambino de Andrea del Sarto, Sacra Familgia de Fra’ Bartolomeo, San Giovanni Battista de Caravaggio (!), um estudo de busto de Pieter Paul Rubens entre outras preciosidades!


Vista Corsini - A alma de Trastevere
Vista do Palazzo Corsini, foto de Jason Whittaker


Horário abertura: De 3a à Domingo, das 9 às 19.30. A bilheteria fecha às 19.00 (não chegue tão tarde!) – fecha 2as feiras, como quase todos os museus do mundo.

Preço ingresso: € 4


Bed&Breakfast em Trastevere:


galata1 - A alma de Trastevere
O quarto “Galata”

 

17b - A alma de Trastevere
Banheiro Gálata
 
soggiorno2 - A alma de Trastevere
Ambiente original em cozinha comum do Bed and Breakfast em Trastevere!

Podemos também fazer um Tour gastronômico em Trastevere.

Igreja com missa aos domingos em Português: Santa Maria della Luce na Via della Luce. Domingos, 17.30

Sorvete em Trastevere, para mim o melhor de Roma neste momento (update 2016): Gelateria del Viale, da Mary de Caravaggio

Sabe o que mais em #trastevere? Santa Cecília

E se você já conhece Trastevere, venha desvendar Testaccio ou o delicioso bairro Monti!

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Termas de Caracalla

outubro 7, 2011 by admin Nenhum comentário

As Termas de Caracalla (cujo nome oficial era “Thermae Antoninianae“). Construídas entre 212 e 217 d.C., as ruínas destas termas merecem ser visitadas pelo seu tamanho e excelente estado de conservação!

 

 

“Banhos, vinhos e amores: acabam com o nosso corpo, mas são a essência da vida… banhos, vinhos e amores”

epitáfio em tumba romana

Arqueologia em Roma: As Termas de Caracalla

terme Caracalla - Termas de Caracalla

Nas casas das famílias mais ricas na Roma Antiga no III século a.C. ja existia a possibilidade de se “lavar”. O famoso “banho de gato” era feito com uma certa frequência, mas a lavagem total do corpo parece que acontecia uma vez a cada 9 dias, quando tinha o “mercado” (feira) – sendo muito frequente durante o verão nos lagos e rios.

Caracalla Marcelo1 - Termas de Caracalla
Essas ruínas são o que a gente vê hoje – foto de Marcelo, que ama Roma e fez comigo o passeio noturno

 

História e arquitetura das Termas de Caracalla

A dimensão monumental deste complexo è de 337m x 328m, numa área de 20 héctares, com capacidade pra acolher até 1.500 pessoas! E toda essa multidão estava lá só pra tomar banho?! Não, como sabe-se, os romanos eram bons vivans, e além de 3 piscinas (inclusive uma de água quente!), área para ginástica, sauna, 2 bibliotecas, jardins bem cuidados… bebia-se vinho, homens ricos fechavam negócios, faziam-se massageear e prostitutas circulavam por aquelas bandas também…

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Mosaico do interior das Termas de Caracalla

O preço da entrada era de 1 quadrans ( 0,75 euro) e as mulheres também podiam frequentar as termas, pagando um preço um pouquinho mais alto… em algumas estruturas, homens e mulheres tinham áreas separadas, ou em outros casos, horários diferentes.

Tours guia portugues Roma Caracall mosaicoa - Termas de Caracalla
 Mais mosaicos do interior das Termas de Caracalla

Durante o período Imperial, este modo de diversão se tornou muito popular e ir às termas virou um hábito quotidiano dos romanos, que logo foi utilizado pelos os políticos como estratégia para ganhar votos, através do pagamento da gestão das estruturas ou fazendo com que a entrada fosse gratuita.

Caracalla Marcelo2 - Termas de Caracalla
Termas de Caracalla, foto de Marcelo

Embaixo das Termas de Caracalla encontrou-se uma enorme rede de túneis, através dos quais os carros com os cavalos forneciam a legna para o aquecimento das piscinas de água quente, e também o maior Mitreu da cidade de Roma – talvez seja o maior do inteiro Império!

Tours guia portugues Roma Caracalla 1 - Termas de Caracalla
Instalação de Pistoletto no interior das Terma

No ano 538, os Godos de Witigis danificaram os acqueodutos que fornivam água às termas e desde então a estrutura fechou.

Para fazer um tour na Itália com guia em português não hesite em escrever para Guia Brasileira em Roma para pedir seu orçamento. 

Caracalla Marcelo3 - Termas de Caracalla
Termas de Caracalla, foto de Marcelo

Mas se você gosta mesmo de arqueologia, não perca a oportunidade de visitar com uma guia de turismo o Teatro de Ostia Antiga e a cidade onde ele foi construido! https://www.romaemportugues.com.br/ostia-antiga/

Para compreender Roma são necesessários anos de estudo de arte, arquitetura e arqueologia e outros tantos anos para aprofundar este conhecimento e escrever artigos como este. Escolha uma guia profissional pois ela fará uma grande diferença na sua estadia.

turismo roma ostia arqueologia restaurante - Termas de Caracalla
“Restaurante”na cidade de Ostia Antiga
capitolio ostia antiga guia De roma - Termas de Caracalla
 Capitólio de Ostia Antiga

Endereço:
Viale Terme di Caracalla, 52

Horário:
– de 1 Setembro ao 30 Setembro: 9-19:00
– de 1 Outubre ao sábado antes do último domingo do mês de Outbro: 9-18:30
– último domingo de Outubro ao dia 15 de Fevereiro: 9-16:30
– do dia 16 Fevereiro ao dia 15 Março: 9-17:00
– do dia 16 de Março ao sábado antes do último domingo do mês de Março: 9-17:30
– último domingo do mês de Marzo ao 31 de Agosto: 9-19:30

Entrada: 2013 : € 7,00 (venda de tickets acaba 1 hora antes do horário em que fecha o sítio arqueológico)
Ônibus: 118 – 160 – 628  ou Metrô Linha B, parada Circo Massimo

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Circo Máximo

fevereiro 4, 2010 by admin 3 Comentários

O Circo Massimo (Circo Máximo) é um antigo circo romano, onde aconteciam corridas de cavalos. Está localizado num vale entre as Colinas Palatino e Aventino. Dada à sua superfície plana, muito provavelmente este espaço serviu como lugar para o antigo mercado onde gregos e etruscos comerciavam.

Circus+Maximus+Imperial+Palace+Septizodium - Circo Máximo

Circo Máximo em Roma, reconstrução 3D

Reconstrução do Circo Máximo pelo grande Prof Bernie Frischer

Acredita-se que as primeiras arquibancadas foram construídas pelo rei Tarquinio Prisco, no VI séc a.C.. As estruturas eram feitas naquele tempo em madeira e eram móveis. No I séc a.C. Júlio César investiu muito no Circo Máximo, construindo estruturas fixas com tijolos e cal que deram a aparência que chegou até nós. O circo media 621m de cumprimento e 118m de largura, com capacidade para 250.000 espectadores.

Relembro que a profissão de guia de turismo na Itália é regulamentada, portanto é necessário que o profissional escolhido seja um GUIA  – e não ACOMPANHANTE – credenciado.

Circo Massimo Passeios ROma POrtugues - Circo Máximo

Circo Máximo com céu dramático no aniversário de 2770 anos de Roma

A corrida de bigas (superfície com rodas puxada por dois ou mais cavalos, “quadrigas”) era uma das competições esportivas mais populares do mundo antigo grego e romano. Este esporte era muito perigoso seja para os cavaleiros que para os cavalos, que corriam o risco de graves acidentes ou até mesmo de morte!

Os espectadores amavam muito este espetáculo, que assistiam fervorosos; era qualquer coisa muito parecida com uma corrida de motos ou de fórmula 1 de hoje em dia. Até mesmo a organização da corrida de bigas tinha algumas semelhanças com as nossas corridas de hoje: o modelo romano contava com várias equipes, cada um com seus patrocinadores e lutavam para possuir o melhor cavaleiro no próprio time. O objetivo era dar 7 voltas (mais tarde 5) ao redor da pista. Bater nos carros adversários para distraí-los era proibido, mas acontecia.
Naturalmente, os espectadores torciam cada um para o seu time, apaixonadamente, e às vezes dava briga entre as torcidas (soa familiar?!).

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A potência que os jogos exerciam nas multidões foi notada pelos governantes e foi manipulada politicamente, ampliando o significado meramente desportivo inicial do evento. Os imperadores procuravam controlar o evento e existia uma casta de empregados públicos que seguia ferreamente as vicissitudes das corridas.

City+View+RR+2 - Circo Máximo

Circo Máximo de Roma

Dimensões importantes do Circo Massimo na Roma Antiga, 3D do Prof Bernie Frischer

Não sabemos exatamente quando o Homem iniciou a competir sobre os cavalos; supõe-se que a corrida pode ser tão velha quando a invenção da própria biga. Testemunhas iconográficas em formas de afrescos nos informam que este esporte já era praticado na época micênica (Idade do Bronze no Mar Egeu, em torno a 1600 a.C. e 1050 a.C.).

O primeiro episódio escrito de uma corrida de bigas foi realizado por Homero (928 a.C. – 898 a.C.). Ele nos conta no XXIIIº da Ilíada a realização de uma corrida durante a comemoração do funeral de Patroclo: foram cinco os partecipantes, que tinham que ir até uma árvore, dar a volta e retornar. O vencedor, Diomedes, ganhou e o prêmio foi uma escrava e um caldeirão cheio de bronze.
Uma lenda diz que esse evento deu origem aos Jogos Olímpicos.

Circo Massimo city tour guia - Circo Máximo

Circo Máximo de Roma

O momento mais emocionante da corrida eram as curvas, onde aconteciam a grande maioria dos acidentes, muitas vezes mortais.

Os cavaleiros eram escravos, que em caso de vitória, ganhavam uma coroa de louros e dinheiro; eventualmente o escravo que ganhasse muito dinheiro podia comprar a própria liberdade.

A fama deles podia se espalhar pelo Império, como aconteceu com o famoso Scorpo, que venceu mais de duas mil corridas, para depois morrer aos 27 anos em uma curva (meta).

O palácio do Imperador ficava no alto do monte Palatino (onde vemos hoje ruínas quando estamos bem no meio do Circo Máximo) e os imperadores frequentavam as corridas para serem vistos pela população, que tinha acesso grátis às competições.

circo maximo palatino - Circo Máximo

Circo Máximo de Roma

A área verde que sobrou na frente dos palácios imperiais e
que corresponde ao espaço antigamente ocupado
pelo Circo Máximo

Júlio César frequentava o Circo para ser visto pela população, dado que no período imperial o povo quase não via mais o seu chefe de estado, como no período republicano. Diz-se que César  aparentemente não gostava das corridas e levava sempre um livro consigo para ler durante a competição!

O mesmo não podemos dizer do Imperador Nero, que era apaixonado pelo esporte e tinha até vencido  os Jogos Olímpicos competindo como cavaleiro!

Dopo a queda do Império Romano do Ocidente, a popularidade das corridas caiu muito e logo depois o mesmo aconteceu no Império Bizantino.

Além do Circo Máximo, em Roma tinha o Circo de Maxêncio (na linda Via Appia) e outros espalhados pelo Império: Milão, a Alessandria, Antioquia, e Terragona.
Heródoto, o Grande, mandou construir quatro grandes circos na Judéia.

Hoje em dia o antigo circo é um lugar onde acontecem manifestações e concertos – o último grande concerto foi dos Rolling Stones em 22 de Junho de 2014.
(update da página em Agosto 2014)

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Olá, eu sou a Patricia e me apaixonei por Roma em 1994, quando ainda era uma estudante de Artes Plásticas em Hamburgo. Desde então fiz várias viagens para estudar a Cidade Eterna e em 1998 me mudei para cá. No Turismo estou desde 2007, quando comecei a trabalhar com alemães. Sou guia credenciada em Florença e Roma e este blog é um elogio muito pessoal sobre a minha paixão pela cultura Clássica. Na minha equipe trabalham as melhores guias que falam português nas principais capitais italianas, escolhidas a dedo por mim ao longo dos anos.

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