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Colina Celio, afrescos do período imperial

março 2, 2015 by Patricia Carmo Baltazar Nenhum comentário

Muito provavelmente você já se perguntou o porquê da falta de afrescos do período imperial de Roma. As vicissitudes da cidade fizeram com que o pouco que tem, fosse “enterrado” para dar lugar à novos espaços com o crescimento da cidade.

Por isso tanta gente vai à Pompéia e Ostia. Quem acompanha o blog ou os posts do Facebook  vê o quanto falo de Ostia, pois é muito perto de Roma e essa zona arqueológica tem a grande vantagem de ainda ‘não ter sido descoberta pelas massas’, um lugar ótimo para quem gosta de arqueologia.
afresco casas romanas5 - Colina Celio, afrescos do período imperial
Os queridíssimos Marina e José Carlos
curtindo os afrescos das Casas Romanas
Em Roma, temos um fantástico sito arqueológico ‘meio escondido’ na colina chamada Celio,  as “Casas Romanas do Celio”, onde podemos saborear um pouquinho de afrescos e pavimentos com mosaicos, mantidos em modo excelente pela instituição que toma conta dele.
afresco casas romanas7 - Colina Celio, afrescos do período imperial
Afrescos do período imperial – A famosa sala com a figura do Orante
Este sítio arqueológico foi descoberto no final do século XIX. O último, maravilhoso, restauro, é de 2002.
afresco casas romanas9 - Colina Celio, afrescos do período imperial
A sala dos Genios

Aqui moraram dois santos mártires, João e Paulo na segunda metade do IV século.

Coisa muito comum, a casa dos mártires se transformou em um lugar de culto, onde posteriormente surgiu uma basílica, a linda basílica de São João e Paulo.
mosaico pavimental casas romanas - Colina Celio, afrescos do período imperial
O pavimento antigo com pastilhas policromáticas
Hoje podemos caminhar pelo interior desta grande residência antiga que até parece um labirinto e admirar afrescos do III século.

No andar inferior da antiga domus tem um pequeno museu com preciosidades encontradas durante o restauro.

museu casas romanas - Colina Celio, afrescos do período imperial
Aqui os bacini, isto é, as inserções originais em cerâmica da decoração do campanário da igreja

Para compreender as cidades italianas e seu patrimônio são necesessários anos de estudo de arte, arquitetura e arqueologia e outros tantos anos para aprofundar este conhecimento e escrever artigos como este. Escolha uma guia profissional pois ela fará uma grande diferença na sua estadia.

De brasileiros para brasileiros na Itália: reserve aqui a sua guia de turismo que fala português.

Endereço:
Clivo di Scauro
Horário: 10.00 às 13.00 e 15.00 às 18.00
Fecho: 3as e 4as
Tickets:  inteiro: € 6 e reduzido: € 4
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A Basílica de São Clemente

dezembro 31, 2014 by Patricia Carmo Baltazar 1 comentário

A Basílica de São Clemente

Perto do Coliseu, seguindo pela rua Labicana, encontramos um dois maiores tesouros que Roma possui: a Basílica de São Clemente.

sao clemente navelight - A Basílica de São Clemente
Nave central da Basílica de São Clemente

 

Dados da história e arquitetura de São Clemente

A igreja foi construída sobre uma domus (domus ecclesia, onde os cristãos se encontravam para orar até o ano de 313). Acredita-se que seja a própria casa do Papa São Clemente, o quarto papa da Igreja Católica, no período de 92 a 97, mártire durante o império de Domiciano.

A igreja esconde dois andares de subterrâneos fantásticos, o primeiro do IV século, a chamada Basílica Antiga ou Basílica Inferior e mais embaixo ainda, existe um Mitreu e parte dos armazéns do período de Nero.

Esta contrução é um dos melhores exemplos das diversas camadas sobre as quais a cidade de Roma foi construída e chegou até nós – em outras palavras, para entender o “tamanho da encrenca” que é Roma, a visita à essa basílica é fundamental.

A Basílica Superior é a que vemos hoje, quando entramos e foi construída no final do XI século, logo depois o incêndio de 1084 dos normanos. Atrás da “maquiagem” do final do barroco, ainda podemos ver a estrutura românica do século XII no pátio da entrada.

Interior e subterrâneos de Sâo Clemente

O seu interior possui 3 naves divididas por 16 colunas de antigos monumentos, alternadas entre lisas e com canaluras, ábside com mosaico. O pavimento é cosmatesco.

sao clemente colunas - A Basílica de São Clemente
Basílica de São Clemente, com suas colunas lisas e com caneluras

O maravilhoso mosaico  tem o tema do “Triunfo da Cruz“, e é considerado um dos mais refinados da escola romana da primeira metade do século XII.

À esquerda do crucifixo temos Maria, à direita, o apóstolo João.

sao clemente mosaico - A Basílica de São Clemente
Mosaico da ábside de São Clemente

Neste mosaico vemos o crucifixo decorado com doze pombas brancas, que representam os apóstolos. O crucifixo está apoiado numa planta, um acanto, que irrigada pelo sange de Cristo faz com que cresçam ramos que se desenvolvem em espirais e abrangem cenas de vida quotidiana.

sao clemente mosaico detalhe - A Basílica de São Clemente
Mosaico da ábside de São Clemente, detalhe vida quotidiana

Bem embaixo, à direita e à esquerda vemos duas figuras grande de dois cervos, que matam a sede no rio. Essa imagem pode ser uma representação do Salmo 42:1 “Assim como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus!”. Olhem como esses animais foram maravilhosamente representados na difícil técnica do mosaico, na sua tridimensionalidade e vivacidade:

sao clemente mosaico det2light - A Basílica de São Clemente
Mosaico da ábside de São Clemente, detalhe da representação do cervo.


Embaixo da complexa representação do crucifixo e do acanto, temos as doze ovelhas de Cristo, com no centro o Agnus Dei.
Abaixo do mosaico, temos um afresco do século XIV que representa a Virgem e os apóstolos.

sao clemente afresco light - A Basílica de São Clemente
Ábside de São Clemente, detalhe do afresco embaixo do mosaico


Nave esquerda:

Uma outra maravilha desta basílica é a Capela de Santa Catarina, realizado em ~1428-1431 pelo grande Masolino da Panicale e com eventual ajuda do também grande Masaccio (que eu AMO!).

sao clemente santa catarna - A Basílica de São Clemente
Capela de Santa Catarina, Basílica de São Clemente

Nesta capela foi representado o ciclo da vida da Santa Catarina de Alexandria, um crucifixo, os apóstolos e na parede à direita eventos relativos à vida de Santo Ambrósio.

Na nave da direita:
Temos na Capela de São Domingos alguns afrescos de com cenas da vida do santo, atribuídos ao Sebastiano Conca (1680-1674).

Logo vemos uma pequena loja, onde pode-se comprar guias, cartões postais e outras coisas, além de ser o acesso aos andares inferiores.

A Basílica Inferior é acessível através de uma  escada que é acompanhada por diversos fragmentos na parede em mármore e cópias em gesso, peças que foram encontradas nas excavações da basílica e do mitreu.

Basilica inferiore Clemente - A Basílica de São Clemente
A impressionante entrada da basílica inferior de São Clemente

No nártex (parte anterior à entrada da basílica), temos um afresco doo IX° século com o “Cristo bendito e santos”, que está quase desaparecendo!

Neste “andar” , infelizmente somente alguns fragmentos de afrescos chegaram até nós. O mais importante deles, é o famoso ciclo de São Sisino.

Alessio Santo Roma sao clemente - A Basílica de São Clemente
Vida de Santo Aleixo, Basílica Inferior de São Clemente, foto Wikipedia

A dificuldade em nos orientar aqui embaixo, é um resultado da construção da Basílica Superior, onde os espaços entre as colunas foram preenchidos com tijolos, de modo que pudesse sustentar o peso da nova basílica! Com um pouco de imaginação, conseguimos “intuir” o espaço amplo das três naves, da antiga ábside e do seu cibório, 29m de largura.

Confesso que fico orgulhosa da manutenção desta igreja /área arqueológica, pois é muito bem iluminado, o que faz com que a visita seja agradável, pois quem sofre de claustrofobia nunca pode se sentir bem em um espaço subterrâneo e sem janelas – isso é mais um incentivo para visitá-la!

Descemos no andar mais antigo, do tempo do Imperador Nero, onde vemos parte dos armazéns e do antigo Mitreu. Essa parte já é mais precária do ponto de vista da conservação, mas vale a pena visitá-la! Sugiro imaginar afrescos nas paredes e bancos esculpidos perfeitamente, pois durante o seu funcionamento, o Mitreu era seguramente um lugar de culto muito bem decorado!

Não podemos entrar no antigo Mitreu, mas vemos através da grade os bancos laterais, reservados ao banquete ritual da religião, e no centro um altar com a representação de Mitra.

Mitreu Sao Clemente light - A Basílica de São Clemente
O Mitreu de São Clemente, foto de Wikipedia

Para compreender Roma são necesssários anos de estudo de arte, arquitetura e arqueologia e outros tantos anos para aprofundar este conhecimento para poder sintetizar em um artigo os pontos principais de cada monumento ou igreja. Escolha uma guia profissional quando estiver em Roma pois fará uma grande diferença na sua estadia.

Horário de abertura da Basílica de São Clemente
Dias úteis: 9.00-12.30 / 15.00-18.00  
Domingos e feriados das 12.00 às 18.00
Entrada: €10

Endereço: Via Labicana, 45
Site oficial da igreja: www.basilicasanclemente.com

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As Catacumbas de Domitilla

março 16, 2014 by Patricia Carmo Baltazar Nenhum comentário

«Anima Dolcissima»
epitáfio em lastra funerária das Catacumbas de Domitilla

O caminho da arte para que se chegasse na qualidade de um trabalho artístico do nível da Capela Sistina foi parte de uma grande percurso ético e religioso que ocorreu no mundo romano, com a chegada do cristianismo.
As catacumbas não serviam como esconderijos; eram simplesmente lugares onde os primeiríssimos cristãos enterravam os mortos, na espera do juízo final, da ‘nova vida’ após a morte.
A palavra catacumba vem do grego, “kata” e “kumbe” e pode ser traduzida como “na cavidade”.
As catacumbas foram realizadas por motivos a) práticos; b) econômicos e c) higiênicos.
P1030988 - As Catacumbas de Domitilla
Giulia (e eu), companheira fiel de excursões pelos quatro cantos de Roma!

Neste contexto encontramos sinais das mais antigas simbologias utilizadas por estes primeiros cristãos, que, sim, eram perseguidos por uma série de razões que não cabe discutir aqui neste momento, e que para assegurar o “sono” dos seus caros em contraposição à incineração dos corpos.

Os defuntos eram enterrados tratados com bálsamos e envolvidos em tecido, para depois serem depositados nos loculi das catacumbas, que aos poucos se transformavam em imensas (mas quando digo “imensas”, falo de 17km de ruas subterrâneas) galerias cavadas nos hipogeus de terrenos que eram normalmente doados ou emprestados por famílias abastadas que tinham se convertido ao cristianismo e que dispunham de espaços para realizar estes “cemitérios primitivos”.

As catacumbas foram desde o início adornadas com alguns símbolos, que eram naturalmente ligados às religiões pagãs, e é isso que eu adoro ir apreciar nestes fantásticos lugares: a transformação do simbolismo pagão no simbolismo da nova religião!

P1040009light - As Catacumbas de Domitilla
O “bom pastor”
Durante os séculos VIII e IX, as catacumbas foram abandonadas e a memória da sua existência ficou perdida na noite dos tempos, até o século XVI, quando foram casualmente re-descobertas!

 

P1040012light - As Catacumbas de Domitilla
Basílica, Catacumbas de Domitilla
Em particular, as catacumbas de Domitilla, perteciam à Flavia Domitilla, que era parente do Imperador Domiziano (81-96), que por sua vez não era “nem um pouco cristão”, aliás ele foi responsável por cruéis perseguições aos cristãos durante o seu reinado, e Flávia foi exilada na Ilha de Ventotene!
Relembro aqui, que as piores perseguições aos cristãos ocorreram sob Nero, Décio, Valeriano e Diocleciano.

 

P1040015light - As Catacumbas de Domitilla
Basílica, Catacumbas de Domitilla
Papa Damásio (305 – 384) mandou construir uma basílica no ano de 366 nas Catacumbas de Domitilla, que é o que vemos hoje quando descemos ao primeiro andar da estrutura hipogea. Depois do abandono do IX século, ela foi descoberta somente em 1902-1903, pelo Monsenhor Wilpert.
Interessante observar as incisões nas colunas na frente do altar, que formavam um cibório que continha no seu interior os espólios dos santos mártires soldados Nereu e Aquileu.

 

P1040019light - As Catacumbas de Domitilla
Basílica, Catacumbas de Domitilla

A estrutura da basílica foi reconstruída após a sua descoberta no século XX, e possui pequenas janelas no alto; entretanto, os arqueólogos que estudam estas catacumbas afirmam que a estrutura original possuía grandes janelas que iluminavam o seu interior.

O Hipogeu dos Flávios foi construído entre os anos de 390 e 395, remodelando (para não dizer “destruindo”) antigas estruturas existentes no interior destas catacumbas.

P1040026light - As Catacumbas de Domitilla
Hipogeu dos Flávios, Catacumbas de Domitilla
O hipogeu dos Flávios possui uma planta retangular em um dos corredores, onde acredita-se que na parte interna às catacumbas foram depostos os corpos de seus escravos; os loculi maiores, deveriam conter os espólios dos integrantes da família.

 

P1040083light - As Catacumbas de Domitilla
Hipogeu dos Flávios, Catacumbas de Domitilla

Um dos afrescos mais interessantes que encontramos aqui é o de “Amor e Psiquê“, que são um ótimo exemplo de ponte iconográfica entre o mundo pagão e a aurora do mundo cristão: a alma se salva depois de provas árduas superadas durante a vida.

P1040090light - As Catacumbas de Domitilla
Hipogeu dos Flávios, Catacumbas de Domitilla

A vasta simbologia que encontramos nos afrescos e a história que estas paredes nos contam se tornam legíveis quando uma guia nos acompanha durante o emocionante percurso; estas linhas não são nada além de uma pincelada que tenta incentivar a visita às catacumbas, como parte fundamental de uma visita à Roma.

P1040128light - As Catacumbas de Domitilla
Pomba, afresco

 

P1040129light - As Catacumbas de Domitilla
Pomba, afresco

 

P1040146light - As Catacumbas de Domitilla
Basílica, Catacumbas de Domitilla

 

P1040147light - As Catacumbas de Domitilla
Basílica, Catacumbas de Domitilla

 

P1040155light - As Catacumbas de Domitilla
Detalhe de túmulo, Catacumbas de Domitilla

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Entrada: € 8,00 ou € 5,50 (crianças)
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Sobre mim

Olá, eu sou a Patricia e me apaixonei por Roma em 1994, quando ainda era uma estudante de Artes Plásticas em Hamburgo. Desde então fiz várias viagens para estudar a Cidade Eterna e em 1998 me mudei para cá. No Turismo estou desde 2007, quando comecei a trabalhar com alemães. Sou guia credenciada em Florença e Roma e este blog é um elogio muito pessoal sobre a minha paixão pela cultura Clássica. Na minha equipe trabalham as melhores guias que falam português nas principais capitais italianas, escolhidas a dedo por mim ao longo dos anos.

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