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A Basílica de São Clemente

dezembro 31, 2014 by Patricia Carmo Baltazar 1 comentário

A Basílica de São Clemente

Perto do Coliseu, seguindo pela rua Labicana, encontramos um dois maiores tesouros que Roma possui: a Basílica de São Clemente.

sao clemente navelight - A Basílica de São Clemente
Nave central da Basílica de São Clemente

 

Dados da história e arquitetura de São Clemente

A igreja foi construída sobre uma domus (domus ecclesia, onde os cristãos se encontravam para orar até o ano de 313). Acredita-se que seja a própria casa do Papa São Clemente, o quarto papa da Igreja Católica, no período de 92 a 97, mártire durante o império de Domiciano.

A igreja esconde dois andares de subterrâneos fantásticos, o primeiro do IV século, a chamada Basílica Antiga ou Basílica Inferior e mais embaixo ainda, existe um Mitreu e parte dos armazéns do período de Nero.

Esta contrução é um dos melhores exemplos das diversas camadas sobre as quais a cidade de Roma foi construída e chegou até nós – em outras palavras, para entender o “tamanho da encrenca” que é Roma, a visita à essa basílica é fundamental.

A Basílica Superior é a que vemos hoje, quando entramos e foi construída no final do XI século, logo depois o incêndio de 1084 dos normanos. Atrás da “maquiagem” do final do barroco, ainda podemos ver a estrutura românica do século XII no pátio da entrada.

Interior e subterrâneos de Sâo Clemente

O seu interior possui 3 naves divididas por 16 colunas de antigos monumentos, alternadas entre lisas e com canaluras, ábside com mosaico. O pavimento é cosmatesco.

sao clemente colunas - A Basílica de São Clemente
Basílica de São Clemente, com suas colunas lisas e com caneluras

O maravilhoso mosaico  tem o tema do “Triunfo da Cruz“, e é considerado um dos mais refinados da escola romana da primeira metade do século XII.

À esquerda do crucifixo temos Maria, à direita, o apóstolo João.

sao clemente mosaico - A Basílica de São Clemente
Mosaico da ábside de São Clemente

Neste mosaico vemos o crucifixo decorado com doze pombas brancas, que representam os apóstolos. O crucifixo está apoiado numa planta, um acanto, que irrigada pelo sange de Cristo faz com que cresçam ramos que se desenvolvem em espirais e abrangem cenas de vida quotidiana.

sao clemente mosaico detalhe - A Basílica de São Clemente
Mosaico da ábside de São Clemente, detalhe vida quotidiana

Bem embaixo, à direita e à esquerda vemos duas figuras grande de dois cervos, que matam a sede no rio. Essa imagem pode ser uma representação do Salmo 42:1 “Assim como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus!”. Olhem como esses animais foram maravilhosamente representados na difícil técnica do mosaico, na sua tridimensionalidade e vivacidade:

sao clemente mosaico det2light - A Basílica de São Clemente
Mosaico da ábside de São Clemente, detalhe da representação do cervo.


Embaixo da complexa representação do crucifixo e do acanto, temos as doze ovelhas de Cristo, com no centro o Agnus Dei.
Abaixo do mosaico, temos um afresco do século XIV que representa a Virgem e os apóstolos.

sao clemente afresco light - A Basílica de São Clemente
Ábside de São Clemente, detalhe do afresco embaixo do mosaico


Nave esquerda:

Uma outra maravilha desta basílica é a Capela de Santa Catarina, realizado em ~1428-1431 pelo grande Masolino da Panicale e com eventual ajuda do também grande Masaccio (que eu AMO!).

sao clemente santa catarna - A Basílica de São Clemente
Capela de Santa Catarina, Basílica de São Clemente

Nesta capela foi representado o ciclo da vida da Santa Catarina de Alexandria, um crucifixo, os apóstolos e na parede à direita eventos relativos à vida de Santo Ambrósio.

Na nave da direita:
Temos na Capela de São Domingos alguns afrescos de com cenas da vida do santo, atribuídos ao Sebastiano Conca (1680-1674).

Logo vemos uma pequena loja, onde pode-se comprar guias, cartões postais e outras coisas, além de ser o acesso aos andares inferiores.

A Basílica Inferior é acessível através de uma  escada que é acompanhada por diversos fragmentos na parede em mármore e cópias em gesso, peças que foram encontradas nas excavações da basílica e do mitreu.

Basilica inferiore Clemente - A Basílica de São Clemente
A impressionante entrada da basílica inferior de São Clemente

No nártex (parte anterior à entrada da basílica), temos um afresco doo IX° século com o “Cristo bendito e santos”, que está quase desaparecendo!

Neste “andar” , infelizmente somente alguns fragmentos de afrescos chegaram até nós. O mais importante deles, é o famoso ciclo de São Sisino.

Alessio Santo Roma sao clemente - A Basílica de São Clemente
Vida de Santo Aleixo, Basílica Inferior de São Clemente, foto Wikipedia

A dificuldade em nos orientar aqui embaixo, é um resultado da construção da Basílica Superior, onde os espaços entre as colunas foram preenchidos com tijolos, de modo que pudesse sustentar o peso da nova basílica! Com um pouco de imaginação, conseguimos “intuir” o espaço amplo das três naves, da antiga ábside e do seu cibório, 29m de largura.

Confesso que fico orgulhosa da manutenção desta igreja /área arqueológica, pois é muito bem iluminado, o que faz com que a visita seja agradável, pois quem sofre de claustrofobia nunca pode se sentir bem em um espaço subterrâneo e sem janelas – isso é mais um incentivo para visitá-la!

Descemos no andar mais antigo, do tempo do Imperador Nero, onde vemos parte dos armazéns e do antigo Mitreu. Essa parte já é mais precária do ponto de vista da conservação, mas vale a pena visitá-la! Sugiro imaginar afrescos nas paredes e bancos esculpidos perfeitamente, pois durante o seu funcionamento, o Mitreu era seguramente um lugar de culto muito bem decorado!

Não podemos entrar no antigo Mitreu, mas vemos através da grade os bancos laterais, reservados ao banquete ritual da religião, e no centro um altar com a representação de Mitra.

Mitreu Sao Clemente light - A Basílica de São Clemente
O Mitreu de São Clemente, foto de Wikipedia

Para compreender Roma são necesssários anos de estudo de arte, arquitetura e arqueologia e outros tantos anos para aprofundar este conhecimento para poder sintetizar em um artigo os pontos principais de cada monumento ou igreja. Escolha uma guia profissional quando estiver em Roma pois fará uma grande diferença na sua estadia.

Horário de abertura da Basílica de São Clemente
Dias úteis: 9.00-12.30 / 15.00-18.00  
Domingos e feriados das 12.00 às 18.00
Entrada: €10

Endereço: Via Labicana, 45
Site oficial da igreja: www.basilicasanclemente.com

Reserve seu tour personalizado com guia privativa que fala português o quanto antes! Email para romaemportugues arroba gmail.com

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Uma paixão chamada Assis

dezembro 15, 2014 by Patricia Carmo Baltazar 2 Comentários

Esta é uma matéria que compartilha dicas sobre uma paixão chamada Assis

“(…) Louvai e bendizei a meu Senhor, e dai-lhe graças
e servi-o com grande humildade…”
São Franciso de Assis, Cântico das Criaturas, São Damião, 1224.
Existem vários bate-e-volta que eu aconselho a partir de Roma e sem dúvida Assis é um deles.
Sair de Roma cedinho para chegar lá pelas 10h da manhã em Assis é uma verdadeira experiência inesquecível, daquelas que só quem já fez pode entender e aconselhar.
A atmosfera da beleza discreta e pungente da Umbria já começa a ser sentida depois de quase uma hora de percurso, após a bifurcação da cidadezinha de Orte: o terreno começa a se encrespar em colinas que se transformam em montanhas, alternados por grandes vales, até chegarmos ao Monte Subásio, que faz parte dos Apeninos e é onde se encontra Assis.
Tem alguma coisa inexplicável no ar que já nos traz tranquilidade, antes mesmo de subirmos os ~ 400m de altitude que nos leva à praça que será a nossa entrada à cidade, com a Basílica de Santa Clara, realizada em 1257.
Aqui descemos e iniciamos o nosso dia em Assis com uma deliciosa pessoa que é a nossa guia de turismo que fala português!
excursao guia port assis - Uma paixão chamada Assis
Linda fachada da Basílica de Santa Clara – Paixão chamada Assis
A primeira coisa que captura o nosso olhar é a beleza da alternância das faixas de cores branca e rosa da fachada, com pedras umbras, e, naturalmente o gótico italiano, e mais precisamente franciscano, com linhas simples e austeras, que tentam imitar na forma o que os famosos santos
desta cidade pregaram.
Antes de entrar, observe que maravilha de rosácea filtra a luz da basílica, composta por uma dupla circunferência de colunas torsas (que significam força e estabilidade), além do portão com os leõezinhos e as coluninhas fininhas que nos convidam a entrar.
rosacea assis - Uma paixão chamada Assis
Rosácea, Basílica de Santa Clara, Assis – Paixão chamada Assis
No interior destra igreja, vemos entre outras coisas o famoso crucifixo de São Damião na Capela do Crucifixo, que “disse” a São Francisco a famosa frase “Vai, Francisco e reconstrói a minha igreja, que como você vê, está em ruínas.” Nesta capela existem algumas relíquias dos dois santos (Francisco e Clara).
Em seguida vemos a Capela do Sacramento, onde podemos apreciar alguns afrescos da escola de Giotto, com o ciclo: Deposição, Descida ao sepulcro, Ressureição, São Jorge, Natividade de Cristo e a Adoração dos Magos.
Os espólios de Santa Clara se encontram na cripta, na parte inferior do altar.
Depois de ter visto o interior da basílica, a nossa guia nos introduz ao fantástico mundo de São Francisco e Santa Clara, numa eloquente tentativa de nos transportar no tempo, mais precisamente no início do século XII, que foi o período em que os santos viveram aqui.
escursao guia assisi1 - Uma paixão chamada Assis
Nós, ouvindo as explicações da guia na frente da Basílica de Santa Clara,
escursao guia assisi 4 - Uma paixão chamada Assis
com vista para um grande vale.
De lá, partimos em direção à grande Basílica Superior, mas, como aqui na Itália não pode ser diferente, nos esperam tantas supresas no caminho.
Paramos, por exemplo, na Praça da Chiesa Nuova para ver a casa dos pais de São Francisco, onde o santo viveu até os 24 anos e onde ficou preso depois de vender tecidos para reconstruir a igreja de São Damião.
escursao guia assisi 6 - Uma paixão chamada Assis
A guia nos dá explicações em português sobre a cela onde o Santo ficou preso!
escursao guia assisi 6a - Uma paixão chamada Assis
Lugar da prisão de São Franciso
Quando saímos, estamos a poucos metros da Praça del Comune, o antigo centro da cidade, com o Palácio del Capitano del Popolo (literalmente “do Capitão do Povo), sede da Podestà (sede do governo da Alta Idade Média) que hoje é a Sede Internacional dos Estudos Franciscanos.
escursao guia assisi 8 - Uma paixão chamada Assis
Piazza del Comune – Paixão chamada Assis
escursao guia assisi 9 - Uma paixão chamada Assis
Piazza del Comune em direção à Basílica Superior,
com a direita o Templo de Minerva, do séc. I d.C.
e a Torre del Popolo (a Torre do Povo), séc. XIII
Como toda colônia romana que se preze (a antiga Asisum foi conquistada pelos romanos no ano de 399 a.C.), temos um pequeno museu arqueológico, assim, pequeno, no meio do caminho…
assis centrostorico - Uma paixão chamada Assis
Centro-histórico de Assis
Enfim chegamos na Basílica Superior de São Francisco, que no tempo do santo era o lugar onde matavam os condenados à morte, que foi onde o santo escolheu para ser enterrado.
escursao guia assisi 10 - Uma paixão chamada Assis
A Basílica Superior de São Francisco – Paixão chamada Assis

O programa completo “Lugares Franciscanos” também leva você à Basílica de Santa Maria dos Anjos, São Daniel e a gruta onde santo viveu.

Depois de ir à Assis, você nunca mais será o mesmo, palavra de honra – confira a recensão do grupo da Lílian no Trip Advisor!

Para saber mais sobre o nosso passeio com guia em português “Lugares Franciscanos“, por favor leia o post https://www.romaemportugues.com.br/assis-de-sao-francisco/
Para compreender as cidades italianas e seu patrimônio são necesessários anos de estudo de arte, arquitetura e arqueologia e outros tantos anos para aprofundar este conhecimento e escrever artigos como este. Escolha uma guia profissional pois ela fará uma grande diferença na sua estadia.

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São João em Latrão

julho 2, 2014 by Patricia Carmo Baltazar Nenhum comentário

Construída pelo imperador Constantino sobre uma domus do III século em torno ao ano de 315, a catedral de São João em Latrão é dedicada aos Santos João Evangelista e João Batista.

Essa sim é a Catedral de Roma, a mãe de todas as igrejas!

cattedrale - São João em Latrão
A catedral de Roma: São João em Latrão

São João em Latrão

A imponente fachada de Galilei substituiu a simplicidade de uma estrutura de tijolos que tinha sido realizada por ordem do Papa Alexandre III, na segunda metade do século XII. O interior de cinco naves foi remodelado por Borromini, onde posteriormente Bernini colocou estátuas colossais dos apóstolos. Sobre cada nicho, temos à esquerda cenas do Antigo Testamento e à direita, cenas do Novo Testamento (desenhos de Alessandro Algardi).

P1000235 - São João em Latrão
Pavimento cosmatesco na nave central; nichos com os 12 apóstolos
e no chão o brasão da família Colonna

Já no início do V século a basílica foi depredada por visigodos e vândalos, dando início às grandes transformações que ela passaria.
A estrutura que vemos hoje foi continuamente restruturada e ampliada nos séculos por arquitetos como Domenico Fontana (transepto Nord e pórtico com loggia, Borromini (Inocêncio X), Galilei (Clemente XII, fachada) e Vespignani (ábside e coro, Leone XIII).

Nave lateral sao joao latrao catedral roma - São João em Latrão
Nave lateral

Com a queda do império romano, a basílica de São João em Latrão teve um destino parecido com o da cidade de Roma: caiu em ruínas e só pode ser recuperada no ano de 774, quando Carlos Magno veio ser batizado em Roma!

Depois do infeliz processo de Papa Formoso, em 896, a basílica sofreu graves danos com um terremoto, que destruiu boa parte do teto da nave central e da ábside.

P1000238 - São João em Latrão
São João em Latrão, mosaico da ábside, de Jacopo Torriti e Jacopo da Camerino

Uma nova inauguração foi realizada pelo papa Sergio III, no início do X século, que re-batizou basílica e a dedicou a São João Batista.

No século XII a basílica passou a ser dedicada a São João Evangelista por ordem de papa Lúcio II. É também desta época o monastério de monges beneditinos no palácio de Latrão.

Entre 1297 e 1300, Giotto realizou alguns afrescos, dos quais chegou até nós somente um pequeno fragmento que representa papa Bonifácio VIII, anunciando o primeiro ano jubilar.

P1000240 - São João em Latrão

O tabernáculo, que imita a arte de Arnolfo di Cambio, foi realizado em 1367 por ordem do Papa Urbano V é adornado com afrescos de Barna da Siena (1367-68) e contém relíquias de São Pedro e Paulo na sua parte superior, dentro de uma caixa de prata; a parte inferior contém o altar sobre o qual São Pedro celebrava as missas. A lápide sepulcral aos pés do altar é do papa Martinho V.

P1000236 - São João em Latrão
O órgão, sobre duas colunas de mármor giallo antico

A Catedral de Roma foi o centro do poder dos papas até o exílio de Avignon, em 1307. Foi a este edifício que São Francisco de Assis veio pedir a aprovação da sua Ordem ao Papa Honório III, que foi finalmente aprovada em 1216 – existe um monumento moderno em bronze que relembra a história do santo de Assis em um largo, na frente da catedral.

São João em Latrão passou a ter um lugar quase secundário na história a partir do retorno  dos papas de Avignon, na pessoa de Gregório IX, em consequência dos esforços de Santa Catarina.
As construções dos arredores de São Pedro vão adquirir a grande importância que têm hoje só a partir de 1377, graças à proteção militar que oferecia a proximidade ao Castel Sant’Angelo!

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Guia de Siena em português

abril 27, 2014 by Patricia Carmo Baltazar Nenhum comentário
Rodeada por colinas cobertas de oliveiras e vinhas, situada em uma área de grande beleza e charme, Siena é uma das cidades mais bonitas da Toscana e uma das mais visitadas em todo o território italiano. É universalmente conhecida pelo seu património artístico e pelo famoso “Palio”, a corrida de cavalos. A beleza do seu centro histórico foi declarada Patrimônio Mundial da UNESCO em 1995.

O percurso proposto por nós abrange a Basílica de São Domingo, onde fica a relíquia de Santa Catarina; vamos passear nas ruas medievais e ver a praça da sede do Banco mais antigo da Europa; o interior da inesquecível Catedral, a Praça do Campo (considerada umas das praças mais bonitas da nossa terra), onde desvendaremos os segredos do Palio, a famosa corrida de cavalos que acontece todos os anos em Siena. 
 
Ventilejos - Guia de Siena em português
Piazza del Campo, foto de Giorgos Vintzileos
 
A cidade é cortada por grande avenidas e ruas estreitas que levam à praça “del Campo”, um dos símbolos da cidade com seus prédios de grande atração cultural: o Duomo e o Hospital Santa Maria della Scala.

 

cinotti - Guia de Siena em português
Siena vista de Montechiaro, foto de Antonio Cinotti
Segundo a lenda, Siena foi fundada por Senio e Aschio ao fim de um longo, mitológico “Palio”. Os cavalos de cada competidor eram um branco e outro preto, que se transformaram nas cores do brasão de Siena e são o símbolo do caráter da cidade. A História, por outro lado, nos fala de uma aldeia de origem etrusca, que sucessivamente se tornou um forte romano importante na fronteira, criada no tempo do imperador Augusto com o nome de Saena Julia.
 
Capper - Guia de Siena em português
Torre del Mangia e Piazza del Campo, vistas de cima, foto de Phillip Capper
 
Em torno dos séculos X e XI Siena se encontrou localizada no centro de importantes rotas comerciais, graças ao poder do bispo na época do Império Carolíngio; naquele tempo Siena expandiu seu território e consolidou as suas primeiras alianças, tornando-se uma importante cidade medieval, do ponto de vista político e econômico.

Ventilejos2 - Guia de Siena em português
Simbologia única no interior da Catedral de Siena, foto de Giorgos Vintzileos
 
hovistoninavolare - Guia de Siena em português
Sonho gótico senese: o maravilhoso interior do Duomo de Siena, foto de Ho Visto Nina Volare
 
Depois de uma guerra memorável, teve fim a sua “idade do ouro”. Siena perdeu a sua independência para os poderosos Medici, donos do mundo naqueles anos, e para Carlos V (1559): a república de Siena foi forçada a entregar seus bens e adquiriu o papel secundário de uma pequena cidade toscana, sob o domínio da rival e odiada Florença, capital do Grão-Ducado da Toscana.
 
Munro - Guia de Siena em português
Fachada da Catedral de Siena, foto de Carol Munro

É hoje é uma das cidades com a mais alta qualidade de vida na Itália. A arte é o que mais a caracteriza, tornando-se uma das cidades mais turísticas visitadas no mundo: Piazza del Campo, o Duomo, Palazzo Municipal e a Torre del Mangia são apenas algumas das suas maravilhas!

A Piazza del Campo é um dos mais belos exemplos de arquitetura civil; idealmente é o ponto de encontro dos três montes sobre os quais surgiu a cidade. Ela foi originalmente um grande gramado, por isso o nome “campo”: tem uma forma semicircular, como uma concha. A praça representa o coração da cidade, foi o lugar da feira e palco de momentos políticos importantes.

A construção do Duomo de Siena foi iniciada no século XII. A simbologia representada na sua fachada é extremamente curiosa, pois tenta conciliar as filosofias do oriente com o ocidente, judia, cristã e naturalmente não falta a iconografia pagã.

Os mosaicos do pavimento representam também uma das maiores riquezas de toda a Itália; foram realizados no longo percurso de 6 séculos e  contam 60 histórias cujo significado foram estudadas somente em 1977. Uma das hipóteses, é que o fio condutor destas preciosas imagens seja a redenção da alma.

 
Estacionar o carro em Siena
Os sinais para os estacionamentos são claros. Estacionar fora dos muros é grátis, dentro dos muros é difícil de encontrar estacionamento. Siga as placas para o centro e tente encontrar um lugar para parar o carro na Piazza Gramsci ou no triângulo de La Lizza (mas não às quartas-feiras, por que é interditado para a feira). Se quiser deixar o carro num estacionamento, tente o San Domenico perto do estádio.
 
As tarifas estão em torno a € 2,00/h. Atenção às 4as feiras, que por ser o dia da feira, a cidade fica mais cheia e Piazza Gramsci fica interditada.
 
Siena – Onde comer? 
Sugestão da nossa guia local: Compagnia dei Vinattieri Via delle Terme, 79, 53100 Siena – tel.: 0577 236568. 
Aconselha-se sempre reservar, sobretudo em alta estação e nos fins-de-semana.
 
Garanta a sua viagem na Itália com guia em português particular da mais alta qualidade; não hesite em escrever para Guia Brasileira em Roma para pedir seu orçamento.
Outras cidades da Toscana:
Firenze: http://guiaderoma.blogspot.it/2012/10/centro-historico-de-firenze.html
Volterra: http://guiaderoma.blogspot.it/2014/04/volterra.html
San Gimignano: http://guiaderoma.blogspot.it/2014/05/san-gimignano.html
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Basílica de Santa Maria Maior

março 7, 2014 by Patricia Carmo Baltazar Nenhum comentário

No ano de 452 foi construída a maior basílica dedicada à Virgem: Santa Maria Maggiore ou Santa Maria Maior em português (Basílica de Nossa Senhora das Neves, ou Basílica Liberiana – Basílica de Santa Maria Maior) que é hoje uma das quatro Basílicas Patriarcais.

 Basílica de Santa Maria Maior: história e arquitetura

 
Santa Maria Maior City Tour portugues - Basílica de Santa Maria Maior

Em 432, logo após o Concílio de Êfeso (que reconheceu a divina natureza de Cristo), o Papa Sisto III, comportando-se como um monarca, mandou construir essa basílica, consagrada no ano de 440.

Diz a lenda que a própria Virgem apareceu num sonho ao Papa Libério (segundo a tradição, o primeiro fundador desta igreja) e a um patrício chamado João, mandando construir uma basílica dedicada à ela. Tal basílica deveria ser construída “no lugar onde amanhecesse uma colina com neve”. Ora, era dia 4 de Agosto, um calorão, seria impossível que caísse neve em Roma naquele período. No dia seguinte, foi vista a neve sobre a colina onde vimos hoje a maravilhosa e imponente basílica de Santa Maria Maggiore.

A planta é original do V século (com 80m de comprimento por 35m de largura), mas a fachada, a decoração interna e as capelas foram constantemente ampliadas e restruturadas nos anos.

Decoração interior

Dividida em 3 naves e com uma dupla série de colunas iônicas. Entre 1288 e 1292, Nicolau IV empurrou a abside de alguns metros para trás, para dar espaço ao coro. As naves laterais foram remodeladas durante o renascimento pelo arcebispo da basílica, Cardeal Guillaume d’Estouteville na metade do século XV.

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Interior da Basílica de Santa Maria Maggiore, decoração enriquecida ao longo dos anos
P1000222LIGHT - Basílica de Santa Maria Maior
Detalhe de nós do pavimento cosmatesco

Mosaicos do interior da basílica

Estes mosaicos são considerados o primeiro ciclo de representações narrativas realizado no interior de uma igreja romana: sombras, degradês e representação fiel dos espaços e volumes, além da clara diferença entre o trabalho de figura e fundo nos mostram como a antiga pintura romana influenciou este trabalho.

Mosaicos do arco do triunfo – V século

O mosaico do arco do triunfo é também original do V século, já com uma grande influência bizantina. Representam cenas da infância de Cristo Redentor.

P1000224light - Basílica de Santa Maria Maior
Arco do triunfo na Basílica de Santa Maria Maior, foto minha

 

Mosaicos da abside – Jacopo Torriti

No mosaico da abside podemos apreciar uma obra-prima do grande maestro. Em ocasião do deslocamento da abside, no século XIII, ordenado pelo Papa Nicolau IV.

Baldaquino

Imponente baldaquino com colunas de pórfido vermelho, decoradas por motivos floreais em bronze de Fernando Fuga. É tão grande que esconde uma parte do mosaico da abside!

P1000214light - Basílica de Santa Maria Maior
Baldaquino, visto da parte inferior do altar, Santa Maria Maggiore
deco anjo abside - Basílica de Santa Maria Maior
Anjo, decoração na frente do baldaquino, Santa Maria Maggiore
P1000213light - Basílica de Santa Maria Maior
Imagem em mármore de Pio IX, aos pés do baldaquino
PioIX - Basílica de Santa Maria Maior
 Pio IX em seu mantô ricamente decorado por rendas, em mármore. Aos pés do baldaquino.
Embaixo do baldaquino, podemos ver a relíquia da igreja: um pedaço do comedouro onde Jesus foi depositado quando nasceu. Está numa caixa de vidro, com a estrutura em prata:
P1000209light - Basílica de Santa Maria Maior
Relíquia da Basílica de Santa Maria Maggiore

 

Piso

O pavimento cosmatesco é o original do século XII, das mãos de Ferdinando Fuga. Foi restaurado no século XVIII.

pavimento maggiore - Basílica de Santa Maria Maior
Detalhe do pavimento cosmatesco

 

Capela de Sisto V Peretti (1585-1591) – também chamada de Capela Sistina

Capela leva o nome do Papa que realizou inúmeros trabalhos de restauro em Roma durante o seu breve pontificado, transformando Roma em um grande canteiro de obras.

Batistério

O batistério é majestoso, um trabalho de Flaminio Ponzio durante o período barroco.

teto fondo fontebattesimale - Basílica de Santa Maria Maior

Basílica de Santa Maria Maior

Nave esquerda

Na nave esquerda, são duas as capelas que merecem ser vistas atentamente:
– Capela Sforza, planta de Giacomo della Porta, talvez originalmente um desenho de Michelangelo

– Capela Paolina.

Relíquias

Nesta basílica encontramos importantes relíquias: os espólios de São Mateus e São Jerônimo.

Santa Maria Maggiore pianta PT - Basílica de Santa Maria Maior
Planta baixa aproximativa da Basílica de Santa Maria Maggiore

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Endereço Basílica de Santa Maria Maggiore: Piazza di S. Maria Maggiore, 42

Horário de abertura: 07h – 19h

Como chegar na Basílica: A basílica fica a poucos minutos da estação Termini (metrô A e B). Os ônibus 16, 70, 71, 360, 649 e 714 passam aqui perto.

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Basílica São Paulo Fora dos Muros

fevereiro 19, 2014 by Patricia Carmo Baltazar Nenhum comentário

A Basílica São Paulo Fora dos Muros (em italiano San Paolo fuori le Mura, em latim Sancti Pauli extra muros) deve seu nome ao fato de estar fora dos muros aurelianos (o muro que protegia a antiga cidade, construído em ~275 d.C.) e ao fato de conter o corpo do Apóstolo Paulo, que chegou em Roma no ano de 61 d.C., e sofreu seu martírio em 67 d.C., na “palude Salvia”, a menos de 2 quilômetros da basílica.

“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse Amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.”

Apóstolo Paulo, Capítolo XIII, Epístola aos Corintos
4 - Basílica São Paulo Fora dos Muros
A fachada, depois da reconstrução do incêndio de 1823, foto de Cristiano
P1000604 - Basílica São Paulo Fora dos Muros
São Paulo com a espada no pátio da frente de São Paulo Fora dos Muros

 

P1000602 - Basílica São Paulo Fora dos Muros
As janelas de alabastro filtram a luz, criando uma atmosfera mística, São Paulo Fora dos Muros


O lugar onde hoje vemos a basílica era uma antiga necrópole romana e ali foi depositado o seu corpo, o mesmo que aconteceu com o corpo do Apóstolo Pedro.

Dado que a partir da morte de Paulo a sua tumba tinha se transformado em um lugar de culto, o Imperador Constantino mandou aumentar a Basílica, de modo que pudesse receber dignamente os tantos peregrinos que aqui vinham em peregrinação.

É importante ver esta igreja, pois ela nos permite ter uma visão do que deve ter sido a antiga basílica de São Pedro (também chamada de Basílica Constantiniana), antes que seus alicerces cedessem e o Papa Júlio II iniciasse a construção da nova basílica, em 1506.

3 - Basílica São Paulo Fora dos Muros
A nave central, foto de Cristiano
A superfície da basílica de cinco naves conta com as dimensões de 131,66 m de comprimento, 65 m de largura e 30m de altura e perde somente para a Basílica de São Pedro! A sua estrutura é sustentada por uma verdadeira “floresta” de colunas de granito, 80 no total.
Do IVº ao VIIIº século
 
Durante os séculos, os Papas nunca pararam de decorá-la e embelezá-la. Leão, o Grande (440-661) mandou realizar mosaicos no Arco do Trinfo, restruturar o teto; foi ele que mandou iniciar a série de retratos dos papas, tradição mantida até hoje, outra razão pela qual esta igreja é famosa. São 265 os retratos dos Papas que adornam o alto das naves e dos transeptos.
No século VI, o Papa Simmaco mandou construir um habitáculo para receber os peregrinos mais pobres. Desde o Papa Gregório II (715-731) temos a presença fixa de monges beneditinos nesta basílica; Leão III (795-816) mandou consertar os danos causados após o terremoto de 801.
1 - Basílica São Paulo Fora dos Muros
São Paulo com sua espada, foto de Cristiano
 
Do IXº ao XIº século
O Papa João VII (872-882) mandou erguer a cinta murária para proteger a basílica e a sua abadia e Gregório VII (pontificado de 1073-1085), que tinha sido abate aqui antes de se tornar Papa, mandou elevar o piso do transepto e construir um campanário (destruído no século XIX), além da maravilhosa porta de entrada, composta por 54 painéis de prata.
5 - Basílica São Paulo Fora dos Muros
Altar, foto de Cristiano
 
No século XIII a basílica se enriqueceu muito de obras de arte. Papa Honório III (1216-1227) mandou reconstruir o mosaico da abside (de 12 metros de altura por 24 de largura) e em 1285 Arnolfo di Cambio construiu o maravilhoso cibório:
 
baldacchino doppio - Basílica São Paulo Fora dos Muros
Cibório de Arnolfo di Cambio, fotos minhas
 
O famoso pátio:
 
patio SPII - Basílica São Paulo Fora dos Muros
Pátio, Basílica São Paulo Fuori Le Mura, foto minha
patio SP - Basílica São Paulo Fora dos Muros
Pátio, Basílica São Paulo Fora dos Muros, foto minha
patio SP detalhe - Basílica São Paulo Fora dos Muros
Detalhe de coluna do Pátio da Basílica São Paulo Fora dos Muros (Fuori Le Mura), foto minha
Neste século também foi realizado o candelabro pascoal de 6m, em mármore, inspirado pelos  antigos sarcófagos romanos, com incisões de histórias do Novo Testamento.
 
2 - Basílica São Paulo Fora dos Muros
Papa Francesco, foto de Cristiano
 
A partir do século XIV, com a volta da comemoração dos jubileus, a sua fama aumentou e muitos peregrinos têm vindo visitar a igreja desde então.
Gregório XIII  mandou construir o balaústre ao redor da tumba do santo e em 1600, Clemente VIII mandou elevar o altar maior. Em 1625 Urbano VIII financiou com o grande arquiteto Carlo Maderno a restruturação da Capela de São Lourenço.
No ano santo de 1725, Bento XIII pediu ao arquiteto Antonio Canevari para construir um novo  pórtico; além disso ele construiu a Capela do Crucifixo para expor o crucifixo em madeira policromática do florentino Tino da Caimano, do século XIV. Ainda hoje podemos ver nesta capela um mosaico do século XIII, bem como uma estátua-relíquia de São Paulo em madeira policromática que “sobreviveram” o incêndio de 1823.
P1000598 - Basílica São Paulo Fora dos Muros
Pátio, Basílica São Paulo Fora dos Muros, foto minha
O incêndio de 1823
Na noite entre 15 e 16 de Julho de 1823 um incêndio devastou a basílica, deixando em pé apenas o cibório e alguns mosaicos; o transepto ficou em pé por milagre. O Papa Leão XII se encarregou do enorme trabalho de restauro, com grande ajuda internacional: o czar Nicolau I doou blocos de lápis lázuli e malaquita, que foram utilizadas para decorar o transepto e o rei Fouad I do Egito  doou colunas e alabastro, com o qual fizeram as janelas, que filtram a luz e doam à esta basílica uma incrível atmosfera mística.
Em 1854, o Papa Pio IX consagrou a “nova” basílica em presença de vários cardeais e bispos que tinham vindo à Roma para a proclamação do Dogma da Imaculada Conceição.

Para compreender Roma são necesessários anos de estudo de arte, arquitetura e arqueologia e outros tantos anos para aprofundar este conhecimento e escrever artigos como este. Escolha uma guia profissional pois ela fará uma grande diferença na sua estadia. De brasileiros para brasileiros na Itália: reserve aqui a sua guia de turismo que fala português.

Visite São Lourenço Fora dos Muros: https://www.romaemportugues.com.br/basilica-de-sao-lourenco-fora-dos-muros/
sao lourenco guia de roma1 - Basílica São Paulo Fora dos Muros
Basílica São Paulo Fora dos Muros
Horário de abertura da Basílica de São Paulo Fora dos Muros:

– Abertura todos os dias das 07:00h às 18.30h, ingresso grátis.
– O pátio interno abre todos os dias das 08.00h às 18:15h, e o ingresso é de € 4,00 (meia-entrada: € 2,00).

Como chegar na Basílica de São Paulo Fora dos Muros:

– De Termini: Parada San Paolo Fuori Le Mura, metrô B (linha azul);  do rio Tibre: ônibus nº23.

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Basílica de Santa Maria Sopra Minerva

fevereiro 12, 2014 by Patricia Carmo Baltazar 2 Comentários

Das mais de 400 igrejas de Roma, somente uma foi realizada em estilo gótico: a Basílica de Santa Maria Sopra Minerva.

«Como é possível que o universo seja finito?»

Giordano Bruno, De l’infinito, universo e mondi (1584) 

Post dedicado à gentil companhia de Carlos e Andrea Ilha
P1000125 - Basílica de Santa Maria Sopra Minerva
Basílica de Santa Maria Sopra Minerva, fachada
sopraminerva6 - Basílica de Santa Maria Sopra Minerva
O elefantinho de Bernini/ Ercole Ferrata

Esta maravilhosa igreja com origem no VIII século tem o títolo e honra de uma basilica minor, isto é, reconhecimento por atividades na comunidade, beleza artística da arquitetura, história e trabalho pastoral diferenciado.
No mundo inteiro existem 1.600 com este títolo, 540  estão na Itália.

Em 1576 Giordano Bruno chegava de Nola para se hospedar neste monastério dominicano.
Esta igreja foi o palco de eventos importantes durante a Contrarreforma: dia 09 de Fevereiro de 1600, o Tribunal da Santa Sé condenava aqui Giordano Bruno à fogueira.

sopraminerva - Basílica de Santa Maria Sopra Minerva
Altar da Basílica de Santa Maria Sopra Minerva

No ano 2000, comemoração dos 400 anos do assassínio de Giordano Bruno pela condenação da Inquisição, Papa João Paulo II fez o mea culpa em nome da Igreja, classificando a “morte atroz” de GB  como  “Um triste episódio da história cristã que causa profunda decepção” (arquivo histórico do Jornal CS).

A basílica foi construída em cima de um antigo oratório do século VIII dedicado à Virgem, que o Papa Zacarias tinha concedido à freiras basilianas que tinham fugido do Oriente no ano de 750.

No final do século adicionou-se o ‘Minervum’, já que embaixo da igreja existia um templo dedicado à Minerva, aliás, eram três templos que se encontravam nos subterrâneos da igreja.

sopraminerva navecentral - Basílica de Santa Maria Sopra Minerva
Nave central

Em 1280, sob o pontificado de Nicolau III, o oratório foi completamente reconstruído e iniciou-se a contrução da grande igreja em estilo gótico com três naves. Supõe-se que Fra Sisto Fiorentino e Fra Ristoro tenham realizado o projeto, com apoio do Papa Bonifácio VIII e dos próprios fiéis.

Stuart Richmond*, da Simon Frase University no Canadá, nos convida a fazer uma experiência sensorial no interior deste tipo de arquitetura, com um olhar que passe atravesso a “ressonância” de Wittgenstein e que permita de nos abandonarmos aos altos arcos agudos e blocos de pedras dos quais somos circundados para viver uma plena compreensão estética e sensorial do espaço arquitetônico, captando as razões que levaram o espírito dos arquitetos daquele tempo a realizar tais construções.

sopraminerva colonna - Basílica de Santa Maria Sopra Minerva
Capela Colonna
Mesmo com o transferimento do Papa à Avignon (1309-1377), os trabalhos de construção da igreja continuaram e na metade do século XIV. Logo após a realização da abside, do cruzeiro e das naves laterais ela foi reaberta aos fiéis para o culto.

Em 1453 o conde Francesco Orsini mandou finalizar a fachada e a nave da direita. No século XVI Giuliano da Sangallo reformou o coro e no século XVII, Maderno aumentou a ábside, modificou o arco triunfal, revestiu o interior com decorações barrocas e também mudou a fachada.

cristo santa maria minerva - Basílica de Santa Maria Sopra Minerva
Entre as tantas preciosidades desta igreja
tem um Cristo atribuido ao grande Michelangelo à esquerda do altar.

Depois de alguns trabalhos de reconstrução no seu interior em 1600, a igreja ganhou uma aparência barroca. No século XVIII a decoração da fachada, que tinha ficado de tijolinhos, foi revestida pelos arquitetos Raguzzini e Marchionni, que acentuaram o caráter barroco da construção.

Apesar história da construção desta igreja trazer muitas cicatrizes, a basílica é um dos inúmeros tesouros de Roma que devem ser visitados.

A Praça de Santa Maria Sopra Minerva 
Em 1667 o Papa Alexandre VII Chigi decide colocar um obelisco achado dois anos antes na praça para embelezá-la. O obelisco, original egípcio, dedicado ao Faraó Ofra no século VI a.C., é desenhado por Bernini e realizado por Ercole Ferrata.
A fachada 
A fachada foi construída em 1400 e ficou simplesmente em tijolos até 1725, até que o Papa Bento XIII decidiu fazer o acabamento. Entre os tantos projetos da licitação, ele escolheu o mais simples, um revestimento com pintura.

* “Resonance and the Photographing of Medieval Architecture”, Revista Paideusis, 2007. O artigo pode ser lido em inglês aqui: http://journals.sfu.ca/paideusis/index.php/paideusis/article/view/135/87.

Segue uma sugestão percurso breve no interior da igreja:

planta baixa santa maria minerva - Basílica de Santa Maria Sopra Minerva
Basílica de Santa Maria Sopra Minerva

1) Monumento funerário de Diotisalvi Neroni, da escola de Andrea Bregno.
2) Capela Caffarelli, São Domingos, do Cavalier D’Arpino; teto: Cenas da vida de São Domingos, de Gaspare Celio.
3) Teto e sub-arco com afrescos de Girolamo Muziano (o mesmo que supervisionou os maravilhosos afrescos do teto da galeria dos mapas, nos Museus Vaticanos).
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4) “Anunciação” de Antoniazzo Romano, 1485. Teto de Cesare Nebbia, que também trabalhou com Girolamo Muziano nos Museus Vaticanos.
5) Capela Penafort. (à direita) Sepultura de Giovanni de Coca, de Andrea Bregno. Afresco de Cristo entre dois anjos, atribuído da Melozzo da Forlì e Antoniazzo Romano.

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Bate-e-volta à Palestrina

janeiro 19, 2014 by Patricia Carmo Baltazar Nenhum comentário
Vale a pena fazer um bate-e-volta de Roma à Palestrina?
vista palestrina - Bate-e-volta à Palestrina
Vista da montanha Ginestro, com a cidade de Palestrina
Museu palestrina light - Bate-e-volta à Palestrina
Nós, felizes da vida, antes de entrar no museu!

Palestrina fica a 43 km de Roma, a 450 metros sobre o nível do mar.

A ocupação mais antiga deste território é do século VIII a.C., de acordo com sepulturas encontradas. Destas ruínas, inferimos que a sua população mantinha contato com os Etruscos e com o mundo grego do mar Egeu.

Os historiadores Tito Lívio (59 a.C. – 17 d.C.) e Dionísio de Halicarnasso (~ 60 a.C.– 7 a.C.) discutem sobre a sua relação com Roma, sobretudo sobre a data de quando foi  definitivamente submetida à ela. A cidade seguramente adquiriu importância depois da IIª Guerra Púnica (218 a.C. – 202 a.C) e foi neste período que a urbanística de Praeneste foi o palco de grandes transformações que nós podemos observar ainda hoje!

Com a queda do Império e as declarações de Teodósio (ano de ~390 ) contra os cultos pagãos, o grande monumento foi ocupado e utilizado como moradia, o que da um lado o danificava, mas do outro mantinha a sua majestosa estrutura. Seguiram invasões de bárbaros e a ocupação dos Longobardos de Ataulfo no ano de 752.

O primeiro documento que menciona o nome moderno “Palestrina” é do ano de 873.
Em 1043, o feudo passou através de mecanismos hereditários à família romana Colonna e foi o seu refúgio durante os ataques de Cola de Rienzo (um político e tribuno dos plebeus que lutava contra os privilégios da nobreza). Essa família conseguiu manter o feudo até o século XVII, sofrendo muitas invasões (dos Borgia, em 1503, e do Duque de Alba, 1553).

Foi aqui que nasceu Pierluigi da Palestrina (1525 – 1594), pai da música polifônica. Ouça “O Magnum Mysterium” de Palestrina:

Em 1630 o feudo foi definitivamente vendido por Francesco Colonna a Carlo Barberini, irmão do Papa Urbano VIII, por 775.000 escudos (que em uma cotação fictícia de hoje seria equivalente a
€ 29.062.500).

No século XVIII o território teve um grande desenvolvimento agrícola e inúmeras tropas estrangeiras passaram por aqui: alemãs (1701; 1711), espanholas (1734; 1736), napolitanas (1799) e francesas (1802).

IMG 20141114 132518 - Bate-e-volta à Palestrina
Entrada da Cattedrale di Sant’Agapito martire

Palestrina hospitou o quartel general de Giuseppe Garibaldi, em 1849 durante a segunda República Romana.

Entre  1895 e 1897, Heinrich e Thomas Mann também passaram muito tempo nesta cidade!

O Museo Archeologico Nazionale di Palestrina

Museus palestrina entrada - Bate-e-volta à Palestrina
Entrada do museu

 

vista palestrina - Bate-e-volta à Palestrina
Vista de tirar o fôlego da frente do Museu de Palestrina

O museu foi montado em 1956 dentro do Palazzo Colonna Barberini, construído em cima do santuário antigo do período helenístico da “Fortuna Primigênia”, do séc. II a.C.. O acervo é constituído por inúmeros achados: colunas com símbolos funerários (cippi), bustos, bases funerárias, estátuas e objetos de uso quotidiano, provenientes da necrópole “Colombella” e da “Selciata” (arredores de Praeneste, hoje Palestrina).

santuario fortuna palestrina - Bate-e-volta à Palestrina
Caprichando na pernada para descer e subir na área arqueológica na frente do museu

A nossa subida para o museu foi muito especial, pois tinham fechado uma rua, por isso passamos dentro de uma parte de um prédio da prefeitura (parte do antigo Foro de Praeneste), que tinha mosaicos que não ficam abertos ao público – o Antro delle Sorti. Como estávamos festejando os nossos aniversários, recebemos um presente muito especial: a senhora que estava cuidando daquela área naquele dia nos disse de esperar, atravessou o gramado e voltou com um balde de água.

Olhem o que ela fez:

mosaico desligado palestrina - Bate-e-volta à Palestrina
O mosaico “desligado”

 

acendendo mosaico palestrina - Bate-e-volta à Palestrina
“Ligando” os mosaicos com água!
acendendo mosaico palestrina3 - Bate-e-volta à Palestrina
Olhem o efeito maravilhoso do pó indo embora e o mosaico “acendendo”
acendend mosaico palestrina2 - Bate-e-volta à Palestrina
Mosaicos com temas marinhos, Palestrina
acendend mosaico palestrina3 - Bate-e-volta à Palestrina
Mosaicos com temas marinhos, Palestrina
mosaico peixes palestrina - Bate-e-volta à Palestrina
Mosaicos com temas marinhos, Palestrina

Na entrada do museu, temos a “Tríade Capitolina de Guidonia”, do final do II século a.C., que representa Júpiter, Juno e Minerva no trono.

O complexo do santuário da “Fortuna Primigênia” foi um lugar de culto ativo durante o II séc a.C. e representa um grande exemplo de arquitetura cenográfica antiga: a área da cidade corresponde à da cidade que vemos hoje, existiam seis terraços artificiais interligados por escadas e rampas decoradas em estilo pompeiano, com preciosas incisões votivas e exedras (“construção descoberta de planta semicircular, com assentos fixos na parte interior da curva.”, definição do site engenhariacivil.com) assimétricas. No centro tinha uma arquibancada semicircular, que foi englobada na construção do Palácio Barberini, construído no século XV pela potente família Colonna.

IMG 20141114 161859 - Bate-e-volta à Palestrina
Sala do primeiro andar do museu: beleza com sabor de antigo e manieirista

Dentro do Palácio existem afrescos dos famosos irmãos Zuccari.

museu palestrina - Bate-e-volta à Palestrina
Sala do térreo do museu

 

Sergio+D'Afflitto testa femminile - Bate-e-volta à Palestrina
Busto de mulher, foto Sergio D’Afflitto

Uma das salas mais interessantes é  dedicada aos cultos antigos realizados em Praeneste. Outra sala imperdível é a sala com os  grandes mosaicos helenísticos (ano ~ 80 a.C., de dimensões: 5,85 x 4,31 m) com o “Mosaico do Nilo”, que veio do Foro de Praeneste e que representa cenas do Egito Antigo como a cheia do Rio, e a Alessandria, com (muito provavelmente) o palácio dos Ptolomeus. A simples visão deste grande e exímio mosaico é já razão para vir à Palestrina!

mosaico nilo palestrina - Bate-e-volta à Palestrina
“Mosaico do Nilo”, nós três, abobalhadas da beleza deste mosaico

Temos ainda mil coisas pra ver: esculturas e objetos relativos ao culto da Deusa Fortuna, além de outras esculturas do período helenístico e cópias de obras-primas gregas. A maior parte destes trabalhos foi realizado entre os séculos II a.C. III d.C. e são testemunhas do culto à deusa da fertilidade na antiga Praeneste.   Outros achados nos contam como no final do II a. C ocorreu um precoce sincretismo entre a Deusa Fortuna Primigênia e a divinidade oriental Ísis (em mármore Bigio, isto é, de cor cinza).

SANTUArio preneste maquete - Bate-e-volta à Palestrina
A maquete no último andar do antigo Santuário da Deusa Fortuna Primigênia

Aproveite também para ver um dos famosos rilievi Grimani, aqui temos a javali fêmea com filhote, falei destes relevos no post sobre a Exposição “Augusto”.

javali museu palestrina - Bate-e-volta à Palestrina
Fêmea de javali

Outras maravilhas de Palestrina contam com o Museu Diocesano de Arte Sacra, Museu della Resistenza e dos Onze Mártires; a Porta do Sol (o antigo portão de entrada da Palestrina de 1642, também realizado pela família Barberini), e se for Primavera ou verão, podemos passear no Parque Natural da Valle della Cannucceta!

Para fazer um tour na Itália com guia de turismo em português não hesite em escrever para Guia Brasileira em Roma para pedir seu orçamento.

Museo Archeologico Nazionale di Palestrina
Endereço: Palazzo Barberini, Piazza della Cortina
Tel. 06/9538100 Fax 06/9538100
Horário de abertura: 9.00-20.00 (até o pôr-do-sol) 
Entradas:
Inteira € 5,00; 
Meia € 2,50 (18-24 anos)
Grátis para menoresde 18 anos e maiores de 65 com passaporte europeu

Museu Diocesano de Arte Sacra
Palazzo Vescovile, Via Roma 23 – Palestrina
Tel. 069534428 – Fax. 069538116
Horário de abertura:
– Quintas e Domingos: das 15:30 às 18:30
– Sextas e Sábados: 9:30 – 12:30 e 15:30 – 18:30
– Durante Julho e Agosto as aberturas de tarde são: 16:00 – 19:00

Entradas:

Inteira € 4,00
Meia: € 3,00
Museu della Resitenza e degli Undici Martiri
Via Pedemontana – 00036 Palestrina (RM)
tel: 06 9573176
Visitas sob reserva: +39 06/95302272-271
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bate e volta, Florença, igrejas, italia para brasileiros, italia serviços turísticos, Museus, viagem na Italia com guia em português

Bate e Volta de Roma: Florença

janeiro 14, 2014 by Patricia Carmo Baltazar Nenhum comentário

Vale a pena fazer um bate-e-volta de Roma à Florença?

Justus+Hayes++ Shoes+on+Wires - Bate e Volta de Roma: Florença
Panorama de Firenze, foto de Justus Hayes


Este post partirá desta pergunta que me fazem muito para esclarecer como fazer excursões a partir de Roma e hoje começamos com Florença!

Depois vou ver se o Rodnei tem vontade de contar do bate e volta que ele fez à Veneza (êita gente animada!) pra vocês lerem.

Firenze é uma cidade que merece pelo menos três dias, para ser curtida. Ideal seriam 5 dias, pois se você for ver realmente os museus, já dá para passar um dia inteiro nos Uffizi, Galleria Palatina, Palazzo Pitti ou a Casa de Michelangelo, para citar alguns exemplos! Isso sem contar os arredores, as colinas seneses com suas vinícolas e seus vinhos maravilhosos.

seidsvag - Bate e Volta de Roma: Florença
Ponte Vecchio, foto de Simen Idsøe Eidsvåg


Se tiver o pique, e não tiver jeito de passar mais dias em Florença, vá!
Você pode sair de Roma com o trem 9566 FRECCIAROSSA direto das 07:05, com chegada às 08:36 em Firenze. A estação “central” se chama Santa Maria Novella. Naturalmente eu aconselharia de pegar uma guia para… por várias razões e aqui citarei duas:

1) economizar tempo, indo diretamente aos monumentos mais importantes;
2) ter todas as explicações necessárias para poder ir embora da cidade com uma boa ideia da história da cidade, sua arquitetura e sua arte.

Fundamental ver a Piazza della Signoria com seus monumentos: Palazzo Vecchio, Loggia dei Lanzi, Uffizi, Ponte Vecchio, Mercato Nuovo, Piazza della Repubblica e Piazza del Duomo.

Studio+Grafico+EPICS - Bate e Volta de Roma: Florença
Perseu com cabeça de Medusa, Foto de Studio Grafico Epics


Algumas (como escolher?!) igrejas são verdadeiros museus, e são também um must! O explêndido Duomo, documento vivo do Renascimento fiorentino, Santa Maria Novella, Santa Maria del Carmine com maravilhosos afrescos de Masaccio, a românica San Miniato, e as esculturas de Michelangelo na Capela Medici dão uma ideia da riqueza desta mágica cidade.

Florença é tão especial, que parece um cenário… com certeza você vai se pegar falando “Noooossa, como é que projetaram esta cidade tão linda?” É neste momento, que quando uma pessoa que nasceu e mora naquele lugar, pode te contar ao vivo e a cores na tua língua sobre as coisas que você está vendo, é que você entende que guias são uma delícia de ter ao seu lado numa cidade tão maravilhosa que se apresenta como um mistério num primeiro momento. É assim que você vai realmente curtir o passeio. Palavra de quem sofreu muito antes de entender isso!

Em linhas gerais, a Piazza della Signoria é o coração de Firenze, um lugar que “desde sempre” foi habitado pelo ser humano. O que a gente vê hoje ali começou a tomar forma na segunda metade do séc XIII, quando começou a virar o centro da vida politica dos moradores, em contraposição ao centro da vida religiosa, que era a Piazza del Duomo.

O “Palazzo Vecchio”, na Piazza della Signoria, é a prefeitura da cidade. É um ótimo exemplo de arquitetura do séc XVI italiana.

Para organizar e estruturar sua visita, reserve uma guia em português credenciada:  escreva um email para Roma em Português

Voltamos à Roma com o trem 9549 FRECCIAROSSA, que sai de Firenze (Santa Maria Novella SMN) às 19:04h e chega à Roma às 20:35 à Roma Termini; se decidirmos jantar antes de voltar, podemos pegar o trem número 9559 FRECCIAROSSA, que sai de Firenze (Santa Maria Novella SMN) às 22:04h e chega à Roma às 23:35h em Roma Termini.

Toni Rodrigo - Bate e Volta de Roma: Florença
Maravilhosa foto panorâmica no cair da tarde de Toni Rodrigo


Então, valeu o bate e volta?

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guia de Roma em português, igrejas, igrejas de roma, italia para brasileiros

Bocca della verità

janeiro 14, 2013 by Patricia Carmo Baltazar Nenhum comentário

A “Bocca della Verità” é uma grande máscara de mármore pavonazzetto (mármore branco com estrias de cor violácea escura, como na cauda dos pavões), em exposição no pronaos (termo utilizado para designar a antecâmera do templo grego, podemos aqui simplificar, dizendo que seria a área retangular logo antes da entrada da igreja) da Igreja de Santa Maria em Cosmedin, desde 1632.

(Se você gostar de mármores, leia o artigo sobre os mármores antigos!)

Bocca della verità

bocca della verita - Bocca della verità
A famosa máscara da Bocca della Verità

A “mascarona” representa um rosto masculino com barba; olhos, nariz e boca são cavidades na placa de mármore. O rosto foi interpretado ao longo dos anos com representação de diferentes personagens: Júpiter-Amon, o deus Oceano, um oráculo ou um fauno.

interno cosmedin - Bocca della verità
O fantástico interior da Igreja de Santa Maria in Cosmedin, com o pavimento Cosmatesco

Na Roma Antiga, a máscara era uma espécie de ralo, que naquela época tinham comumente a forma de uma divindade pluvial.

Durante a Idade Média, a máscara atingiu uma fama legendária: acredita-se que seja este o objeto mencionado no século XI nos primeiros Mirabilia Urbis Romae (uma guia medieval para pelegrinos!), onde à Bocca foi atribuido o poder de pronunciar oráculos. Nesta guia estava escrito: Ad sanctam Mariam in Fontana, templum Fauni; quod simulacrum locutum est Iuliano et decepit eum (“Na Igreja de Santa Maria em Fontana encontra-se o templo do Fauno. Esta  máscara si pronunciou a Juliano e o enganou”).

Um texto alemão do século XII conta de um mito sobre o Imperador Juliano, que se declarou pagão apesar de sua fé católica, descrevendo detalhadamente como o diabo, através daquela boca tivesse segurado longamente a sua mão, que por sua vez teria engando uma mulher e na frente da máscara teria que jurar a sua boa fé, prometendo-lhe de recuperar a sua reputação e de dar-lhe muita proteção se ele voltasse a instituir o culto pagão no Império Romano.

Ainda na Idade Media, uma legenda contava como Virgilio mago (um mago de uma lenda desenvolvida no norte da Europa) construiu a Bocca della Verità para que os maridos e esposas pusessem à prova a fidelidade do cônjuge.

No século XV, viajantes italianos e alemães se lembram, bastante convencidos, que esta pedra “chamada lápide da verdade tinha antigamente o poder de  mostrar se uma mulher tivesse traído seu marido”.

Em uma outra lenda alemã do XV século, encontramos uma estória sobre a máscara que não ousou morder a mão de uma imperatriz romana que, mesmo que tivesse de fato traído o seu marido imperial, a engana com a sua lógica. Legenda ou fato? Mistérios de Roma…

Boatos populares conhecidos falavam de uma mulher infiel que tinha sido levada à Bocca della Verità pelo marido que suspeitava da sua esposa, para colocá-la à prova, mas que tinha conseguido salvar a sua mão com a sua inteligência: pediu ao amante que no dia em que fosse levada pelo marido para a prova de fogo se apresentar no local, fingir-se de louco e abraçá-la na frente de todos.
Assim, a mulher pode jurar tranquilamente ao inserir a mão na Bocca, que tinha sido abraçada somente por seu marido e por aquele homem que todos tinham visto, mesmo sendo culpada de adultério.

O nome Bocca della Verità apareceu em 1485 e a escultura tem sido desde então mencionada entre as curiosidades romanas, tendo sido reproduzida em desenhos e estampas. Daí podemos dizer que originalmente a escultura estava posicionada fora do pórtico da igreja e foi colocada dentro do pórtico no restauro feito pelo Papa Urbano VIII, Barberini, em 1631.

Os turistas ainda hoje formam enormes filas para serem fotografados com a mão dentro da “boca mágica”, o que nos faz pensar que esta curiosidade esteja inserida em diversas guias e até nos passeios mais curtos por Roma! Nós preferiríamos entrar na igreja, que é linda e cheia de pavimentos cosmatescos!

Monumentos importantes aqui perto: 

 

Templo de Portunus: https://www.romaemportugues.com.br/templo-de-portunus/

São Nicolau em Cárcere: https://www.romaemportugues.com.br/basilica-de-sao-nicolau-em-carcere/

Teatro Marcelo: https://www.romaemportugues.com.br/teatro-marcelo/

Para compreender Roma são necesessários anos de estudo de arte, arquitetura e arqueologia e outros tantos anos para aprofundar este conhecimento e escrever artigos como este. Escolha uma guia profissional pois ela fará uma grande diferença na sua estadia.

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Sobre mim

Olá, eu sou a Patricia e me apaixonei por Roma em 1994, quando ainda era uma estudante de Artes Plásticas em Hamburgo. Desde então fiz várias viagens para estudar a Cidade Eterna e em 1998 me mudei para cá. No Turismo estou desde 2007, quando comecei a trabalhar com alemães. Sou guia credenciada em Florença e Roma e este blog é um elogio muito pessoal sobre a minha paixão pela cultura Clássica. Na minha equipe trabalham as melhores guias que falam português nas principais capitais italianas, escolhidas a dedo por mim ao longo dos anos.

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